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A Netflix tem um novo fenómeno, e não é pelos melhores motivos. “The New Stanford Prison Experiment” estreou a 21 de outubro e já está no Top da plataforma em Portugal, no 9.º lugar. A minissérie leva 30 voluntários para uma prisão real durante duas semanas, numa nova versão de uma das experiências mais polémicas da psicologia.

Desde o anúncio, a série gerou críticas e debate sobre a ética de repetir uma experiência que ficou conhecida pelos abusos.

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O que é “The New Stanford Prison Experiment”?

“The New Stanford Prison Experiment” é uma minissérie documental de 6 episódios, com cerca de 45 minutos cada, inspirada na experiência feita em 1971 pelo psicólogo Philip Zimbardo, na Universidade de Stanford.

Nessa experiência, Zimbardo dividiu 24 estudantes em guardas e prisioneiros numa prisão simulada. O estudo previa uma duração de duas semanas, mas a equipa interrompeu-o ao fim de seis dias, devido aos abusos e ao sofrimento psicológico dos participantes.

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Na versão da Netflix, 30 voluntários entram numa zona desativada do Cherokee County Adult Detention Center, uma prisão real na Geórgia, nos Estados Unidos. A produção colocou 8 participantes como guardas, divididos em turnos de dia e de noite, e os outros 22 como prisioneiros. Além disso, os produtores reuniram um grupo misto com diferentes origens, ideias políticas e rendimentos.

A série pergunta se as pessoas comuns se limitam a cumprir o papel que lhes é atribuído num sistema de poder, hierarquia e controlo, ou se a empatia e a moral conseguem resistir. Por isso, a pergunta central é: “o poder corrompe?”.

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Entretanto, a produção garante que aplica mais proteções do que a experiência original. Os participantes usam uma palavra de segurança para sair a qualquer momento, e a Netflix indica que seis pessoas abandonaram o projeto durante as filmagens. Além disso, a experiência conta com o acompanhamento de um painel que inclui uma psicóloga comportamental.

Quem faz parte da nova minissérie da Netflix?

A pesquisadora Alison Wood Brooks, o jornalista Trymaine Lee e o profissional prisional Michael Cantrell integram um painel que comenta o que se passa.

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A série é produzida pela Alfred Street Industries, de Jane Lipsitz e Dan Cutforth, que também estão por trás de “Top Chef” e “Project Runway”.

O que diz a crítica sobre “The New Stanford Prison Experiment”?

A série tem 40% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, e 40 de média também no Metacritic.

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Assim, o The New York Times considera que a série evita a barbárie, mas “falha como televisão e não convence como experiência”. Por sua vez, a Slate é ainda mais dura e defende que nada nesta versão televisiva é revelador ou cru, pois “é tudo apenas verniz”.

Além disso, o The Guardian critica a série por recorrer a “truques de reality TV” para criar discórdia, e considera que os participantes se comportam como autores de um espetáculo, e não como cobaias. Por outro lado, o The Independent admite que a série não é científica, mas lembra que as mudanças de papéis e de hierarquias servem para alcançar “televisão inegavelmente divertida”.

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Ainda assim, a crítica concorda num ponto: o formato de reality TV e a interferência dos produtores tiram credibilidade à experiência. O Los Angeles Times, por exemplo, considera que a série não apresenta nenhuma grande teoria sobre o comportamento humano e apenas mostra que cada pessoa é diferente.

O que diz o público sobre “The New Stanford Prison Experiment”?

Até ao momento, “The New Stanford Prison Experiment” tem 4,9 em 10 no IMDb, com base em 165 votos.

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Antes da estreia, a reação do público nas redes sociais já era crítica e centrava-se na ética. Por exemplo, um utilizador do X escreveu que a ideia era aprender com o falhanço da primeira vez, e não repeti-lo. Outro comentou que só mesmo a Netflix para transformar uma das experiências mais antiéticas de sempre em reality TV.

Agora que os 6 episódios estão disponíveis, todos repetem a mesma queixa: a série parece encenada. Por exemplo, um utilizador onsidera que é “demasiado falsa”, critica a troca de papéis entre guardas e prisioneiros a meio da experiência e lamenta que não tenha havido uma única luta. Além disso, sugere que a experiência devia ter sido feita numa prisão moderna e com reclusos reais.

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Por sua vez, outro utilizador diz que estava entusiasmado, mas que esperava alguma realidade e encontrou um programa com guião, e recomenda ver “Big Brother” em vez desta série. Um terceiro, com  escreve que a série “é uma anedota”, que desistiu dez minutos depois do início do quarto episódio e que os participantes não respeitam as regras, porque sabem que podem sair quando quiserem.


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