Será esta a solução para salvarmos as Salas de Cinema?
A indústria cinematográfica atravessa uma das fases mais delicadas das últimas décadas. Em 2025, as salas de cinema registaram quebras significativas de público e de receitas, tanto em Portugal como na generalidade dos mercados internacionais.
Ainda assim, no epicentro da indústria norte-americana, a Penske Media Corporation inaugurou uma sala de cinema privada de última geração em Los Angeles, apostando numa experiência especial, premium e imersiva. No entanto é um investimento que suscita uma questão inevitável. Estará o futuro da exibição cinematográfica determinado a passar por modelos mais exclusivos, sofisticados e tecnologicamente avançados?
Portugal atinge mínimos de quase três décadas
Em Portugal, os números não fogem à regra geral e confirmam o cenário preocupante. De acordo com dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), 2025 fechou com 10,9 milhões de espectadores, o valor mais baixo desde 1996, excluindo o período pandémico. As receitas de bilheteira fixaram-se nos 70,5 milhões de euros, menos 3,9% do que em 2024.
Além disso, a quebra não se limitou ao público geral. O cinema português registou apenas 229 mil espectadores, representando uma quota de mercado de 2,1%. Em termos de receitas, o valor desceu para 1,7%. Apesar de terem estreado mais filmes, 406 no total, 54 dos quais produções nacionais, a oferta não conseguiu travar a descida da procura.
Quebras de dois dígitos e fecho de salas
O problema não se sabe não é exclusivo de Portugal. Em vários países europeus e nos Estados Unidos, os exibidores enfrentaram quebras de dois dígitos em 2025. A concorrência das plataformas de streaming, a alteração dos hábitos de consumo e o encurtamento das janelas de exibição continuam a pressionar o setor.
Em território nacional, a rede Cineplace foi uma das empresas mais afetadas, com quebras superiores a 30% após o encerramento de várias salas. Já a NOS Cinemas manteve a liderança de mercado, mas ainda assim registou descidas tanto em receitas como em número de espectadores.
Entretanto, multiplicam-se relatos de sessões com apenas dois ou três espectadores, uma realidade cada vez mais comum fora dos grandes centros urbanos e longe dos grandes blockbusters.
A experiência como resposta à crise

Sobre este contexto negativo, a aposta da Penske Media Corporation ganha um significado especial e uma maior relevância. A empresa, proprietária dum dos maiores grupos editoriais incluindo a revista Variety, inaugurou na sede em Los Angeles uma sala com 99 lugares equipada com tecnologia Dolby Atmos e Dolby Vision, incluindo um sistema de 43 colunas e projeção laser de última geração.
Mais do que uma simples sala de cinema, trata-se de um espaço concebido para estreias, eventos exclusivos e experiências imersivas dirigidas à indústria. Ou seja, um modelo que privilegia qualidade, diferenciação, em vez de volume massificado.
Se o público já não enche salas convencionais como antes, talvez esteja disposto a pagar por experiências superiores, tecnologicamente avançadas e sensorial e socialmente mais relevantes.
O futuro pode ser mais pequeno e mais premium
Assim sendo, a crise das salas de cinema pode não significar o fim da experiência coletiva, mas antes a sua transformação. Salas independentes em Portugal, como o Cinema Nimas, em Lisboa, ou o Cinema Trindade, no Porto, conseguiram ultrapassar os 90 mil espectadores em 2025, apostando numa programação curada e numa relação próxima com o público.
Por outro lado, os grandes complexos enfrentam dificuldades crescentes, com custos fixos elevados e menor taxa de ocupação média. O encerramento de salas a um ritmo inédito demonstra que o modelo tradicional está sob pressão estrutural.
A iniciativa da Penske Media pode pois funcionar como sinal de mudança, mostrando o caminho de uma nova tendência. Um gigante da indústria, sempre atento à evolução do mercado, dificilmente investiria milhões numa infraestrutura física sem uma visão estratégica de longo prazo.
O ano passado confirmou uma crise profunda na exibição cinematográfica global. No entanto, ao mesmo tempo que salas encerram e receitas caem, surgem sinais de reinvenção. Talvez o futuro do cinema, em Los Angeles ou noutra cidade qualquer, passe por espaços mais pequenos, tecnologicamente superiores e orientados para experiências diferenciadoras. Se assim for, o grande ecrã poderá não desaparecer. Poderá simplesmente transformar-se.


Creio que em Portugal o problema seja a curadoria dos filmes. Não vejo ninguém interessado em saber os hábitos de consumo das pessoas, a proporcionar experiências marcantes. A NOS só sabe vender pipocas e mudar de filmes todas as quintas-feiras. Já se deviam ter adaptado. Fazer e proporcionar festivais de cinema nas suas salas, trazer fimes que foram blockbusters em tempos e revisita-los com palestras ou debates sobre eles, coisas pensadas, visão estratégica. Exemplo: o Senhor dos Aneis em janeiro. Miserável o plano de ação duma trilogia de culto passar uma vez, com sessões esgotadas e pessoas a peirem para repetirem nas suas redes sociais. Fizeram alguma coisa? Nada, não ouvem ninguém e acham que sabem tudo sozinhos. Outro exemplo How to train your Dragon com orquestra na Gulbenkian. Esgotado. Não seria possível replicar. As pessoas gostam de experiências diferentes. Se é para estar numa sala onde as pessoas à voltam estão constantemente a falar e a mandar pipocas para o chão, mais vale ficar em casa. Fica-se melhor e em sossego! MAs os senhores da NOS nem ao cinema devem ir para ver o que se está a passar e ouvir aquilo que os espetadores realmente querem.