NOS Alive | Na noite dos Arctic Monkeys, os Nine Inch Nails triunfaram

O primeiro dia, lotado, do NOS Alive trouxe-nos o rock dos Nine Inch Nails que nos convenceu por completo, uma actuação consistente dos Wolf Alice e uns Arctic Monkeys que não brilharam.

O NOS Alive voltou ontem ao Passeio Marítimo de Algés para mais uma edição cheia de surpresas e este primeiro dia prometia ser inesquecível. No cardápio tínhamos os Wolf Alice, Nine Inch Nails, Snow Patrol e Arctic Monkeys, entre outros…

Assim que pisámos o chão verde alcatifa, sentimo-nos numa passadeira vermelha, e no ar pairavam as apostas sobre qual banda seria a mais aplaudida. Os sentimentos estavam à flor da pele e só faltava uma coisa… a música, que vinha dar sentido a toda aquela noite! Mas esta não tardava em chegar…

Assim que Bryan Ferry entrou em palco, sentimo-nos em Las Vegas e imediatamente fizemos uma viagem ao passado, onde o músico interpretou temas que influenciaram gerações, tanto da sua carreira a solo, mas também do seu percurso com os Roxy Music.

Foi posto a tocar ao fim da tarde, num dia em que o público ansiava pelos Nine Inch Nails e pelos Arctic Monkeys. Apresentou-se com o seu habitual estilo galã, com uma voz sem vestígios da erosão do tempo, e deu-nos músicas como ‘Ladytron’, ‘Slave to Love’ e uma ‘Avalon’  que nos deixou completamente em êxtase, culminando no momento mais bonito da sua actuação.

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No final do concerto, honrou a herança glam rock com ‘Love Is the Drug’, a magnifica Virginia Plain’  e deixou-nos ‘Let’s Stick Together’ para o final. O músico foi pouco comunicativo com o público mas eficiente na sua actuação, tendo actuado para um público pouco habituada à sonoridade de Ferry.

Voltámos a ver os Wolf Alice no mesmo palco que há dois anos, e voltamos a ser felizes. Muito acarinhados pelo público do festival, a banda não deixou de referir que “um dos melhores concertos da sua carreira tinha sido naquele palco”.

‘Vision of Life’ de 2017, e o facto de os Nine Inch Nails ainda não estarem em palco explicaram um Palco Sagres que transbordou por completo, num palco que nos foi difícil o acesso. Bastaram poucos minutos para o público ficar em êxtase, aliás, na verdade, logo no segundo single, com ‘Yuk Foo’, percebemos que iríamos ser muito felizes.

Depois veio  ‘Don’t Delete the Kisses’, num estilo electro-rock, e a incontornável ‘Beautifully Unconventional’. Para o final proporcionaram-nos uma viagem ao primeiro álbum

Os Snow Patrol aqueceram um palco desejoso de aplaudir os Arctic Monkeys. É inegável, os Snow Patrol continuam a atrair multidões, sobretudo devido a “Chasing Cars” e aos sucessos de “Eyes Open”, editado em 2006. A banda surgiu nos anos 90, e desde então muita coisa mudou, sobretudo em 2001, com “When It’s All Over We Still Have to Clear Up”.

O momento alto do concerto, como seria esperado foi aquando da actuação de Chasing Cars, onde milhares de pessoas cantaram o tema de telemóvel na mão, eternizando este momento. Quanto ao alinhamento, os Snow Patrol quiseram trazer um pop-rock meio sofrido.

Ainda que tenham trazido temas do novo álbum, Wilderness, é no passado que estão os maiores êxitos e estas não foram esquecidas, como “Open Your Eyes”, “Run” e “Just Say Yes”. E também não esqueceram os “amigos” Queens of the Stone Age, cabeças de cartaz do próximo dia de NOS Alive, tendo-lhes dedicado “Chasing Cars”.

Tocaram cerca de uma dúzia de canções e cumpriram a sua função: aquecer o palco para os Arctic Monkeys, tendo o concerto sido um reencontro, mas não daqueles em que não se sente que o tempo, milagrosamente, não passou.

Os Nine Inch Nails, grupo liderado pelo incontornável Trent Reznor convenceram, completamente, o público com uma actuação brilhante e que ficará para a posterioridade.

A banda de Trent Reznor ( um dos nomes mais fixes de sempre!) mostrou vitalidade, numa noite que nem o clássico ‘Hurt” ficou de fora, e ainda houve tempo para uma magnifica versão de ‘I’m Afraid of Americans’. O passeio Marítimo de Algés parou para ver esta actuação, naquele que foi o momento alto da noite.

A banda entrou “com tudo”, tendo-se agarrado ao palco como este lhe pudesse escapar. Começamos com “Wish”, enquanto víamos imagens a preto e branco, na tela gigante do palco principal do NOS Alive. Gritámos em plenos pulmões em ‘March of the Pigs’, ‘Piggy’ e em ‘God Break Down the Door’, do recomendável novo EP, “Bad Witch”.

No ar pairavam os sorrisos de orelha a orelha a cada música entoada, e ninguém resistia à energia frenética de Trent.

Poucos momentos depois, chega-nos a clássica ‘Closer’, recebida com uma ovação inexplicável. No fim do concerto ainda tivemos direito a , ‘I’m Afraid of Americans’, de David Bowie, ‘The Hand That Feeds’ e ‘Head Like a Hole’ . Para terminar, a eterna ‘Hurt’, um verdadeiro hino, onde a voz do cantor se tornou emocionante, e lírica.  A cada som do groove metaleiro recebemos magia e nunca vamos esquecer o quão felizes ontem fomos ao som dos Nine Inch Nails.

Enfim,  só quem lá esteve sentiu a energia electrizante deste concerto memorável. Podemos dizer que o grupo de Reznor nos trouxe a sua magia ( e que magia!), num concerto que nos deixou completamente sem palavras.

Os Arctic Monkeys trouxeram-nos o  último disco e não nos deixaram, especialmente, deslumbrados. A banda mais aguardada deste primeiro primeiro dia de festival entrou em palco passavam poucos minutos depois da meia noite.

Alex Turner, de cabelo especialmente penteado e de fato começou a dar-nos música num alinhamento repleto de canções do recente álbum ‘Tranquility Base Hotel and Casino’. As qualidades musicais de Alex são inegáveis mas nesta noite, o público do NOS Alive pedia mais.

A sonoridade de ‘Four Out of Five’, ‘One Point Perspective’, ‘She Looks Like Fun’, ‘Star Treatment’ não conjugou bem com o restante reportório, conferindo, de certa forma, um estilo mais lento ao concerto ( contrariamente ao que se esperava).

Começaram bem com ‘Four Out of Five’, e visitamos a brilhante  ‘Brianstorm’. Tivemos ‘Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair’ e ‘Crying Lightning’. Depois tivemos ‘505’, uma das mais aclamadas músicas da banda, que chegou cedo demais.

O fim ia-se aproximando a pairava no ar a pergunta:  porque é que sentimos mais calor humano no concerto de Nine Inch Nails, que começou ainda com luz do dia, do que com as “grandes estrelas”?

O final, apesar de se terem despedido ao som de ‘R U Mine?’ ficámos com uma certa desilusão. Queríamos mais!

Mas os Arctic Monkeys são sempre os Arctic Monkeys, uma das melhores bandas da actualidade. A banda quis inovar e apresentar um novo alinhamento. Deve-se reconhecer esse esforço mas num cartaz como o deste ano, Mr. Turner não conseguiu oferecer-nos aquela explosão de emoções que esperávamos.

A 12.ª edição do festival NOS Alive continua esta sexta-feira, com os Queens of the Stone Age como cabeça de cartaz.

Fotografias: NOS Alive

Cátia Santos

Observadora, comunicadora, crítica, muito curiosa, apaixonada pela escrita criativa e informativa. Devoradora de livros e de música, com um especial gosto por tecnologia.

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