Wings of Ink (c/ Audiobook), em análise
Publicado em 2024, “Wings of Ink” de Angelina J. Steffort é um livro de fantasia que me chamou a atenção pela premissa, e pelo facto do audiobook contar com narração de Henry W. Kramer (o Tamlin de “ACOTAR”). No Goodreads possui uma nota de 3.97 e a capa está fenomenal, por isso, o que pode dar errado?
Angelina J. Steffort é uma autora austríaca conhecida pelas séries “Wings of Ink” e “Shattered Kingdom”. Com um currículo que inclui engenharia, empreendedorismo, música e atuação, ela assinou mais de 20 livros nos géneros Young Adult e Adult Fantasy. Ou seja, muitos e muitos mundos para explorar.
Esta crítica (com spoilers leves), foca-se no primeiro livro de “Wings of Ink”, consumido no formato de Audiobook através da Audible. Infelizmente, a obra de Angelina J. Steffort não se encontra à venda nas livrarias portuguesas habituais. O Kindle encontra-se na Amazon Es, e a edição física pode ser adquirida na Amazon Uk.
“Wings of Ink” explora o tema Enemies to Lovers
Wolayna Milevishja tinha a vida perfeita: uma família com a qual navegava os oceanos, e um amor profundo pelo Capitão Ludelle. Contudo, quando o grupo é capturado e executado, Ayna vê-se no meio de um pesadelo que parece nunca terminar.
Depois de nove meses na prisão, a protagonista de “Wings of Ink” é enviada para se tornar a próxima noiva do Crow King – o soberano de uma região Fae que todos os anos casa e viúva. No entanto, Wolayna (Ayna) apercebe-se de que nem tudo é o que parece, e a sua nova “família” pode precisar mais da sua ajuda do que ela imagina.
A narrativa aposta num slow burn. Ayna recusa Myron, forçada a casar sabendo da sua morte iminente e ainda recupera do luto por Ludelle. Myron já passou por 99 noivas, e trata inicialmente Ayna com uma indiferença compreensível. Contudo, a química entre os dois e as circunstâncias em que se envolvem fazem com que se aproximem aos poucos.
Qual o nível de Spice de “Wings of Ink”?
“Wings of Ink” de Angelina J. Steffort não possui muito spice – nada que se compare a “ACOTAR“, por exemplo. Myron e Ayna têm momentos mais sensuais, mas existe apenas uma cena íntima curta. Deste modo, a narrativa foca-se na maldição do Crow King e nos conflitos internos, evitando forçar muito a relação entre os dois. Assim, daria um nível 2/5.
Ayna terá de desvendar um segredo “mortal”
A premissa base é bastante curiosa. Ayna quer respostas, e tanto Myron quanto Royad (o melhor amigo de Myron), querem dá-las, mas não conseguem. A informação mais importante que Ayna recebe é simples: ela tem de descobrir como quebrar a maldição sozinha. Quem lhe der pistas, sofre consequências. Se alguém disser a Ayna a verdade, sacrificando-se em nome do reino, ela perde a vida.
Angelina J. Steffort permite-nos assim descobrir os segredos do reino de Myron aos poucos. Mas Ayna tem outro problema. Além da sua vida estar em perigo iminente, e do mistério à sua volta ser cada vez mais complexo, a protagonista de “Wings of Ink” tem ainda de lidar com conflitos políticos. Afinal, o palácio está sob ataque e o futuro não parece promissor.
É aqui que surge o meu pet peeve. Angelina J. Steffort demora muito tempo em determinadas partes da história, arrastando-as e repetindo sentimentos ou ideias que Ayna já descreveu. Quase como se a autora receasse que o leitor se tivesse esquecido da informação acabada de ler. De igual modo, certas decisões da protagonista não fazem muito sentido.
Na realidade… Estamos do lado do vilão da história
O que é engraçado em “Wings of Ink” é o facto de, na realidade, estarmos do lado do vilão (relativamente). O comum é o autor deixar o leitor do lado do reino injustiçado, do povo vítima de um ataque brutal e um inimigo terrível. Mas na história de Angelina J. Steffort, as coisas são um pouco diferentes.
Apesar de Myron ser um rei justo e um “herói” no sentido tradicional, o seu povo invadiu terras e levou a cabo um genocídio que quase exterminou o reino que lá vivia em paz. Povo esse que agora o tenta matar. Deste modo, como leitores ficamos num impasse moral: os inimigos estão a atacar as nossas personagem, não por serem vilões, mas por quererem as suas terras de volta e os invasores expulsos.
O Audiobook de “Wings of Ink”
Se és fã de “A Court of Thorns and Roses”, então vais ter uma surpresa positiva. O audiobook de “Wings of Ink” conta com narração de Amanda Leigh Cobb e Henry W. Kramer (Tamlin de “ACOTAR“). Contudo, senti-me um pouco enganada.
Na capa do livro de Angelina J. Steffort, o nome de ambos aparece lado a lado, apesar de 42 dos 43 capítulos serem narrados por Amanda Leigh Cobb. É ela que narra tanto às personagens femininas como masculinas, enquanto Henry W. Kramer aparece em apenas um capítulo de 25 minutos.
Apesar de não ser a primeira vez que encontro este tipo de escolha, por norma o POV da personagem masculina aparece mais vezes ao longo da história. Aqui, a voz de Henry W. Kramer é quase inexistente.
Dito isto, o trabalho de ambos é agradável. Amanda Leigh Cobb consegue transmitir o desespero de Ayna, a solidão de perder Ludelle, e o conflito interno dos seus sentimentos por Myron. Já Henry W. Kramer dá-nos a desilusão do seu final, com uma voz digna de um rei Fae.
Wings of Ink, a crítica
Wings of Ink
- De um modo geral, “Wings of Ink” é uma leitura interessante. De longe um “ACOTAR”, mas cativante o suficiente para recomendar para uma leitura (ou audição) de verão.
Overall
6.5/10User Review
( votes)Pros
- Uma premissa interessante onde a protagonista tem de desvendar um mistério mas ninguém lhe consegue realmente dar uma resposta;
- Um enemy to lovers agradável, nada de genial mas interessante de ler;
- Curioso estarmos quase do lado do vilão.
Cons
- Repetição desnecessária de algumas ideias e descrições;
- Certas decisões da protagonista deixam a desejar.

