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Marty Supreme – Análise

“Marty Supreme” é um título que muito se tem ouvido nos últimos tempos no mundo do cinema. Maioritariamente pelo marketing que o protagonista Timothée Chalamet tem feito ao filme e pelas suas, cada vez maiores, hipóteses de ganhar o Óscar de Melhor Ator em 2026.

Em “Marty Supreme” o ator interpreta um jovem com um sonho que ninguém compreende, de se tornar no campeão do Mundo de Ténis de Mesa. E Marty é capaz de fazer tudo para atingir o seu maior objetivo e na busca pelo sucesso.

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Além de Timothée Chalamet, o filme conta com Gwyneth Paltrow, Tyler, The Creator, Odessa A’zion, Abel Ferrara e Kevin O’Leary no elenco. O filme acaba de chegar aos cinemas portugueses.

Uma premissa simples a um ritmo frenético

O que torna este filme original não é a sua premissa. À partida, e pelo que vemos do marketing anunciado, pensamos que vamos para um simples filme de desporto, em que um jovem não olha aos meios para atingir os fins de se tornar no maior do Mundo na sua modalidade.

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Contudo, o filme é muito mais do que isto. É um retrato dos underdogs, de quem vê o seu sonho espezinhado vezes e vezes sem conta e de quem não tem o apoio que deveria para alcançar os seus objetivos.

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É, então, uma história profundamente humana. De como a solidão da busca pela grandeza te pode tornar egoísta, absorvido por ti próprio e pelos teus sonhos. Mas, ao mesmo tempo, é admirável ver como alguém nunca desiste, e consegue ver para além do olhar limitador dos outros. Alguém que procura a grandiosidade tem sempre de ver além.

Esta história é revelada a um ritmo frenético, com uma edição rápida e quase documental de Josh Safdie, realizador, editor e escritor deste novo filme. A forma como este plot se desenrola é inquietante e chegamos ao fim a sentir que fizemos uma maratona sem nos levantarmos da cadeira de cinema. E isto num bom sentido, pois aquilo que sentimos ao longo do filme é que fazemos parte da jornada desta personagem.

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Timothée Chalamet na corrida pela grandiosidade

Marty Supreme com Timothée Chalamet
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Não há dúvidas que Timothée Chalamet é um ator que recorre ao method acting. Aprendeu a tocar guitarra para “A Complete Unknown” durante as gravações de “Dune”. E, para “Marty Supreme” treinou Ténis de Mesa” durante seis anos, levando uma mesa de ping pong para todos os sets onde estava.

Além disso, todo o marketing que o ator fez para este filme está de acordo com a personagem que apresenta no filme. E o ator não esconde a forma como sonha em estar entre os melhores atores de sempre. Cá para mim, já está. Timothée Chalamet tem feito, consistentemente, atuações fantásticas durante dez anos.

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Assim, esta personagem parece ter sido modelada para assentar que nem uma luva no ator e no seu momento presente. A sua performance em “Marty Supreme” está eletrizante. É, ao mesmo tempo, profundamente detestável, pelas decisões egoístas que faz, mas também admirável, pelos sacrifícios que faz pelo seu sonho.

“Marty Supreme” reflete a vulnerabilidade de te expores na busca por um sonho. Algo que torna a personagem profundamente humana e que só poderia vir da atuação de um ator que também se propõe a ser vulnerável e a humilhar-se. Assim, Timothée Chalamet desaparece completamente nesta personagem magnética, que sentimos ser uma pessoa real.

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Anos 80 durante os anos 50

Marty Supreme é uma das estreias da semana
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Algo que ficou comigo após sair da sala de cinema foi a incrível banda sonora deste filme. Primeiramente, porque, tal como todo o filme, é energética, é eletrizante e chega sempre nos momentos certos para nos causar uma emoção.

E, depois, porque o filme ambienta-se nos anos 50, mas a edição, a energia e a banda sonora remontam aos anos 80. Quem responde a esta dúvida é o próprio compositor, Daniel Lopatin. Em entrevista à Vulture, o compositor partilhou que “o Marty tem um objetivo para ele próprio que mais ninguém vê e, por isso, ele tem de criar esta imagem da pessoa em quem se quer tornar. E isso é representado pela música de uma época que ainda não aconteceu.

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Conclusão

“Marty Supreme” é um filme sobre obsessão, ambição e o custo pessoal de perseguir um sonho quando ninguém acredita nele. Com um ritmo acelerado, uma identidade visual e sonora marcante e uma interpretação intensa de Timothée Chalamet, o filme envolve-nos por completo na jornada de Marty.

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