Hollywood ao rubro | Warner manifestou-se em favor de um dos compradores
E a guerra de gigantes em Hollywood continua sem fim à vista… Assim, soube-se hoje que a Warner Bros. instou os seus acionistas a optarem por uma das ofertas conhecidas publicamente.
Hollywood continua a ferver nesta ‘novela’ Warner-Netflix-Paramount. A Warner era obrigada a responder à oferta da Paramount em dez dias e já há alguns desenvolvimentos.
Afinal, qual é a decisão da Warner?

Nas últimas semanas, o grande assunto nos meios de comunicação sobre cinema e televisão é este: a Netflix comprou a Warner. No entanto, o negócio só fica concluído no segundo semestre de 2026. A Paramount não desistiu e lançou uma oferta hostil à Warner Bros. para comprar a totalidade da empresa. Pretendia fazê-lo por um valor superior à oferta da Netflix que não incluía os canais de televisão.
Como muito dinheiro em jogo, os acionistas das empresas também têm as suas palavras a dizer. Assim, a Warner Bros. Discovery enviou hoje uma carta de três páginas a instar os seus acionistas a rejeitarem a proposta de 108 milhões de dólares da Paramount, afirmando que a mesma “continua inferior à fusão com a Netflix.”
Na carta, a empresa veio demonstrar algumas preocupações referentes à oferta da Paramount. Em primeiro lugar, está o facto da Paramount repetir de forma insistente que a oferta é garantida pela fortuna da família Ellison. Larry Ellison, pai do CEO da Paramount David Ellison é um dos investidores e, após ter cofundado a Oracle, é um dos homens mais ricos do mundo. Além dele, também a RedBird Capital, a Apollo e três fundos soberanos do Médio Oriente estão entre os investidores.
O que diz a carta da Warner?

Na carta enviada aos acionistas, a Warner refere: “A mais recente proposta da PSKY [Paramount-Skydance] inclui um compromisso de capital de 40.65 mil milhões de dólares, para o qual não existe qualquer tipo de compromisso da família Ellison. Em vez disso, eles propõem que se confie num fundo fiduciário revogável, desconhecido e opaco, para garantir o financiamento deste negócio crucial. Apesar de ter sido repetidamente informado pela WBD sobre a importância de um compromisso financeiro total e incondicional da família Ellison — e apesar de seus próprios recursos amplos, bem como das múltiplas garantias da PSKY durante o nosso processo de revisão estratégica de que tal compromisso estava por vir —, a família Ellison optou por não apoiar a oferta da PSKY.”
Face às incertezas, a Warner acrescenta que o fundo revogável “contém lacunas, brechas e limitações que vos colocam a vocês, nossos acionistas, e à nossa empresa em risco.”
Além disso, a administração da Warner Bros. Discovery apontou ainda outros problemas com a proposta da Paramount. A saber, afirmam que a diferença nas ofertas concorrentes “não é substancial” em termos de regulamentação. Adicionalmente, mostram-se preocupados com o objetivo da Paramount de atingir 9 mil milhões de dólares em sinergias com a fusão com a Skydance em agosto passado e a proposta de aquisição da WBD. Assim, concluem que a meta é “ambiciosa do ponto de vista operacional e enfraqueceria Hollywood, em vez de fortalecer”.
Incertezas e dúvidas
Por fim, a Warner queixou-se da oferta da Paramount como “ilusória” porque garante “o direito de alterar a oferta em qualquer aspeto (incluindo a alteração do preço da oferta)”. Ou seja, com as aprovações regulatórias a demorarem até 18 meses, “nada nesta estrutura oferece à WBD qualquer garantia de conclusão do negócio”.
Assim, o Presidente do Conselho de Administração da WBD, Samuel A. Di Piazza Jr., conclui que “após uma avaliação cuidadosa da oferta pública de aquisição recentemente lançada pela Paramount, o Conselho concluiu que o valor da oferta é inadequado, com riscos e custos significativos impostos aos nossos acionistas (…) Estamos confiantes de que a nossa fusão com a Netflix representa um valor superior e mais seguro para os nossos acionistas e estamos ansiosos por concretizar os benefícios convincentes da nossa combinação.”
Novos dados igualmente divulgados

Noutro documento, a Warner Bros. Discovery divulgou igualmente detalhes sobre a procura de fusões e aquisições. Assim, ainda que não sejam identificados os nomes, refere-se na cronologia das negociações que houve outros dois pretendentes para a aquisição da WBD. A empresa identifica-os simplesmente como “uma holding privada e empresa de investimento global” e “uma empresa de média americana”.
Esta última iria adquirir a Discovery Global Networks (ou seja, a parte da televisão linear) e 20% dos estúdios e HBO Max por 25 mil milhões de dólares em dinheiro. Por outro lado, a “holding privada” propunha combinar os estúdios e o streaming com os seus “negócios relacionados”. Esse acordo previa que os acionistas da WBD ficassem com 48% da empresa após a fusão.

