Cinema em vias de extinção após quebra mais alta do século?
Os cinemas portugueses fecharam 2025 com 10,9 milhões de espectadores, registando uma grande queda face a 2024. Assim sendo, de acordo com dados divulgados pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), este é o pior resultado desde 1996, quando se contabilizaram 10,4 milhões de entradas, excluindo o período excecional da pandemia entre 2020 e 2022.
O que corresnponde em receitas de bilheteira?

No campo financeiro, as receitas de bilheteira atingiram 70,5 milhões de euros, o que representa uma redução de 3,9% em comparação com 2024. Sem considerar os anos afetados pela covid-19, apenas em 1996 se registou um valor inferior.
Ou seja, a quebra revela que a diminuição de espectadores continua a afetar diretamente a sustentabilidade económica das salas de cinema, num contexto marcado pela concorrência das plataformas de streaming e pela alteração dos hábitos de consumo cultural em Portugal.
Falta de filmes nas salas?
Apesar da quebra na audiência, estrearam-se mais filmes em sala em 2025. No total, chegaram aos cinemas 406 filmes, mais 13 do que em 2024. Deste universo, 54 foram produções portuguesas, representando 13,3% das estreias.
Ainda assim, o aumento da oferta não se traduziu num crescimento da procura. Pelo contrário, o cinema português registou uma quebra acentuada de público, com apenas 229.455 espectadores, menos de metade dos 536.146 registados em 2024.
Qual é o estado do cinema português?
Em termos de quota de mercado, o cinema nacional representou apenas 2,1% dos espectadores em sala em 2025. Além disso, nas receitas de bilheteira, essa percentagem foi ainda mais baixa, situando-se nos 1,7%, o equivalente a 1,2 milhões de euros.
Qual foi o filme mais visto?

O filme mais visto do ano foi “Lilo e Stitch”, de Dean Fleischer Camp, que atraiu 667 mil espectadores. Seguiram-se “Minecraft”, de Jared Hess, com 503 mil, e “Zootrópolis 2”, de Byron Howard e Jared Bush, com 428 mil entradas.
Entre os dez filmes mais vistos do ano, destacou-se apenas uma produção lusófona: o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que alcançou 385 mil espectadores.
A produção portuguesa com maior número de espectadores foi “O Pátio da Saudade”, de Leonel Vieira, com 69 mil entradas. Seguiram-se “Lavagante”, de Mário Barroso, com 21.794 espectadores, e “O Lugar dos Sonhos”, de Diogo Morgado, com 17.931.
Qual são os resultados das principais exibidores?
No setor da exibição, a Cineplace foi a empresa mais afetada em 2025, após o encerramento de várias salas, registando quebras superiores a 30% tanto em receitas como em número de espectadores.
Apesar disso, a NOS Lusomundo Cinemas manteve a liderança do mercado, embora tenha registado uma queda de 3,5% nas receitas, para 48,2 milhões de euros, e uma redução de 8,1% nos espectadores, totalizando 7,1 milhões de entradas. A empresa terminou o ano com 213 salas de cinema.
E das salas independentes?

Em contraciclo, algumas salas independentes registaram crescimento. A Medeia Filmes, responsável pelo Cinema Nimas, em Lisboa, e a Nitrato Filmes, que programa o Cinema Trindade, no Porto, superaram os 90 mil espectadores cada.
A Medeia Filmes registou um aumento de 31,5% face a 2024, enquanto a Nitrato Filmes cresceu 22,3%, demonstrando que a programação alternativa continua a atrair públicos específicos.

