OpenIA (ChatGPT) lançou nova ferramenta dedicada à saúde
A OpenAI lançou esta semana uma nova vertente do seu popular chatbot dedicada exclusivamente à saúde. O anúncio surge acompanhado por números muito expressivos. Ou seja, mais de 40 milhões de pessoas utilizam diariamente o ChatGPT para questões relacionadas com saúde, um valor que ultrapassa os 230 milhões de utilizadores semanais.
Adeus Doctor Google?

Durante anos, o “doutor Google” foi a primeira opção para quem sentia sintomas inexplicáveis. No entanto, a linguagem técnica e a informação dispersa tornavam muitas pesquisas pouco úteis para o cidadão comum. Os chatbots vieram alterar esse paradigma, oferecendo respostas imediatas, simplificadas e estruturadas, muitas vezes apresentadas em listas claras e acessíveis.
Neste contexto, o ChatGPT Health surge como resposta direta a uma necessidade. Ou seja, compreender melhor sintomas, exames e procedimentos médicos sem recorrer, de imediato, a linguagem especializada. Ainda assim, a facilidade de acesso levanta novas questões sobre confiança, ansiedade e literacia em saúde.
O que é exatamente o ChatGPT Health?
Segundo a OpenAI, o ChatGPT Health funciona como um espaço autónomo dentro da plataforma, dedicado exclusivamente a informação de saúde. Os utilizadores podem ligar registos médicos, resultados de exames e dados de aplicações de bem-estar como Apple Health ou MyFitnessPal, permitindo respostas mais personalizadas e contextualizadas.
A empresa garante que toda a informação de saúde fica separada das restantes conversas, podendo ser consultada ou eliminada a qualquer momento. Além disso, os dados não regressam às interações gerais do ChatGPT, uma tentativa de responder às preocupações crescentes com privacidade e segurança.
É capaz de substituir os médicos?
A OpenAI sublinha que o ChatGPT Health não faz diagnósticos nem prescreve tratamentos. A ferramenta foi concebida para apoiar os utilizadores, ajudando-os a preparar consultas, interpretar exames ou compreender opções de seguros de saúde. Durante o desenvolvimento, a empresa trabalhou com mais de 260 médicos, em 60 países e dezenas de especialidades, que forneceram centenas de milhares de comentários para afinar os modelos. Ainda assim, a OpenAI reconhece que a tecnologia não substitui o julgamento clínico nem a relação médico-doente.
Apesar das promessas, o uso de IA em contextos de saúde continua a ser uma experiência ambivalente. Por um lado, estas ferramentas podem ser valiosas em momentos de incerteza, ajudando a formular perguntas relevantes e a reduzir o sentimento de desorientação. Por outro, a acumulação de hipóteses clínicas, muitas vezes graves, pode aumentar significativamente os níveis de ansiedade, sobretudo em situações emocionalmente frágeis. Além disso, as respostas tendem a ser genéricas quando as perguntas são vagas ou incompletas.
Já está disponível em Portugal?

Para já, o acesso ao ChatGPT Health é limitado. A funcionalidade encontra-se disponível apenas para um grupo restrito de utilizadores e não está acessível no Espaço Económico Europeu, incluindo Portugal, devido à legislação mais exigente em matéria de dados de saúde. As integrações com registos médicos também estão, numa fase inicial, limitadas aos Estados Unidos. A OpenAI garante que planeia expandir o serviço gradualmente, à medida que adapta a ferramenta aos diferentes enquadramentos legais.
Não há dúvidas de que a saúde será cada vez mais digital. Ferramentas como o ChatGPT Health podem melhorar a literacia em saúde, facilitar o diálogo com profissionais e ajudar os sistemas de saúde a lidar com populações mais informadas.
Quem controla, valida e interpreta esta informação? A tecnologia pode ser uma aliada poderosa, mas não substitui o olhar clínico, a experiência e a ética de quem cuida.

