Óscares 2026: Wagner Moura faz história com nomeação de O Agente Secreto
Ontem, dia 22 de janeiro, a Academia americana de cinema anunciou as nomeações para a 98ª cerimónia dos Óscares. Entre muitas surpresas e injustiçados, o filme “O Agente Secreto” saiu-se muito bem, contabilizando um total de 4 nomeações. Números que igualam o recorde do Brasil na cerimónia, anteriormente conquistados pelo filme “Cidade de Deus”, que em 2003 contabilizou o mesmo número de nomeações.
Novamente o Brasil a fazer história

Entre as 4 nomeações, está o reconhecimento para Wagner Moura, na categoria de Melhor Ator. Esta nomeação é absolutamente histórica, tendo em conta o registo dos brasileiros na cerimónia. Wagner Moura fez história ao tornar-se o primeiro ator brasileiro nomeado para o Óscar de Melhor Ator. Pois embora duas atrizes brasileiras (Fernanda Torres e Fernanda Montenegro) já tenham sido nomeadas ao prémio de Melhor Atriz. Esta é a primeira vez que o Brasil vê um ator brasileiro conquistar uma nomeação para a categoria masculina de atuação.
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O cinema brasileiro tem estado numa crescente que é visível a todos. Pois no ano passado conseguiu pela primeira vez o prémio de Melhor Filme Estrangeiro, com “Ainda Estou Aqui” de Walter Salles. E ainda Fernanda Torres conquistou uma nomeação ao Óscar de Melhor Atriz pelo mesmo filme e venceu o Golden Globe na mesma categoria.
Sucesso de “O Agente Secreto” pré-Óscares

É em maio deste ano que “O Agente Secreto” estreia no Festival de Cannes. Lá, o filme foi um absoluto sucesso, abandonando o festival como o filme mais premiado. Assim a obra arrecadou dois dos principais prémios do festival: Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Realizador para Kléber Mendonça Filho.
Wagner Moura conseguiu esta proeza sendo o único ator não americano entre os nomeados na mesma categoria. Juntamente com os atores Ethan Hawke, Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan.
Uma Academia para sempre americanizada

Estas conquistas para o filme brasileiro vêm num ano em que a Academia foi bastante criticada por deixar de lado alguns filmes não americanos, de modo a privilegiar os filmes falados em inglês.”No Other Choice” de Park Chan-Wook e “Foi só um Acidente” de Jafar Panahi, são os filmes mais injustiçados. Pois perderam o seu lugar em Melhor Filme ou Melhor Realização para filmes americanos que não foram tão aclamados, como “F1” ou “Train Dreams”. Dessa forma confirmando que a Academia ainda tem que percorrer um longo caminho até deixar de beneficiar um certo tipo de cinema americano em benefício de melhores e mais arrojados filmes que vêm de outros países.
Porém, mesmo com este lado mais conservador e protecionista da Academia americana, o filme brasileiro “O Agente Secreto” conseguiu chegar a um número de nomeações surpreendente, e isso é de louvar. Incluindo na nova categoria dos Óscares, Melhor Casting, recompensando o filme pelo seu elenco inesperado, mas certamente talentoso.

