Carolina Godayol

20 anos de Canal História | Entrevista exclusiva a Carolina Godayol

Falámos com Carolina Godayol, diretora do The History Channel Iberia sobre os 20º aniversário do Canal História. 

No âmbito das celebrações do 20º aniversário do Canal História em Portugal realizámos uma entrevista nada mais, nada menos do que bastante histórica. A equipa da Magazine.HD falou com Carolina Godayol, diretora geral do The History Channel Iberia, que nos revelou a sua visão sobre 20 anos do canal, que transformaram a própria televisão portuguesa.

Carolina Godayol falou sobre o peso do Canal História junto dos espectadores portugueses e a sua importância em lhes dar a conhecer os acontecimentos mais marcantes da História. Mesmo com um propósito inicial e quase obrigatório de instruir, ensinar e informar os seus espectadores, o Canal História passou ao longo dos anos a ser também uma forma de entretenimento.

Entrevista Carolina Godayol
20º anos de Canal História

No entanto, ao contrário de outros canais, os programas do História e os conteúdos mais originais acabam por sair dos padrões sensacionalistas e assentam essencialmente em factos. Foi por isso que nos juntámos a Carolina Godayol para falar desta experiência.

Nascida na Venezuela em 1968, Carolina Godayol está responsável pelo The History Channel Iberia, a companhia que cria, produz e distribui os canais de televisão HISTÓRIA, BLAZE e CRIME + INVESTIGATION. Carolina Godayol é a responsável pelo desempenho de esses canais em Espanha, Portugal e ainda nos países africanos de língua oficial portuguesa.

Antes de assumir o posto de diretora geral do The History Channel Iberia, Carolina Godayol foi também diretora geral da NBC Universal Iberia e diretora geral do Showtime Networks. Ao longo da sua longa carreira em Espanha ocupo ainda outros cargos na área da programação, desenvolvimento de negócio e marketing, sempre com o âmbito na televisão.

Vamos lá conhecer a Carolina Godayol e aquilo que tem a dizer sobre o futuro da televisão, sobre esta #HistoriadoFuturo que se pretende construir nos próximos anos.

MHD: Em primeiro lugar, poderia contar-nos qual o balanço que o canal HISTÓRIA faz dos seus 20 anos de existência em Portugal?

CG: Se pensarmos em tudo o que temos conseguido nestes 20 anos, os números são impressionantes. Ao longo dos últimos 20 anos, o Canal HISTÓRIA teve mais de 10,5 milhões espectadores que desfrutaram das mais de 1 861 séries que estreamos durante este período. O volume de horas emitidas também é surpreendente, foram mais de 172 700 horas nestes 20 anos em que a aposta na produção própria fez parte do ADN do HISTÓRIA.

Entrevista Carolina Godayol
20º anos de Canal História

Não é em vão, que durante estas duas décadas, produzimos mais de 150 horas, de produção própria distribuídas em 100 títulos, dos quais 20% são séries. Tudo isto adaptado ao gosto do público português, pensando nos seus hábitos de consumo, para lhes levar noite após noite o melhor conteúdo produzido nacional e internacionalmente ligados à História. É importante também referir o apoio e colaboração das operadoras que transmitem o canal, durante estas duas décadas, porque sem eles nada disto teria sido possível.

Se pensarmos em tudo o que temos conseguido nestes 20 anos, os números são impressionantes. Ao longo dos últimos 20 anos, o Canal HISTÓRIA teve mais de 10,5 milhões espectadores que desfrutaram de mais de 1 861 séries.

MHD: Como são celebrados os 20 anos do canal HISTÓRIA? Que programação especial foi preparada para os espectadores portugueses?

CG: Iremos emitir uma programação especial e exclusiva no Canal História focada em 20 momentos da História que marcaram o futuro da humanidade desde Pré-História até à atualidade, para poder atuar no presente e melhorar o futuro. A programação especial arranca no dia 20 de março, às 22h15 com a estreia de “O Último Neanderthal”, uma superprodução sobre esses primatas que, apesar das condições duras e adversas do planeta, se conseguiram adaptar e dominar o reino animal.

“A II Guerra Mundial Desconhecida”, “Leonardo e o retrato perdido”, “Pasteur e Koch, a corrida contra os micróbios”, “Matar uma Rainha”, “A História de Gulag”, entre outros títulos juntam-se ainda à programação especial dos 20 anos do Canal História.

Entrevista Carolina Godayol
O Último Neanderthal

Temos também 20 produções originais, das quais participaram 20 personalidades portuguesas de diferentes áreas e projeção internacional, como a Especialista Educação Financeira – MoneyLab, Bárbara Barroso, a Investigadora Instituto de Medicina Molecular, Diana Prata, o Médico e Presidente AMI, Fernando Nobre, o Presidente Cruz Vermelha Portuguesa, Francisco George, o Presidente Fundação para a Ciência e Tecnologia, Paulo Ferrão ou o Presidente Grupo Nabeiro – Delta Cafés, Rui Nabeiro, entre outros.

Assente no tema #HistóriaDoFuturo, cada participante comentará quais os avanços que têm sido fundamentais na evolução de sua área de conhecimento e que medidas devem ser tomadas no presente para tornar o mundo um lugar melhor. Além disso, os testemunhos serão guardados numa cápsula do tempo, como um legado, para que possam ser abertos daqui a 20 anos e verificarmos se as previsões de cada um se cumpriram.

O início das celebrações foi marcada por uma festa exclusiva, no dia 14 de março, no Museu da Electricidade de Lisboa, onde estivemos a comemorar.

MHD: Quais as estreias no canal HISTÓRIA que o público pode esperar nos próximos meses de 2019?

CG: 2019 é um ano carregado de grandes estreias. Por um lado, apostamos pela qualidade e pela compra de documentários de prestígio que fazem referência a 20 momentos-chave da nossa História com o especial 20º aniversário: A história do futuro. Então, vamos estrear títulos como “O último Neanderthal”, um especial de duas horas que tenta resolver o enigma da extinção desses caçadores.

Entrevista Carolina Godayol
Carolina Godayol

A intenção do Canal História é fazer um apanhado de diferentes épocas, desde a Revolução Francesa à Segunda Guerra Mundial ou à Queda do Muro de Berlim. Teremos também asseguradas novas temporadas de séries emblemáticas como “A Maldição de Oak Island” ou o “Forjado no Fogo”, títulos que serão completados com a estreia da mini série “The Clinton Affair” e “Presidents at War”,uma série documental que relembra o papel dos últimos presidentes dos Estados Unidos nas Forças Armadas e como esta experiência os influenciou na forma de governar.

Em termos de própria produção, teremos grandes apostas em 2019, depois do êxito da segunda temporada de Portugal Desconhecido estreada em 2018, das quais ainda não posso revelar muito, mas posso antecipar que estão intimamente relacionadas com a História de Portugal e que, certamente, surpreenderão os espectadores.

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MHD: Quais são os fundamentos do tema #HistoriadoFuturo?

CG: Acreditamos que só investigando e conhecendo o passado é que o ser humano tem a capacidade para atuar no presente e melhorar o futuro. Os factos e as pessoas que marcaram a História da humanidade contêm as chaves para o futuro. A partir da História queremos lançar esta reflexão no nosso aniversário, convidando os espectadores a entrarem numa divertida e informativa viagem. Uma viagem ao passado mais distante que, certamente, nos vai ajudar a melhorar o nosso futuro.

MHD: Como foram os 20 anos do canal de HISTÓRIA? O que pensa acerca das suas grandes mudanças?

CG: Estamos num momento diferente do que vivemos há 20 anos. Não se trata apenas de uma questão informativa, estamos no mundo do entretenimento e uma das características que fazem parte do ADN do HISTÓRIA é a capacidade que temos de divulgar o conhecimento e de entreter. Quero enfatizar a área da produção própria. Somos o único canal no segmento documental da televisão por cabo, que faz a sua própria produção numa base regular tanto em Portugal como em Espanha.

É um compromisso para com os espectadores e parte fundamental da nossa estratégia, no sentido que nos diferencia dos outros canais da concorrência. O canal HISTÓRIA está atualmente consolidado como um canal de referência no campo do documentário e no campo da produção própria.

O HISTÓRIA procura todos os dias o essencial e o profundo das histórias que definem o esforço humano. Durante as duas décadas, foram produzidas mais de 172.000 horas de conteúdos distribuídos em mais de 1.800 títulos.
Dedicámos mais de 150 horas a produções próprias, que se dividem em 100 títulos, durante os 20 anos.

Desde 2015, 5 das 6 séries mais vistas do HISTÓRIA são de produção própria, destacando especialmente “As Faces de Fátima”, “Templários” e os especiais produzidos em 2017 e 2018 de “Portugal Desconhecido”. Para 2019 temos um projeto ambicioso de produção própria em desenvolvimento relacionado com a História de Portugal com estreia prevista para 2019.

Entrevista Carolina Godayol
Carolina Godayol ao lado de Joana Vasconcelos na estreia de “As Faces de Fátima”

Em termos de produções internacionais de grande êxito, “O Preço da História”, “A Maldição de Oak Island” e “Forjado no Fogo” foram os títulos mais assistidos pelos portugueses. Produzido por The History Channel Iberia, uma joint-venture entre a AMC International- Iberia e a A+E Networks, o canal HISTÓRIA é uma marca de prestígio internacional que está disponível em mais de 160 países e que chega a mais de 330 milhões de espectadores em todo o mundo.

Nada disto seria possível sem o apoio das operadoras MEO, NOS, NOWO e Vodafone. Nos últimos 20 anos mais de 10,5 milhões de espectadores portugueses desfrutaram dos conteúdos do canal. Nos últimos cinco anos, o canal triplicou a sua audiência e um dos episódios da série “O Preço da História”, em 2018, foi a emissão mais vista destes 20 anos. O canal vive um momento muito importante a nível do seu reconhecimento.

MHD: Como acha que será a televisão nos próximos 20 anos, uma vez que há mais e mais plataformas de streaming que estão a ganhar força junto dos espectadores? Há espaço para entretenimento televisivo?

CG: A televisão está a mudar, mas ao mesmo tempo estamos a assistir ao paradoxo de que os telespectadores consomem mais horas do que nunca. Só que se trata de um consumo de uma forma mais disruptiva. Na televisão tradicional, os espectadores vêm conteúdo às segundas-feiras, pelas 22:15. Isso com os novos players está a mudar, sendo um desafio para os canais como o nosso que temos de enfrentar nos próximos 20 anos.

Mas, ao mesmo tempo, é uma oportunidade como nunca vimos antes. Temos de trabalhar em conjunto com as operadoras, para acompanhar os desafios tecnológicos e, assim, aproveitar ao máximo as possibilidades que a tecnologia colocou ao nosso alcance e que eram impensáveis há alguns anos atrás.

MHD: Sendo março o mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher diria que ainda há desigualdade de género quando se trata de aceder a um posto de trabalho no mundo da televisão? O que mudou nesse sentido no canal HISTÓRIA?

CG: Do lado do HISTÓRIA lutamos para eliminar as desigualdades de género e apostamos no talento das pessoas independentemente de seu género. Eu sou uma forte defensora dos direitos das mulheres e, apesar do progresso feito nos últimos anos, ainda há marcos para conquistar.

 

O canal celebra assim o seu vigésimo aniversário. És fã de algum dos projetos do canal?

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