Os Croods, em análise

 

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  • Título Original: The Croods
  • Realizador: Kirk De Micco, Chris Sanders
  • Elenco: Nicolas Cage, Ryan Reynolds, Emma Stone
  • Big Picture Films | 2013 | Animação | 98 min

Classificação:

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Se pensarmos que “Os Croods” é uma reprodução imatura e infantil da Alegoria da Caverna, então não estamos muito longe da realidade. É uma espécie de conto ingénuo e moral adaptado do enunciado filosófico de Platão.

Na Grécia Antiga, Platão sugeria um modo metafórico de olhar para o conhecimento. Havia uma sombria caverna onde cresceram pessoas incomunicáveis com o mundo exterior, dominadas pela ignorância atroz e que diariamente contemplavam os pequenos feixes de luz que atravessavam a os insignificantes espaços não fechados. Lá fora, reinava a luz, símbolo do conhecimento e da sabedoria e onde não habitavam leigos.

Não estamos perante uma reflexão filosófica da sociedade, muito pelo contrário. Mas a verdade é que “Os Croods”, com a sua infantilidade evidente, explica com veemência a moralidade da Alegoria de Platão, mas contada às crianças.

A família Croods vive numa caverna que os mantém longe da morte, mas muito perto da falta de vida. Vivem sob a alçada da ignorância num micro-universo denso, escuro, triste. Sabem apenas o significado atribuído a “sobreviver”, mas desconhecem qualquer conceito como liberdade, sonhos, ambições ou saber.

Eep é a jovem aventureira da família que sonha um dia em ultrapassar as barreiras impostas pelas regras e pelo asilo emocional criado pelo seu pai. Um dia, tem a ousadia de seguir a luz que ilumina escassamente a caverna. E a partir desse momento, o quotidiano da família Croods mudará para sempre.

É a história moral de “Os Croods” que o torna mais interessante do que seria de esperar. É percetível que se trata de uma fita destinada a um público mais infantil (e talvez potencialmente mais maravilhado com a magia moral do cinema), mas consegue arrancar alguns juízos sobre a vida que serão facilmente compreendidos pelas crianças.

Fala-nos sobre a fugacidade da vida se não for vivida na plenitude, aborda a relação paternal de uma forma emotiva (por vezes excede-se em emoções fáceis), desenvolve o pensamento de que as ideias podem surgir das mentes mais incultas, e ainda joga bem com o indivisível binómio liberdade e sobrevivência.

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Apesar de tudo, o argumento está inundado de previsibilidades que por vezes cortam algum pendor emocional. E talvez por isso é que as crianças gostarão bem mais de “Os Croods” do que os adultos.

Visualmente, e embora não se aproxime minimamente do detalhe admirável dos estúdios Pixar, é bastante competente. Mesmo o 3D é capaz de acrescentar algumas minúcias interessantes, seja através do seu carácter imersivo (traduzindo-se numa ampliação do plano da ação), ou pela sua aptidão para fazer saltar objetos para cá da tela (momentos que deixarão o seu público-alvo maravilhado).

Mas talvez lhe falte alguma cor ou algum toque mais aparatoso que lhe devolva algum carisma. Carisma esse que também seria necessário na sua história e promoção comercial, dado que até se trata de um filme da DreamWorks (Shrek, O Panda do Kung Fu).

Contudo, ouvem-se permanentemente ecos de que o que estamos a ver é made in DreamWorks. Personagens que funcionam como autênticos comic reliefs (como o Burro era em Shrek), momentos capazes de soltar os mais audíveis risos e níveis de entretenimento fácil que não deixarão ninguém por contagiar.

O seu final incongruente e – frise-se novamente – previsível remata de forma pouco homogénea aquilo que se tinha visto até então. Até aquele momento, e apesar de não se tratar de um filme espantoso, “Os Croods” conseguia atingir níveis bastante satisfatórios. Mas o final em jeito de happy ending retira-lhe algum brio, por ser excessivamente simples.

No geral, trata-se de uma animação divertida, de humor espontâneo e ação non-stop que captará a atenção dos mais pequenos nesta época Pascal.

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Sobre Daniel Rodrigues