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Sony a7V é o salto tecnológico que queremos?

Chegou a Sony a7V, totalmente pensada para criadores de conteúdos

Com um novo sensor full-frame e processamento topo de gama, esta iteração promete corrigir as falhas do modelo anterior (a Sony a7 IV) e elevar a fasquia num dos segmentos mais competitivos do mercado. Após testes detalhados, aqui está tudo o que precisa de saber sobre este peso-pesado nipónico. É realmente o que se esperava?

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Novo sensor que faz a diferença

O grande trunfo desta câmara reside no seu novo sensor CMOS “parcialmente empilhado” (partially stacked) de 33 megapíxeis. Esta arquitetura permite uma velocidade de leitura drasticamente superior à da geração passada. Este é, aliás, um dos maiores saltos por comparação com a anterior, principalmente pelos resultados que oferece, mas vamos por partes. Primeiro, temos o disparo contínuo, que merece o nosso destaque desde já, porque a máquina passou de uns modestos 10 para uns estonteantes 30 disparos por segundo (fps) sem escurecimento do ecrã (blackout-free). Melhor ainda, consegue fazê-lo utilizando uma leitura completa de 14-bits, dispensando a compressão destrutiva de ficheiros RAW que a marca utilizava no passado. Portanto, é perfomance em todo o lado: ecrã, disparos, tratamento de imagem e armazenamento. Muito bom!

A seguir, olhemos para a estabilização e obturador. O obturador eletrónico atinge agora velocidades de 1/16000 de segundo, e o sistema de estabilização interna da imagem (IBIS) foi reforçado, compensando até 7,5 paragens (EV) no centro da imagem, o que torna esta máquina num monstro para este preço. Em termos de detalhe puro, os 33 megapíxeis garantem uma vantagem clara face às concorrentes diretas de 24MP. A Sony fez também ligeiras afinações na ciência de cor, resultando em ficheiros JPEG mais agradáveis e naturais logo à saída da câmara. Isto agradou-me imenso, porque prefiro cores naturais do que demasiado fortes e bonitas. E aqui, a Sony a7V está bem melhor do que no ano passado.

Mas, a verdadeira inovação na imagem é o aumento da gama dinâmica em ISOs baixos. A Sony a7V consegue combinar as duas vias de leitura do seu sensor (o ganho de conversão duplo), resultando num ficheiro com a mesma retenção de detalhes em áreas muito iluminadas, mas com muito menos ruído nas sombras profundas. Sinceramente, é uma melhoria que não esperava que fosse tão significativa. Na prática, terá muito mais margem de manobra para clarear as zonas escuras na edição (desde que utilize o obturador mecânico ou de primeira cortina eletrónica). Faz a diferença? Sim, principalmente se quisermos estar uns minutos a melhorar os resultados finais sem estarmos algemados com o que temos a sair da máquina.

 

Vídeo e Imagem, com ajuda de AI

A máquina abandona o coprocessador de IA dedicado e junta todas as tarefas no novo processador principal, o Bionz XR2. Isto resulta numa eficiência tremenda, o que demonstra que a arquitetura anterior não estava bem feita, apesar de na teoria fazer sentido. Agora não, temos algo que claramente foi bem pensado, testado e executado. Comecemos por dizer o seguinte: a câmara recalcula a focagem 60 vezes por segundo.  Muito bom para este preço! O reconhecimento de sujeitos abrange agora seis categorias diferentes (humanos, animais, veículos, etc…). O seguimento de humanos foi altamente treinado para reconhecer pessoas em diversas posições, conseguindo prender o foco no rosto ou nos olhos mesmo quando o sujeito é parcialmente obstruído por elementos do cenário. É aqui que a AI deve ajudar, muito mais do que na melhoria automatica de imagens. A AI tem de ser usada para nos servir, para nos ajudar, não para manipular numa camera deste nível, e a Sony percebeu isso.

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Então e no vídeo, o que faz a AI? Introduz ferramentas como o Auto Framing e o Framing Stabilizer, onde a câmara recorta a imagem original e segue o motivo em movimento digitalmente, simulando o trabalho de um operador de câmara humano de forma fluida. Uma vez mais, o foco está em ajudar, não em recriar, e gostei desta abordagem, porque me poupa muito tempo. A Sony a7V capta vídeo 4K até 60 fps, usando toda a largura do sensor (redimensionado a partir de uma captação interna de 7K). Também permite 4K a 120 fps, embora com um corte na imagem de 1,5x (tamanho APS-C). Estão presentes os cobiçados perfis de cor S-Log3, S-Cinetone e gravação HLG, bem como a possibilidade de importar as suas próprias LUTs (filtros de cor) para pré-visualizar o aspeto final. Uma vez mais, não é algo que todos os utilizadores irão experimentar, mas nota-se que a Sony quer uma camera que sirva a todos. E foi isso que fui percebendo aos poucos, a Sony a7V não é só uma camera para criadores de conteúdos, é também para os entusiastas que querem algo realmente bom, que saiba fazer tudo bem.

Mas, claro, nem tudo pode ser perfeito, e a Sony a7V perde para a concorrência em alguns pontos. Apesar de ser formidável, a Sony optou por não incluir funcionalidades de vídeo estritamente profissionais. Ficam a faltar a gravação RAW interna, a proporção DCI 4K, o formato open-gate (usar todo o sensor sem formato 16:9), e monitores de exposição avançados como o waveform, ferramentas que modelos como a Panasonic S1 II ou a Canon EOS R6 III já oferecem. Faz falta? Aqui depende do utilizador que fores, e do grau de profissionalismo ou de edição a que queres chegar depois. A verdade é que esta Sony é boa em tudo, mas, como em todos os produtos, alguns detalhes podem levar-te a pensar noutras opções, mesmo que mais caras.

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Fácil de usar?

No campo do manuseamento, a Sony introduziu adições excelentes, mas mantém alguns hábitos antigos, que agradará a alguns, mas não a todos. Comecemos pelo Pré-Disparo (Pre-burst), uma função fantástica que guarda até um segundo de fotografias antes de pressionar o botão de disparo a fundo, garantindo que nunca perde o momento exato da ação. Adoro isto!

Depois, temos duas Portas USB-C, o que é, acho eu, uma abordagem curiosa e útil. A porta superior é dedicada à transferência rápida de dados (10Gbps), enquanto a inferior serve exclusivamente para carregamento de energia (USB-PD). Pelo menos, a mim, isto veio resolver um problema que tive com outras cameras. Outro aspeto muito importante para o dia a dia é a autonomia.Esta “menina” utiliza a fiável bateria NP-FZ100, atingindo umas impressionantes 750 fotos por carga em testes de laboratório (um valor que, no uso real diário, facilmente aumenta).

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No entanto, num toque muito pessoal, existem pontos fracos. A ergonomia física não é perfeita na distribuição de peso e do local de pega. O punho pode sentir-se desconfortável após muito tempo de uso e a interface do utilizador parece-me demasiado complexa, porque sofre do facto de dar para fazer muita coisa. Os menus da Sony, apesar de já terem abas laterais, continuam sobrelotados. Para ativar funções novas, como o pre-burst ou fotos em HLG, é necessário conjugar várias opções espalhadas pelo sistema e perdemos tempo. Preferia ter atalhos ou uma organização diferente. Uma personalização inicial dos botões é absolutamente obrigatória, e ao longo do tempo, provavelmente irão mudar, porque percebem que ainda podem melhorar. é um problema,? Bem, ao fim de algum tempo, deixa de ser, mas é um ponto a melhorar.

 

Vale a pena, ou não?

A Sony a7V posiciona-se como, possivelmente, a melhor câmara “faz-tudo” que a marca já produziu fora do seu circuito profissional. E isto é um grande elogio. A sua capacidade de combinar um alcance dinâmico de luxo, foco automático brutal, velocidades muito elevadas de disparo e excelente vídeo 4K, faz dela uma ferramenta incrivelmente capaz. Embora possa frustrar utilizadores com a sua complexidade de menus ou algumas faltas na vertente cinematográfica, a vasta disponibilidade do ecossistema de lentes E-mount torna-a numa recomendação sólida para quem procura atualizar o equipamento ou dar o salto para o topo de gama. Provavelmente, no fim deste ano, estará no top 2026, e estando agora em março, quer dizer muito.

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