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Cineclubes Portugal | Marty Supreme em destaque em março

Com alguns dias de atraso, trazemos-te o nosso artigo mensal dedicado à programação dos cineclubes portugueses em março. Esta é, como sabes, a alternativa indispensável de muitos cinéfilos em cidades sem salas de cinema comercial.

Vários são os cineclubes nacionais que apostam em filmes nomeados aos Óscares. Assim, filmes como “Marty Supreme” (2025, Josh Safdie), “A Voz de Hind Rajab” (2025, Kaouther Ben Hania) ou “Valor Sentimental” (2025, Joachim Trier) fazem parte da programação de vários cineclubes. Contudo, a programação não se esgota, claro, nestes três exemplos. Procura, então, a tua cidade!

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O Cineclube de Viseu continua a dar destaque às mulheres

A Voz de Hind Rajab 2026
©Mime Films/ Film4

Depois de ter iniciado o ciclo “Mulheres ao Redor”, o Cineclube de Viseu, fundado em 1955, fecha o mesmo já no mês em que se comemora o Dia da Mulher (curiosamente, precisamente no dia em que lançamos este artigo). Como já sabes, as sessões deste cineclube decorrem às quintas-feiras às 21h no auditório do IPDJ em Viseu.

O mês abriu no dia 5 com “Jovens Mães” (2025, Jean-Pierre e Luc Dardenne), um olhar íntimo sobre a vida de mães adolescentes e jovens adultas.

Já no dia 12 vais poder ver “Kontinental ’25” (2025, Radu Jude). Um filme onde uma mulher fica com a consciência pesada, após a morte de um sem abrigo.

Segue-se “A Voz de Hind Rajab” na quinta-feira 19, uma história atual que reflete sobre a crise humanitária em Gaza.

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Por fim, no dia 26, já fora de ciclo, chega “Rosa de Areia” (1989, António Reis e Margarida Cordeiro), uma sugestão de uma sócia do Cineclube de Viseu. É, pois, uma obra ímpar do cinema português, cheia de simbolismos mágicos.

De referir que as sessões têm o custo de 5€ para o público geral, 3€ para sócios, estudantes do ensino superior, Amigos Teatro Viriato e Associados ACERT e 2€ para sócios estudantes, desempregados e maiores de 65. Até aos 18 anos, a entrada é gratuita.

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Em Santarém refletem-se crises e justiças

Sete Invernos em Teerão no Cineclube de Santarém
“Sete Invernos em Teerão” | © Zero em Comportamento

Mais no centro do país, o Cineclube de Santarém, fundado em 1956, tem uma programação que reflete sobre várias crises contemporâneas. De relembrar que as sessões decorrem às quartas-feiras às 21h30 no Teatro Sá da Bandeira. Contudo, este mês de março traz uma pequena alteração.

Assim, o Cineclube não teve sessão esta quarta-feira 4. No entanto, teve uma sessão matinal hoje mesmo, domingo 8, às 11h. Desta forma, foi exibido um filme a pensar nas crianças um pouco mais velhas: “A Minha Família Afegã” (2021, Michaela Pavlátová), um retrato sobre os refugiados e que faz parte do programa “Nem Rosas Nem Bombons” organizado pelo Município de Santarém.

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A programação prossegue, pois, com “As Estações” (2025, Maureen Fazendeiro), no dia 11, retrato documental do Alentejo.

Depois, no dia 18, podes ver “Sete Invernos em Teerão” (2023, Steffi Niederzoll) que documenta a encarceração e condenação à morte de uma mulher no Irão.

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Por fim, na quarta-feira 25 chega “Abril” (2025, Dea Kulumbegashvili) sobre uma mulher que realiza abortos clandestinos na Geórgia.

As sessões do Cineclube de Santarém têm o custo de 2,50€ para sócios e 5€ para não sócios. Já os jovens até aos 30 anos pagam 1€, enquanto os sócios até aos 30 anos têm entrada gratuita. No que diz respeito à sessão deste domingo 8, a entrada é totalmente gratuita.

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Em Faro há autoritarismos, História e contemporaneidade

Orwell: 2+2=5 no Cineclube de Faro
© Midas Filmes

Viajando até ao Sul, o Cineclube de Faro foi igualmente fundado em 1956 e traz também várias temáticas relevantes.

A programação começou no dia 5 com “Lavagante” (2025, Mário Barroso). Regressou hoje mesmo, domingo 8 às 16h30, com o filme nomeado ao Óscar de Melhor Filme da Animação: “Arco” (2025, Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux), uma história passado num futuro com viagens no tempo.

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Já na quinta-feira 12 às 21h30 podes ver “Orwell: 2+2=5” (2025, Raoul Peck), um documentário que cruza a obra de George Orwell com os totalitarismos do século XXI.

Na semana seguinte há duas sessões. Assim, na quinta-feira 19 às 21h30 também em Faro poderás ver “A Voz de Hind Rajab”. Depois, logo no dia seguinte, sexta-feira 20 às 21h há uma sessão especial com o “Filme Francês do Mês” numa parceria com a Alliance Française do Algarve: “Les algues vertes” (2023, Pierre Jolivet) onde uma repórter investiga misteriosas mortes provocadas por algas.

A fechar o mês, podes ver na quinta-feira 26 às 21h30 “A Mais Preciosa Mercadoria” (2024, Michel Hazanavicius), filme de animação cuja ação decorre na II Guerra Mundial.

À exceção da sessão de sexta-feira 20 que tem entrada gratuita, as restantes sessões têm entrada paga. Assim, os sócios com as quotas em dia têm entrada livre, o público em geral paga 4€ e os estudantes 3€. Além disso, a sessão especial decorre na Biblioteca Municipal de Faro, enquanto as restantes acontecem no auditório do IPDJ de Faro.

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Dos Óscares aos grandes autores no Cineclube de Guimarães

Hamnet
© NOS Audiovisuais

Regressando ao Norte, o Cineclube de Guimarães, fundado em 1958, traz-te 8 sessões em março. Três delas já aconteceram mas ainda tens mais cinco até ao final do mês.

Na semana passada, foram exibidos “Marty Supreme”, “As Estações” e “Kontinental ’25”.

Já este domingo 8 às 21h15 chega “Song Sung Blue” (2025, Craig Brewer) que valeu a nomeação ao Óscar de Melhor Atriz a Kate Hudson numa história que presta tributo a Neil Diamond.

Depois, no domingo 15 às 21h15 chega até Guimarães “Hamnet” (2025, Chloé Zhao), nomeado a 8 Óscares incluindo melhor filme. Uma longa-metragem sobre uma perda do casal William e Agnes Shakespeare.

As sessões prosseguem, pois, no domingo 22 às 21h15 com “Crime em Direto” (2025, Gus Van Sant) sobre um homem que toma um banqueiro como refém. A sessão é antecedida com a curta-metragem “Upon the Veil” (2025, Flávio Vasconcellos e Nuno de Carvalho Pacheco).

No último fim de semana de março, há sessão dupla. Assim, no sábado 28 às 17h, a sessão é para toda a família com “O Fantasma de Canterville” (2023, Robert Chandler e Kim Burdon) onde uma mansão é assombrada por um fantasma. Por fim, no domingo 29 às 21h15 poderás ver “Sem Alternativa” (2025, Park Chan-wook) onde um homem desempregado decide eliminar a concorrência na sua busca de um novo emprego.

Informações de bilheteira

A sessão de “O Fantasma de Canterville” acontece no pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor e tem entrada gratuita. As restantes sessões decorrem no grande auditório do CCVF e têm entrada gratuita apenas para sócios do Cineclube de Guimarães, mediante o pagamento de uma quota mensal de 3,50€.

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Na Póvoa de Varzim, cinema europeu e… Óscares

Valor Sentimental é destaque em vários cineclubes portugueses em fevereiro
© Alambique

No mês dos Óscares, também o Cineclube Octopus, fundado em 1983, traz filmes nomeados. Todas as sessões acontecem à quinta-feira às 21h45 no Cine-Teatro Garrett.

Uma das sessões já decorreu na semana passada com “Pai Mãe Irmã Irmão” (2025, Jim Jarmusch). No entanto, tens mais três sessões agendadas para veres.

Assim, quinta-feira 12 há cinema português com “Justa” (2025, Teresa Villaverde) que reflete sobre a problemática dos incêndios.

Na semana seguinte, dia 19, chega “Valor Sentimental” (2025, Joachim Trier). Nomeado a 9 Óscares incluindo Melhor Filme é a história de uma difícil relação entre um pai e as suas duas filhas.

Por fim, no dia 26 também na Póvoa de Varzim poderás ver “Marty Supreme”. Igualmente nomeado a 9 Óscares incluindo Melhor Filme, retrata a história de um jovem tenista.

A saber: as sessões do Cineclube Octopus são de entrada gratuita para sócios (com quota de 45€ anuais). Para os não sócios, a entrada tem um custo de 4€. Há ainda descontos para menores de 20 anos: um grupo de 2 pessoas fica a 2€/pessoa e um grupo de 4 ou mais pessoas fica a 1€/cada.

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No Cineclube de Joane, família e realidades contemporâneas

Pai Mãe Irmã Irmão no Cineclube de Joane
© Yorick Le Saux

No Cineclube de Joane, fundado em 1998, são 4 as sessões marcadas para o mês de março e decorrem no pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão às quintas-feiras às 21h45.

Desta forma, a primeira sessão já aconteceu na semana passada com o filme “Nouvelle Vague” (2025, Richard Linklater).

Já no dia 12 também neste cineclube poderás igualmente assistir a “Justa”.

Segue-se no dia 19 o filme “Pai Mãe Irmã Irmão”, com três histórias sobre relações entre pais e filhos.

Por fim, no dia 26 poderás ver “Juventude – Primavera” (2025, Wang Bing), um retrato de jovens trabalhadores na manufatura têxtil.

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Em Abrantes, cinema do mundo

Olhar o Sol
© Films4You

O Espalhafitas – Cineclube de Abrantes, fundado em 2002, apresenta um mês de março bastante diversificado com quatro sessões. Como habitual, acontecem sempre às quartas-feiras às 21h30 no Centro Cultural Gil Vicente no Sardoal.

Assim, no dia 4 já foi exibido “Na Terra dos Nossos Irmãos” (2024, Alireza Ghasemi, Raha Amirfazli). No entanto, há mais três sessões para veres.

Já no dia 11 chega “Olhar o Sol” (2025, Mascha Schilinski), um retrato de uma família alemã ao longo de várias gerações.

Depois, no dia 18, também em Abrantes poderás assistir ao filme “Sem Alternativa”.

Finalmente, no dia 25, o mês encerra com “Um Poeta” (2025, Simón Mesa Soto) sobre um encontro inesperado entre um poeta solitário e uma jovem adolescente de talento.

Nas Caldas da Rainha, cinema em língua portuguesa

© O Som e a Fúria

O Cineclube das Caldas da Rainha é um dos mais recentes. Surgiu em 2022 por iniciativa de alunos da Escola Superior Artes e Design das Caldas da Rainha. É um cineclube sobretudo focado em mostrar obras de jovens autores e muitas vezes em formato curta-metragem e com grande destaque no cinema português. Em março, são 3 as sessões que este cineclube propõe.

A programação começa, portanto, na terça-feira 10 com “Curacura: Moçambique” (2025, Miguel Cartaxana e Mar Nogueira), um documentário sobre histórias individuais e coletivas em Maputo.

Na quarta-feira 18 segue-se “Dildotécnica” (2023, Paula Tomás Marques), uma curta-metragem entre o amor e a cerâmica.

Por fim, na sexta-feira 27 poderás ver “Hanami” (2024, Denise Fernandes) onde uma menina criada pela avó em Cabo Verde sonha com o regresso da sua mãe.

A primeira sessão decorre às 19h no Clube Social do Bairro e tem entrada gratuita. Ainda não foram divulgadas as informações das outras duas sessões.

Em Vila Franca de Xira há cinema feminino e na Palestina

Palestina 36 Films4You
©Films4You

Por fim, o Cineclube Vilafranquense, fundado em 2023, é o mais jovem desta lista e tem quatro sessões em março, dedicadas às mulheres realizadores e à Palestina.

Assim, na sexta-feira 13 às 21h poderás ver “Farha” (2021, Darin J. Sallam), inspirado numa história real, tem no centro da narrativa uma rapariga palestina de 14 anos que fica sem casa.

No domingo 22 às 16h há uma sessão de curtas-metragens com “Free Fish” (2025, Bisan Owda) e “Fragmented” (2025, Balolas Carvalho e Tanya Marar). São dois filmes sobre a situação atual em Gaza com coprodução portuguesa. A sessão vai contar com a presença da produtora e ativista Carolina Pereira da primeira curta e Balolas Carvalho da segunda.

Por fim, no sábado 28, há sessão dupla, às 15h e 18h com o filme “Palestina 36” (2025, Annemarie Jacir) sobre a revolta das aldeias palestinas sobre o domínio britânico.

As sessões decorrem no auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira e custam 2,5€ para sócios e 5€ para não sócios.


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