Porque é que Massacre no Texas é um dos Melhores Filmes de Terror da História

Mais de 40 anos depois da estreia, Massacre no Texas permanece um dos filmes de terror mais influentes e mais importantes da história do cinema americano.

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PORQUE É QUE NÃO POSSO PERDER?

No verão de 1973 nenhuma das miseráveis almas envolvidas na produção de Massacre no Texas poderia imaginar a diferença que o seu trabalho árduo e doloroso viria a fazer para a história do Cinema no geral e do género de terror em particular.

Realizado por um jovem Tobe Hopper, Massacre no Texas teve um orçamento incrivelmente baixo, o que levou a que o filme tivesse de ser produzido em condições deploráveis, a roçar a miséria, e onde a equipa de produção e atores estavam recorrentemente exaustos e zangados. O calor e a humidade eram insuportáveis, alguns sets estavam cobertos de carcaças de animais com um cheiro pútrido e as limitações no guarda-roupa eram tantas que alguns atores tiveram de usar o mesmo conjunto ao longo de dias sem fim.

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Pode dar-se o caso de ter sido todo este enredo de dificuldades, obstáculos e azares que trabalharam juntos para motivar a equipa de Massacre no Texas a fazer o melhor filme possível nas piores condições imagináveis. E o resultado… está nas páginas dos livros, nos “tiques” dos novos filmes de terror, na inolvidável grandeza de um verdadeiro clássico.

Escrito e produzido por Hooper e Kim Henkel, Massacre no Texas é hoje considerado por muitos um filme de terror perfeito, elevado por milhões como um dos filmes mais influentes da década de 70 e reconhecido por todos como um pilar que definiu o que é hoje o género de Terror. E vale a pena ressaltar esta última referência e bater – e muito – nesta tecla. De facto, o conceito central de um grupo de pessoas perdidas num ambiente desolado e ameaçador que são confrontadas com atrocidades inimagináveis foi e será copiado até à exaustão. Na mesma toada podemos relembrar o icónico Leatherface, a enorme figura de força sobrenatural mas com parca caracterização emocional que se tornou o farol de inspiração para todo um género slasher que prosperou ao longo dos anos 70 e 80 e persiste até hoje.

Mas talvez a arma mais poderosa deste clássico de 1974 que acabou banido de tantos países é mesmo o seu realismo: filmado a 16mm, quase se sente como um documentário – curiosamente, outro mago do terror, Wes Craven, chegou mesmo a opinar que “parecia que alguém tinha roubado uma câmara e tinha começado a matar pessoas”.

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E se vos dissermos que Hooper batalhou arduamente para conseguir um “amigável” rating PG, acreditam em nós? É que é mesmo verdade. E é, possivelmente, outra das grandes razões para se ter tornando um clássico tão agonizante. É que como poucos “imitadores contemporâneos” se lembram, as implicações da mera sugestão são frequentemente muito mais aterradoras do que um plano de tripas e vísceras. Aqui a brutalidade e o macabro habitavam a imaginação de cada espectador.

Massacre do Texas mudou para sempre o género de terror ao manipular a indiferença do público para com a violência quotidiana e tornando a falta de humanidade do Homem no grande terror da narrativa.

Porque afinal, podemos sempre escapar a vampiros, lobisomens ou pesadelos, mas nunca conseguimos escapar uns aos outros.

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Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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