25º Curtas Vila do Conde | Parabéns Gerações Curtas?!

Feliz Aniversário ao Curtas Vila do Conde! O festival começa hoje (sábado, 8), e passados 25 anos continua a ser a grande montra, e a ponta da lança dourada responsável pela afirmação das curtas-metragens portuguesas no plano nacional e internacional. Cada vez há mais espaço para as Gerações Curtas, por agora até 16 de Julho.

Curtas de Vila do Conde
O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismäki · Finlândia/Alemanha · FIC · 2017 · 98′.

A edição do 25º do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema arranca hoje  (sábado, 8 de julho) e em cheio com a antestreia nacional de O Outro Lado da Esperança, de Aki Kaurismäki. Mas há mais neste dia de abertura, ainda sem competições, com o regresso de Kelly Reichardt com Certain Women, a abertura do Curtinhas com Gru – O Maldisposto 3, e a fechar a noite, com o filme-concerto da Atlantic Coast Orchestra que vai tocar ao vivo sobre The General, a famosa comédia muda de Buster Keaton.

Vê spot da Competição Internacional do 25º Curtas de Vila do Conde

Como é habitual o melhor ainda está para vir com as Competições Nacionais e Internacionais, que chegam mais para o meio da semana e para um sempre apoteótico final de festa. Na verdade, quando é mais forte a habitual a romaria de ‘festivaleiros’ (público, realizadores, nacionais e internacionais, programadores, imprensa, etc), vindos de fora, sobretudo de Lisboa e Porto, e que se juntam no Auditório Municipal e esplanada e que aproveitam também para desfrutar dos prazeres e da animação da cidade de Vila do Conde, que toda ela gira por estes dias,  em volta do Curtas.

Vê documentário  ‘Gerações Curtas!?’, de José Vieira Mendes, 2012

A Competição Nacional integra 16 filmes a concurso, de animação, ficção e documentais, entre os quais Altas Cidades de Ossadas, de João Salaviza, Das Gavetas Nascem Sons, de Vítor Hugo, Água Mole, de Laura Gonçalves e Xá (Alexandra Ramires), Coelho Mau, de Carlos Conceição, Farpões Baldios, de Marta Mateus ou Os Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes. Ou seja a maioria dos filmes que representaram esta temporada o cinema português nos festivais internacionais, através da Agência da Curta Metragem. Destaque e expectativa igualmente para o documentário ‘auto-filmo-biográfico’ Onde Está Agora, João Pedro Rodrigues?, do próprio João Pedro Rodrigues.

A Competição Internacional leva a Vila do Conde muitas novidades, mas aponta principalmente, para apresentação de obras de realizadores já consagrados em outras edições como: Ben Rivers, Jia Zhangke, Yann Gonzalez, Hu Wei, Laura Poitras ou a dupla Caroline Poggi e Jonathan Vinel.

Mas para além da forte aposta nas diferentes secções competitivas (consultar a programação detalhada), que são naturalmente o longo e louvarel desígnio do Curtas, cabem também como é costume, uma vasta programação, que incluí longas-metragens (como é o caso do filme de abertura), retrospectivas, exposições, debates, workshops e concertos.

A música funde-se quase naturalmente com o cinema e com uma excelente programação composta por vários filme-concertos: Capitão Fausto, Mão Morta, Sensible Soccers, Pega Monstro, Evols, Chassol e já referido Atlantic Coast Orchestra — um projeto inovador composto por jovens músicos conduzidos pelo maestro Luis Miguel Clemente; e depois com os Os 7 Magníficos, o reconhecido coletivo de DJ’s, que prometem animar as sete longas noites do Curtas, nas festas e bares da cidade.

A secção Retrospectiva é dedicada à obra do cineasta, músico, escritor, editor, poeta francês: F.J.Ossang. Este cineasta tem traçado um percurso de cinema, que mostra uma visão apocalíptica do mundo entre, o punk, film noir e a ficção científica. É um regresso depois de ter sido premiado em 2009.

Na linha de contaminação do cinema com as artes plásticas a Solar – Galeria de Arte Cinemática, inaugura também hoje (às 17h) Terra, uma exposição coletiva da nova geração de autores portugueses: Gabriel Abrantes (em colaboração com Ben Rivers), Priscila Fernandes, Pedro Neves Marques, Joana Pimenta, Lúcia Prancha, Francisco Queimadela e Mariana Caló.

Vê spot do 25º Curtas de Vila do Conde

Para celebrar suas 25 edições, o Curtas Vila do Conde desafiou ainda 25 figuras que têm vivido o festival de diferentes maneiras, a fazerem um texto e a escolherem o seu filme preferido ao longo destas bodas de prata. É uma extensa carta branca de amigos do Curtas, e várias sessões ao longo da semana, que vão apresentar obras de cineastas como Manoel de Oliveira, Federico Fellini, Jean-Luc Godard, Tim Burton, Maya Deren, Artavazd Pelechian, Chris Marker, Hal Hartley, Miguel Gomes, Matthias Müller, Man Ray, Gus Van Sant e João Pedro Rodrigues. A primeira sessão exibe, também logo às 21:45, vai ter: Corpo e Meio, de Sandro Aguilar e Bicicleta, de Luís Vieira Campos.

José Vieira Mendes

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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