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Os 25 Melhores Álbuns de 2021

Se o ano ainda foi de aquecimento, os 25 melhores álbuns de 2021 com que vos deixamos provam que há futuro para a música.

Depois de quase dois anos, já estamos todos fartos dos artigos que começam logo por mencionar a pandemia e o abalo da mesma na cultura. As frases feitas são o novo normal e de fácil contágio. E, por isso, descrevo o ano com mais uma, só para começar. Depois de um 2020 a meio-gás, o setor musical começou a ganhar alguma tração em 2021 (mas ainda dentro do meio-gás). Talvez devido à nova possibilidade de fazer digressões em algumas partes do mundo, os lançamentos relevantes foram maiores em número. Não faltaram bons álbuns, mas poucos foram os que se destacaram pela excelência. Esta particularidade fez de alguns os inegáveis favoritos entre a equipa, estando estes nas primeiras posições da nossa lista.

Isto não quer dizer que não estejamos satisfeitos com o resto da nossa lista. Estamos certos de que tudo o que propomos é meritório do vosso tempo e, acima de tudo, de ser revisitado no final deste ano e de muitos outros que virão. Focámo-nos mais na arte e menos no artista; mais naquilo que daqui a pelo menos cinco anos ainda perdurará e certamente menos em qualquer narrativa ou moda, que vão conquistando e perdendo destaque como variações do vírus. Consideramos que a qualidade artística vem em várias formas. Reconhecemos a inovação e a reinvenção, mas também admiramos a forma exemplar como um álbum trabalha dentro dos limites já estabelecidos. Por último, ao avaliarmos a relevância de um objeto de arte, é também tomada em consideração a sua importância histórica, contextualizando-o no seu tempo e espaço.

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Melhores Álbuns da Década 2010-2019

As preferências e cedências de cada membro da nossa equipa permitiram reunir um corpus inter-geracional e diverso, que, embora concentrando-se no rock alternativo, acabou por cobrir vários projetos de zonas adjacentes. Estende-se desde o pós-punk ao ambiente folk, passando pelo hip-hop vanguardista e a pop e rock mais convencional. Constam não só os álbuns coroados por várias outras publicações, como também aqueles que não vimos mencionados em quase mais nenhuma. A panóplia de géneros está presente não só entre a ordenação, como também nos próprios álbuns, uma tendência que tem vindo a aumentar e que foi central este ano.

2021 foi um ano de colaborações, e não só de géneros musicais. Mais de metade dos álbuns da nossa lista, e as primeiras dez posições em quase toda a sua totalidade, são colaborações. Constam bandas, dos alinhamentos mais singulares aos mais habituais. Assistimos ao regresso de colaborações já estabelecidas e amadas pelo público e outras inéditas, e até com um certo charme de improviso. Num período em que muitos nos sentimos globalmente isolados, a Música, mais do que nunca, necessitou de cooperação. Os colegas animaram-se uns aos outros a continuar e os melhores projetos surgiram quando as pessoas se reuniram para cultivar e tirar partido daquilo que cada um tem de melhor para oferecer.

Melhores álbuns 2021
Black Country, New Road (foto por Bjorn Lebowski)

Também a surpresa caracterizou este ano. Os regressos ansiados de alguns artistas e bandas, ainda que relevantes, não corresponderam exatamente às expectativas colocadas, e outros não podiam ter desiludido mais. Mas também tivemos boas surpresas nos últimos 12 meses. Vimos como bandas, dez anos após a estreia, continuam a trazer-nos o seu novo melhor álbum com cada lançamento. Testemunhámos respeitados veteranos a dar bom uso ao título. Acima de tudo, é um ótimo sinal quando alguns dos álbuns do ano, ou até mesmo o álbum do ano para muitos, são estreias. Mesmo reconhecendo que os últimos dois anos foram atípicos, já irrita estar sempre a ouvir que a música boa (ou o rock, por sinal) está desaparecer. Os extraordinários álbuns de estreia que propomos nesta lista são como um farol que nos deixa, no mínimo, curiosos pelos próximos dez anos de música. Mas primeiro, e sem mais demoras, olhamos para este ano que passou.




25. The Marfa Tapes, Jack Ingram, Miranda Lambert & Jon Randall (RCA Nashville, 7 Maio)

Melhores Álbuns de 2021
Melhores Álbuns de 2021 | The Marfa Tapes

Para muitos, a composição é uma arte por si só. Escrever uma boa canção é resolver um cubo mágico, torcendo e dando a volta às palavras e melodias, na busca de um resultado final que faça tanto sentido que nunca poderia ser de outra forma. É precisamente esta a experiência com The Marfa Tapes. Quando a pandemia obrigou os artistas a parar, Miranda Lambert, estrela country habituada a esgotar arenas e arrecadar os prémios mais importantes da indústria, juntou-se a Jack Ingram e Jon Randall, ambos estritamente autores de ocupação principal, num rancho do Texas e gravaram The Marfa Tapes. Comprometeram-se a gravar tudo no momento e ao vivo, usando apenas três vozes e três guitarras acústicas, e o primeiro take seria o definitivo. O método permitiu uma performance genuína e natural, por entre mugidos distantes de vacas, gargalhadas e inside jokes dos três amigos e algumas hesitações pelo caminho também. Ainda assim, as peças das canções caem todas no sítio certo, sendo fácil alhearmo-nos do complexo processo que é a criação. “Trying to find forgiveness is like breaking into prison / Getting caught up on a razor-wire fence”, cantam no primeiro verso de “The Wind’s Just Gonna Blow”. A composição imaculada, aliando aos autênticos poemas melodias intencionais, revela-se instrumento independente e, quando vista como o verdadeiro centro do registo, The Marfa Tapes é um potencial clássico da folk. (Pedro Picoito)

24. Notes With Attachments, Pino Palladino & Blake Mills (Impulse! e New Deal Records, 12 Março)

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Melhores Álbuns de 2021 | Notes With Attachments

Numa área por vezes esquecida, como se a mensagem apenas existisse nas palavras ou gritaria corrente, o rock instrumental foi brindado este ano com uma bela surpresa que não poderíamos deixar de destacar, Notes With Attachments A cargo do baixista Pino Palladino, competente músico de sessão e touring (The Who, John Mayer, Margo Price, Keith Urban, entre muitos outros) e do produtor e multi-instrumentalista Blake Mills (Bob Dylan, Stephen Malkmus, Rufus Wainright, etc), é um maravilhoso projecto de três anos, tão experimentalista quanto solidamente fundeado em bases clássicas com um pano de fundo vagamente neo-psicadélico. Imaginemos o impossível como improvável encontro de Bill Frisel e John Coltrane homenageando Frank Zappa. Uma jam session repleta de ritmos sem pressas, ecleticamente tocado mesmo quando as batidas fora de tempo nos relembram os saudosos e divertidos riffs de Zappa. Enjoy. (Rui Ribeiro)

23. Volcanic Bird Enemy and The Voice Concerned, Lil Ugly Mane

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Melhores Álbuns de 2021 | Volcanic Bird Enemy and The Voice Concerned

Após seis anos de afastamento da comunicação social, o enigmático Lil Ugly Mane surge abruptamente com um novo álbum de estúdio: Volcanic Bird Enemy and The Voice Concerned. Neste ambicioso longa-duração, o artista Travis Miller entrega-se, mais do que nunca, às suas tendências indie pop e neo-psychedelia, chegando mesmo a entrar no campo do rock alternativo. A sonoridade (im)previsivelmente maníaca é colocada ao serviço de uma narrativa depressiva, onde o estado delirante de Lil Ugly Mane é absorvido pelas súbitas transfigurações de estilo, pelas metáforas certeiras e monólogos incoerentes, pelo ritmo frenético a que o disco progride. Volcanic Bird Enemy and the Voice Concerned representa tudo aquilo que esperaríamos de Travis Miller no seu auge: uma obra na qual a vertente criativa é completamente alimentada pela psicose, pela instabilidade, pelo desejo de quebrar tradições… recorrendo a tradições. (Diogo d’Álvares Pereira)

22. Fatigue, L’Rain (Mexican Summer, 25 junho)

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Melhores Álbuns de 2021 | Fatigue

Ao ouvir Fatigue, o segundo álbum de L’Rain, surge repetidamente a palavra “groove”. O registo mexe com o corpo, algo conseguido pela artista de Brooklyn através da amálgama caleidoscópica de géneros, a grande maioria com origens na história afro-americana e incluindo também palmas ritmadas e outros batuques corporais. Cobre do neo-soul ao hip-hop e dance, com momentos gospel e infleções de jazz, sem faltar R&B, no qual faz lembrar Solange. L’Rain contrasta este ritmo com impulsos experimentais numa produção hipnótica, que esconde detalhes em nuvens de distorção (“Suck Teeth”), e explorando a tensão entre o estrutural e o difuso ao longo do alinhamento, por vezes até na mesma canção. Fatigue é um álbum de antíteses porque nos fala da mudança que se segue ao trauma e à perda. Na primeira faixa “Fly, Die”, a artista questiona “What have you done to change?”. O decorrer do álbum é elíptico, mas versátil, espelhando as oscilações emocionais ao longo do percurso de amadurecimento. Termina repetindo a frase “I’m not prepared for what is going to happen to me”, sem sequer a terminar da segunda vez. Fatigue não nos dá respostas certas, mas assegura-nos que a recuperação não é linear e em nada menos rica por isso. (Pedro Picoito)

21. Nine, SAULT ( Forever Living Originals, 25 junho)

Melhores álbuns de 2021
Melhores Álbuns de 2021 | Nine

Nine, o álbum desaparecido dos SAULT que só esteve disponível nas plataformas digitais 99 dias mereceu o seu lugar no pódio devido à originalidade do conceito explorado. Começando com faixas pouco ordenadas e displicentes da previsibilidade e expectativas do ouvinte, estas vão sendo substituídas por canções cada vez mais correspondentes à típica estrutura musical. Faixas como a “9”, que termina com uma agradável junção de segundas vozes e acordes circulantes, vão substituindo outras como a enigmática “Fear”, composta por percussões pesadas e vozes melodicamente pouco variáveis. Conforme o avanço do álbum, é percetível que esta evolução tem um propósito: o de trazer esperança para os inadequados, os infelizes e mal tratados pelo mundo. Atendendo às letras deparamo-nos com referências ao mundo dos “gangs” de Londres e da inevitabilidade de pertença aos mesmos devido a circunstâncias familiares e sociais, explorando-se também o uso de desinibidores na procura de bem-estar, tendo a faixa “Alcohol” o objetivo lírico de destacar essa realidade. Por sua vez, as últimas músicas carregam consigo uma mensagem positiva e de possibilidade de renovação interior. É justo concluir que a progressão musical que acompanha a crescente positividade das letras não ocorreu sem querer. Este álbum fascinante não deixa a desejar, seja pelo brilhantismo do instrumental que o acompanha ou pela mensagem intrigante que este carrega. (Diogo Moreira)




20. Happier Than Ever, Billie Eilish (Interscope Records, 30 julho)

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Melhores Álbuns de 2021 | Happier Than Ever

Com novas coisas para dizer, Billie Eilish lançou o álbum Happier Than Ever, expondo ao mundo uma recente maturidade lírica e reforçando a sua versatilidade musical. Aliando a sua doce voz, usada de forma controlada e discreta na maioria das músicas, a letras que mostram uma evolução pessoal, a artista conta-nos sobre o seu desenvolvimento interior, as suas experiências de juventude e a sua visão sobre certas situações da vida e até da sociedade. A jovem norte americana oferece aos seus ouvintes um reportório variado neste álbum, presenteando-nos com 16 faixas para todos os gostos musicais. Desde canções como “Male Fantasy”, de semblante acústico e nostálgico, a outras como “I Didn’t Change My Number”, onde se denota uma forte influência de música eletrónica, Billie Eilish não se cinge a um só estilo. É uma obra musical que não desilude. (Diogo Moreira)

19. Laura Stevenson, Laura Stevenson (Don Giovanni Records, 6 Agosto)

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Melhores Álbuns de 2021 | Laura Stevenson

Com este álbum, Laura Stevenson expõe-se de uma nova maneira, começando pela capa íntima, réplica de uma fotografia sua e da filha, tirada pelo marido. Por isso, o nome do álbum é o seu. A opacidade das letras é uma novidade para a artista e para nós, que estamos habituados a uma Laura Stevenson mais aberta acerca da sua experiência. Esta mudança vem da apreensão com a partilha excessiva que Stevenson começou a sentir, mas mais equívoco lírico não é sinónimo de menos partilha emocional. Ainda que se contenha nas palavras, Stevenson não refreia a oscilação de impressões que põe a nu no álbum: variam do sentimento protetor que a maternidade cultivou nela à raiva descarada de quem encara seriamente as suas angústias. Os apontamentos folk mantêm-se, e soma-se-lhes a urgência protetiva e perscrutadora da verdadeira Laura Stevenson, aquela que se mostra corajosamente neste álbum. (Joana Cordeiro)

18. Sinner Get Ready, Lingua Ignota (Sargent House, 6 Agosto)

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Melhores Álbuns de 2021 | Sinner Get Ready

Sinner Get Ready ressuscita Nico no ano de 2021, servindo-se do timbre assombroso de Kristin Hayter, da instrumentação sinistra e de uma narrativa de abuso, insatisfação profunda e perplexidade. Sobretudo… perplexidade. O mais recente longa-duração de Lingua Ignota retrata a relação da artista com a Fé e a devoção, onde a indignação e a admiração pelo “transcendente” coexistem, culminando num colossal dilema existencial. No entanto, esta dúvida que atormenta Kristin Hayter representa a própria motivação para a produção de música… e a artista “despe-se” perante o ouvinte sem hesitação, deixando expostas todas as suas feridas e marcas do passado. Sinner Get Ready é íntimo e franco, o poço de energia “fúnebre” brotando do darkwave neoclássico e da música folk vanguardista. Em última instância, este longa-duração nasce de algo tão simples quanto… uma questão para a qual a resposta tarda em chegar. (Diogo d’Álvares Pereira)

17. An Overview on Phenomenal Nature, Cassandra Jenkins (Ba Da Bing Records, 19 Fevereiro)

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Melhores Álbuns de 2019 | An Overview Over Phenomenal Nature

É de Brooklyn que nos chega o longa-duração de Cassandra Jenkins, An Overview On Phenomenal Nature, um projecto que se entrelinha com o chamber folk clássico da Costa Este dos EUA e a exploração ambiental da pop alternativa moderna. É com leveza que ouvimos este álbum, havendo uma abordagem autoconsciente, complementada por toques de um jazz leve, com especial destaque para o papel dos saxofones que quase criam uma paisagem sonora de contemplação e clareza. A excelente instrumentalização do disco é sempre edificada através de calmas melodias, dando a impressão de uma harmonia íntima e expansiva. A produção é cuidada, assim como as letras penetrantes e específicas, que por muito mundanas que sejam, nos permitem um aproximar à artista, através da identificação das temáticas exploradas. É um projecto forte, mas tranquilo, onde a escolha por uma abordagem mais ambiental sai completamente vencedora. (Gonçalo Miranda)

16. As We Pass, Storefront Church (Sargent House, 21 Maio)

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Melhores Álbuns de 2019 | As We Pass

Por vezes, ao explorar a atual paisagem musical, deparamo-nos com álbuns como As We Pass, no qual encontramos um forte potencial, porém sabemos que não será um sucesso repentino. Pelo contrário, lentamente e quase sorrateiramente captará novos ouvintes. Nesta estreia de Storefront Church, o artista cria uma espantosa atmosfera sonora, soterrando a audiência com melancólicas melodias e a assombrosa voz. Enquanto a obra progride, caímos cada vez mais profundamente nesta escuridão, até que culminamos no final sonoro de “The Gift”, música esta que contribui para a banda sonora da aclamada série da Netflix The Queen’s Gambit. Embora envolvido nesta mescla de slowcore com indie rock, as letras do projeto destoam da sonoridade. Nestas, encontramos um desejo de disputa e perseverança, ultrapassando os obstáculos que nos são dispostos. Conjugando todos estes elementos, As We Pass demonstra uma atitude de persistência e esperança, superando as trevas que ocasionalmente nos são impostas, tornando-se assim um álbum essencial de 2021. (Tomás Fonseca)




15. New Long Leg, Dry Cleaning (4AD, 2 Abril)

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Melhores Álbuns de 2021 | Dry Cleaning

O videoclipe que acompanha “Scratchard Lanyard”, a primeira faixa de New Long Leg, é talvez a expressão visual mais precisa do álbum dos Dry Cleaning. O absurdo do cenário que inclui o rosto de Florence Shaw a ocupar todo o palco de um mini café frequentado por pequenas marionetas que bebem e dançam e a sua insistência em nos bombardear com “Do everything and feel nothing”, transportam-nos para o ambiente inextricável que todo o álbum sustém. A estreia em LP da banda de Londres é um convite repleto de imagens surreais, frases aparentemente desconexas com um lado cómico bastante intrincado. Enquanto Shaw nos enreda na sua narração absurda e exaustiva, o baixista Lewis Maynard e o baterista Nick Buxton equilibram a distopia musical, impondo uma batida constante e brindando-nos com crescendos de guitarra. Talvez seja da confusão dos tempos, mas não deixa de ser verdade que nesta desarrumação de ideias esotéricas é possível encontrar algum conforto. Quer na forma de reminiscências jocosas do que habita o mundo das redes sociais e da comunicação social, quer como um conjunto desordenado, mas onde é possível identificar um fio condutor (o que pode ser raro nos dias em que vivemos). (Margarida Seabra)

14. Shade, Grouper (Kranky, 22 Outubro)

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Melhores Álbuns de 2021 | Grouper

Depois de Ruins, Liz Harris resgata a sua distinta impenetrabilidade com o álbum Shade. Ainda que herde somente do antecessor a inteligibilidade das palavras e a singeleza, este EP é a convergência do trabalho anterior de Grouper: o acústico, a intimidade e o lo-fi de sempre. A ambiguidade é o resultado de sons distorcidos, conjugados na perfeição com pormenores que se revelam decisivos – o rumor da estática do quarto, o ranger dos dedos nos trastes da guitarra. Shade é a intimidade envolta em mistério que ganhou corpo num álbum. (Joana Cordeiro)

13. LP!, JPEGMAFIA (Republic Records, 22 Outubro)

Melhores álbuns de 2021
Melhores Álbuns de 2021 | LP!

Certos músicos nunca cessam de surpreender, sendo JPEGMAFIA um desses casos. Desde o seu debute Black Ben Carson, o artista tem vindo a explorar sons mais arriscados e experimentais, capturando cada vez mais a atenção do público geral. Este aspeto voltou a verificar-se em LP!. Neste seu mais recente álbum, Peggy aventura-se numa pluralidade de géneros, freneticamente alterando entre lo-fi, hardcore rap, R&B e glitch, acrescentando guitarras e distorção quando necessário. “SICK, NERVOUS & BROKE!” verifica precisamente isto. Depois de uma agitada e pujante primeira metade, a canção elegantemente transita para uma conversa que culmina com uma suave e curta balada de piano onde se entrelaça com a voz do protagonista uma delicada voz feminina, interpretada por Kimbra. Nunca deixando que o álbum fique aborrecido, JPEGMAFIA intriga ainda a audiência com as suas letras que não têm receio de ser sinceras e ousadas, manifestando desagrado sobre, por exemplo, artistas que se deixam levar por modas e tendências. Lançado no seu aniversário, o rapper de Baltimore deixou-nos uma obra que, indubitavelmente, marcou o hip hop deste ano. (Tomás Fonseca)

12. The Idyll Opus (I-VI), Adjy (Triple Crown Records, 30 Junho)

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Melhores Álbuns de 2021 | The Idyll Opus

Não seria possível encontrar um título mais apropriado para este álbum. Afinal de contas, a obra idílica sumariza a essência inteira do álbum de estreia dos Adjy. Gravado ao longo dos meses de verão entre 2016 e 2019, a banda conseguiu absorver inteiramente o sentimento da altura mais quente do ano. Recorrendo também a instrumentos tradicionais, como o banjo e o bodhrán, bem como a gravações da natureza, os nativos da região da Appalachia traduziram o estio na região do sudeste americano numa sonoridade alegre, energética e sonhadora, que dança na linha que separa o indie rock, o folk e o dream pop. Para completar a metáfora do verão, o projeto acompanha a história de dois jovens, o June e a July, que se apaixonam, explorando temas como propósito, alienação e liberdade. Depois deste estrondoso primeiro álbum, os Adjy têm as portas abertas e o potencial necessário para criar mais fascinantes obras. (Tomás Fonseca)

11. The Turning Wheel, Spellling (Sacred Bones Records, 25 Junho)

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Melhores Álbuns de 2021 | The Turning Wheel

A magia musical de The Turning Wheel não surpreende quem já havia reconhecido potencial a Spellling para grandes feitos no seu promissor longa-duração de 2019, Mazy Fly. Aqui, deparamo-nos com uma artista mais madura, confiante nos seus atributos distintivos e na estética à la Kate Bush que pretende fabricar. No entanto, não nos deixemos levar pelas semelhanças art pop e pop barroco entre as duas cantautoras: Spellling é sui generis. Magníficas canções como “Boys At School” só poderiam nascer da mente da própria artista, a vertente psicadélica e nebulosa da sua sonoridade acompanhando de perto o impressionante alcance vocal. The Turning Wheel é um conto de fadas eclético; por vezes gracioso, por vezes pujante, mas sempre deslumbrante. (Diogo d’Álvares Pereira)




10. Carnage, Nick Cave & Warren Ellis (Goliath, 25 Fevereiro)

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Melhores Álbuns de 2021 | Carnage

Se não houvesse um amanhã (como a muitos pareceu nestes tempos de pandemia), Carnage seria um bom capítulo final para a sofrida odisseia de Nick Cave, meditada e exorcizada em Skeleton Tree (2016) e Ghosteen (2019). Retomando o tema, o novo álbum abre com o mistério insondável da mão divina que se abate sobre o homem e os seus planos vãos, pondo-o de joelhos, reduzindo-o a um saco de ossos e sangue – uma carnificina saída de um conto de Flannery O’Connor. Com ritmos marciais interrompidos por acres, isolados acordes dissonantes, o ominoso instrumental do lado A dá voz tanto à tragédia pessoal do autor como à exacerbação política num mundo assolado pelo vírus e pela paralisia do humano. Mas depressa cede, em “Carnage” e no lado B, à doçura das melodias de piano, viola e violino imaginadas por Warren Ellis, numa melancolia que chega, como em “Lavender Fields”, a trazer à memória um qualquer quarteto de cordas ou concerto de Beethoven. E como num conto de Flannery O’Connor, da prova de fogo sai a graça, aquela luz purificadora que permite reconhecer que “this morning is amazing and so are you”. Por entre a dor dos seres amados desaparecidos, permanecem os laços de amizade de artistas que conversam trabalhando ou se ajudam mutuamente a sair do bloqueio criativo (“White Elephant”). Aquela mulher cuja presença quotidiana é toda a razão de ser dos olhos que, contemplando-a, lhe imploram que nunca se vá embora. Tudo sob a égide do reino que virá, promessa de uma justiça certa e de um bem escondido em cada canto feliz ou doloroso da existência. (Maria Pacheco de Amorim)

9. Ignorance, The Weather Station (Next Door Records, 5 Fevereiro)

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Melhores Álbuns de 2021 | Ignorance
Mesmo que fosse apenas pela fantástica homenagem à memória do monumental “I Believe in You “dos Talk Talk, e ao já falecido grande Mark Hollis, logo a abrir Ignorance (“I never believed in the robber / Nobody taught me nothing was mine”), este álbum já seria alvo do nosso maior respeito, estima e veneração. Mas se o calmo silêncio sempre foi e continua a ser o estado de alma que mais emana da música de Tamara Lindeman (Weather Station), em Ignorance há desta feita um grito de alerta e revolta, mesmo que sussurrado, ao ponto de até parecer pedir desculpa por se impor. “We wrote our names in blood / But I guess you can’t accept that the change is good / It’s good, it’s good /…/ Don’t wanna hear your sad songs / I don’t wanna feel your pain / When you swear it’s all my fault / … / Ignorance is your new best friend”. Tons aparentemente serenos, hi-fi duma elegância superlativa e sensual, e uma produção tão espartana como imaculada, encerram palavras fortes e belas sobre a revolta perante as alterações climáticas e o indiferente comportamento que só pode resultar de ignorância. Obrigatório não ignorar. (Rui Ribeiro)

8. Bright Green Field, Squid (Warp, 7 Maio)

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Melhores Álbuns de 2021 | Bright Green Field

Já é tanta a familiaridade com a banda e a quantidade de material que dela nos chegou que até parece estranho admitir que este é o seu álbum de estreia. Mas a verdade é que estamos perante o primeiro registo dos Squid, que tiveram a proeza de nos brindar com onze faixas totalmente novas que já revelam uma certa evolução desde os primeiros temas que nos chegaram ainda em 2018. Se em “Houseplants” ou “The Cleaner”, os Squid encontravam inspiração em personagens concretas, aqui o foco é num lugar, “numa paisagem urbana imaginária”. Na sua habitual abordagem exaustivamente descritiva e sarcasticamente crítica, a banda apresenta-nos um mundo narrado na primeira pessoa, onde é inevitável sentirmo-nos claustrofóbicos e denotarmos uma certa artificialidade naquele campo esverdeado, aparentemente inofensivo. Ao longo de todo o LP assistimos a uma alternância entre géneros, passando pelo jazz, funk, krautrock e punk, incluindo instrumentos como a bateria, o baixo e a guitarra, mas também o saxofone, o violino, o violoncelo ou o trombone. Refletindo a paisagem política e cultural em que foi criado, o registo de estreia dos Squid revela-nos o potencial desta banda em ascensão, que não parece interessada em afeiçoar-se a um género, mas em extrair de cada um o que melhore sustenta as suas narrações desordenadas e juízos espirituosos. (Margarida Seabra)

7. Glow On, Turnstile (Roadrunner, 27 Agosto)

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Melhores Álbuns de 2021 | Glow On

Se andam por aí mensagens a promover a morte do punk, o novo álbum dos Turnstile prova exactamente o contrário. Glow On é o melhor projecto da banda até hoje, numa autêntica ode ao riff, assistimos também a uma estranha junção, que à primeira vista teria tudo para falhar, de uma estética típica do dream pop com um classicismo duro e impetuoso do hardcore punk. As baterias são duras, as guitarras são barulhentas e viciantes, e a voz, música após música, é um poço de energia sem fim com um especial detalhe para a excelente dicção. A mistura que a banda faz entre as métricas e estéticas do hardcore punk clássico e uma produção cuidadosa e sonhadora fazem deste um dos projetos mais ambiciosos e mais bem realizados deste ano. Consegue ser um álbum mutuamente atraente para fãs leais de punk, bem como para as massas do rock mais convencional. (Gonçalo Miranda)

 

6. Promises, Pharaoh Sanders, Floating Points, London Symphony Orchestra (Luaka Bop, 26 Março)

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Melhores Álbuns de 2021 | Promises

Se na música ambiente parece fácil fazer batota, na realidade é impossível. No fundo, sabemos sempre quando estamos (ou não) diante de um álbum destinado à eternidade do cânone. Promises é assim. Uma conversa única, feita de cada um dos seus momentos, como um diálogo teatral ou uma cena de filme à qual voltamos sempre porque a queremos rever assim, exactamente como é. Como nas melhores obras do impressionismo atonal de que Sam Shepherd, conhecido por Floating Points, é tão devedor, a identidade não está num tema melódico que cantamos no banho ou a caminho do trabalho, mas no acontecer de uma história ao longo dos seus três quartos de hora, que vive tanto da atmosfera indefinível que cria quanto das virtudes e personalidades que se revelam ao longo do diálogo. No fundo, por meio de um recorrente motivo de cravo ou plangentes e submersas melodias de sintetizador, Shepherd constrói humildemente a cena no interior e ao redor da qual o saxofone tenor do lendário veterano Pharaoh Sanders vai improvisando e exprimindo a doçura, vigor e assertividade que a sabedoria da velhice temperou e pacificou. Crescendo ao longo do álbum, competindo e convergindo com a voz de Sanders, as melodias de cordas impressionistas compostas por Shepherd e executadas pela Orquestra Sinfónica de Londres trazem o drama que, depois de tudo absorver, finalmente se dissolve no silêncio e quietude do epílogo. Para quem o ouve atenta e repetidamente, Promises é o testemunho comovente de como só da humildade sai a verdadeira grandeza. (Maria Pacheco de Amorim)




5. By The Time I Get To Phoenix, Injury Reverse (lançamento independente, 15 Setembro)

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Melhores Álbuns de 2021 | By The Time I Get To Phoenix

É com peso melancólico que os Injury Reserve regressam e nos apresentam By The Time I Get To Phoenix. Após a morte do membro Stepa J. Groggs, não se faziam planos para um regresso, mas na ressaca de uma perda de peso, a agora dupla presenteia os seus fãs com um caos profundo que reflete perfeitamente os tempos em que vivemos e a profunda tristeza e pânico do grupo. Num álbum profundamente introspectivo, a missão de nos fazerem sentir as suas angústias é alcançada com a junção de letras explícitas e impetuosas, transparecendo o luto sentido. No entanto, esse luto não é apenas em relação à perda de Groggs, é também relacionado com o tempo que vivemos, no seio dos protestos do movimento Black Lives Matter e da morte de George Floyd, assim como as inquietações provenientes da pandemia. A um nível sónico assistimos a um dos maiores experimentalismos do ano, usando e abusando do glitch, usando ruído como incitador de uma ansiedade que se transforma em raiva, tristeza e confusão. É uma amálgama perfeita entre a tristeza das palavras, as emoções da banda e um som completamente original e tentador, que formata o hip hop para todo um outro nível. (Gonçalo Miranda)

4. IRA, Iosonouncne (Panico SRLS, 14 Maio)

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Melhores Álbuns de 2021 | IRA

Este projecto é daquelas boas surpresas por que todos os anos ansiamos e parecem nunca chegar. Lançado em Maio deste ano, IRA é o mais recente álbum de Iosonouncane, um multi-instrumentista italiano, até agora bem conservado e guardado dos olhos da imprensa crítica independente e dos seus seguidores. As quase duas horas de música destronam-nos como uma chapada em slow motion, um trabalho que nos corrói a alma aos poucos e que cria um valor musical que transcende a própria linguagem, tendo letras em italiano, inglês, francês, castelhano e até em árabe. IRA é negro, um projecto amargurado e depressivo, que nos faz sentir mal na melhor forma possível, sendo que nos entrega toda essa negatividade sem pudor e com sinceridade. Não é um álbum que nos agarra de imediato nem um álbum para qualquer ouvido, mas a sua atmosfera repetitiva e electrónica dá-nos a vontade de sempre querer saber o que vem a seguir, música após música. É um álbum que bebe de muitas fontes, desde as basslines à Radiohead, ao puro industrial repetitivo dos Test Dept, que atravessa pela acalmia do dubstep de Burial e se influencia nas melodias vocais de um distante Justin Vernon. É bonito e sujo, é empolgante e desalentado, é uma nítida acalmia tenebrosa, assim como os tempos que nos esperam. (Gonçalo Miranda)

3. Cavalcade, black midi (Rough Trade Records, 26 Maio)

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Melhores Álbuns de 2021 | Cavalcade

black midi para nos lançarem curveball atrás de curveball numa fase tão preliminar do seu percurso musical. Cavalcade não é para todos. Mesmo os maiores admiradores do noise rock e math rock exibido em Schlagenheim encontrarão aqui um novo desafio de raiz. Curiosamente, o segundo longa-duração do grupo britânico deambula entre tendências mais progressivas e jazzísticas. O elemento ruidoso permanece vivo e de boa saúde; porém, agora mais contido, fruto da experiência, da disposição da técnica ao serviço da criatividade. Cada canção é uma odisseia em si, a instrumentação expandindo e contraindo, culminando em clímaces imprevisíveis e momentos de puro êxtase. Em Cavalcade, a grande imagem importa tanto quanto a minúcia. Ambas complementam-se… e é necessário estar atento. (Diogo d’Álvares Pereira)

2. Seek Shelter, Iceage (Mexican Summer, 7 Maio)

Melhores álbuns 2021
Melhores Álbuns de 2021 | Seek Shelter

Foi com estrondo que os Iceage voltaram. A banda dinamarquesa faz-nos chegar Seek Shelter, um projecto repleto daquilo a que nos habituaram nos álbuns passados: uma lírica crua e destemida com vocais tradicionalmente desafinados e ofegantes. No entanto, desengane-se aquele que pensa que isto é um episódio repetido. Aqui sentimos que o som da banda continua a evoluir, neste caso, com uma sonoridade mais abrasiva que nunca, com distorções de guitarra expansivas, camadas de apoios vocais e baterias que ecoam através da sua gravidade, demonstrando um debruçar da banda sobre uma estética muito típica do britpop dos anos 90, fazendo lembrar as produções dos primeiros álbuns dos Oasis e dos Supergrass, oferecendo toques que dão um novo visual, algo que conseguem sistematicamente fazer álbum após álbum. Há um elevar do pós-punk a uma nova estética, com uma identidade muito própria. Seek Shelter é um marco de destaque da história da banda, cimentando os Iceage como uma daquelas bandas que ouvimos e sabemos perfeitamente quem está a tocar. Nota-se muito suor que se traduz numa expansividade, suja e bonita, quase como uma história romântica que acaba em desgraça. (Gonçalo Miranda)

1. For The First Time, Black Country New Road (Ninja Tune, 5 Fevereiro)

Melhores Álbuns 2021
Melhores Álbuns de 2021 | For The First Time

Quando em 2019 lançaram “Athens, France” e “Sunglasses”, os Black Country, New Road conquistaram-nos desde logo, tendo sido desde aí fervorosa a espera pelo seu álbum de estreia. Alcançando um lugar de destaque num horizonte já perscrutado por bandas como Black Midi e Squid, o conjunto de sete artistas traz-nos um primeiro registo que combina o pós-rock dos Slint, com música klezmer e algumas referências diretas a Bruce Springsteen. Tomados pela atual onda britânica de “sprechgesang”, canção após canção chegam-nos críticas acutilantes a uma sociedade cada vez mais distópica. Isaac Wood dá voz a este grito inflexível, numa diatribe autobiográfica que revela o quanto este julgamento, antes de ser uma crítica social, é dirigido aos próprios membros da banda. Gravado em Março de 2020, o álbum inclui apenas seis faixas, abrindo com um tema puramente instrumental que apanha o ouvinte desprevenido e nos dá a provar um pouco do que será a sua performance ao vivo, dotada de momentos de virtuosismo técnico e de improviso. Há também espaço para “Track X”, um tema que se destaca por uma certa placidez, onde as malhas de guitarra são substituídas por uma paisagem sonhadora construída em torno de cordas, saxofone e piano e onde o tom censurador de Isaac se torna vulnerável e espirituoso. Quando um álbum de estreia atinge tão imediatamente o topo, a expectativa é grande e a responsabilidade maior ainda. (Margarida Seabra)




Melhores Álbuns 2021 | Preferências da nossa equipa

Diogo d’Álvares Pereira

1. Black Midi, Cavalcade (Rough Trade Records, 26 Maio)

2. Black Country, New Road, For the First Time (Ninja Tune, 5 Fevereiro)

3. Spelling, The Turning Wheel (Sacred Bones Records, 25 Junho)

4. Squid, Bright Green Field (Warp, 7 Maio)

5. Turnstile, Glow On (Roadrunner, 27 Agosto)

Gonçalo Miranda

1. IRA, Iosonouncne (Panico SRLS, 14 Maio)

2. Iceage, Seek Shelter (Mexican Summer, 7 Maio)

3. Pharaoh Sanders, Floating Points, London Symphony Orchestra, Promises (Luaka Bop, 26 Março)

4. Squid, Bright Green Field (Warp, 7 Maio)

5. Injury Reverse, By The Time I Get to Phoenix (lançamento independente, 15 Setembro)

Margarida Seabra

1. Black Country, New Road, For the First Time (Ninja Tune, 5 Fevereiro)

2. Iceage, Seek Shelter (Mexican Summer, 7 Maio)

3. Squid, Bright Green Field (Warp, 7 Maio)

4. Black Midi, Cavalcade (Rough Trade Records, 26 Maio)

5. Spelling, The Turning Wheel (Sacred Bones Records, 25 Junho)

Maria Pacheco de Amorim

1. Pharaoh Sanders, Floating Points, London Symphony Orchestra, Promises (Luaka Bop, 26 Março)

2. Black Midi, Cavalcade (Rough Trade Records, 26 Maio)

3. Spelling, The Turning Wheel (Sacred Bones Records, 25 Junho)

4. Turnstile, Glow On (Roadrunner, 27 Agosto)

5. Low, HEY WHAT (Sub Pop, 10 Setembro)

Pedro Picoito

1. Black Country, New Road, For the First Time (Ninja Tune, 5 Fevereiro)

2. Iceage, Seek Shelter (Mexican Summer, 7 Maio)

3. Jack Ingram, Miranda Lambert & Jon Randall, The Marfa Tapes (RCA Nashville, 7 Maio)

4. Storefront Church, As We Pass (Sargent House, 21 Maio)

5. Laura Stevenson, Laura Stevenson (Don Giovanni Records, 6 Agosto)

Rui Ribeiro

1. The Weather Station, Ignorance (Next Door Records, 5 Fevereiro)

2. Nick Cave & Warren Ellis, Carnage (Goliath, 25 Fevereiro)

3. José González, Local Valley (City Slang e Mute Records, 17 Setembro)

4. Pino Palladino & Blake Mills, Notes With Attachments (Impulse! e New Deal Records, 12 Março)

5. Suuns, The Witness (Joyful Noise Recordings and Secret City, 3 Setembro)

Tomás Fonseca

1. Black Country, New Road, For the First Time (Ninja Tune, 5 Fevereiro)

2. Iceage, Seek Shelter (Mexican Summer, 7 Maio)

3. JPEGMAFIA, LP! (Republic Records, 22 Outubro)

4. Turnstile, Glow On (Roadrunner, 27 Agosto)

5. Black Midi, Cavalcade (Rough Trade Records, 26 Maio)

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