Milhares de portugueses ainda sem telecomunicações após tempestade
A tempestade Kristin provocou fortes constrangimentos em todo o território continental, deixando mais de 300 mil clientes sem serviços de telecomunicações e causando cortes de energia elétrica que chegaram a afetar cerca de um milhão de pessoas. Assim sendo os impactos fizeram-se sentir sobretudo nos distritos de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Leiria e Setúbal, entre outros.
De acordo com a ANACOM, as falhas nas comunicações envolveram as quatro principais operadoras a operar em Portugal (MEO, NOS, Vodafone e Nowo) com interrupções registadas em Coimbra, Faro, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Viseu e Castelo Branco.
Quais foram os serviços afetados?
Os danos provocados pelo vento forte e pela queda de árvores e infraestruturas comprometeram redes fixas e móveis, deixando milhares de clientes sem acesso a chamadas, internet e televisão. A situação revelou-se mais grave em zonas onde os cortes de eletricidade se prolongaram, agravando o impacto nas telecomunicações.
A ANACOM mantém o acompanhamento da situação e está em contacto permanente com as operadoras, enquanto decorrem trabalhos de reposição dos serviços nas áreas mais afetadas.
Quais são as regiões que ficaram sem luz?
Além das falhas nas comunicações, a tempestade Kristin causou cortes generalizados no fornecimento de energia elétrica. Segundo a E-Redes, por volta das 6h00 da manhã o número de clientes sem eletricidade atingiu o pico de cerca de um milhão.
Às 10h00, permaneciam ainda 686 mil pessoas sem energia, sobretudo nos distritos da Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal. Assim sendo, para responder à situação, a E-Redes mobilizou 1200 operacionais no terreno, com equipas distribuídas pelas zonas mais afetadas.
O que disse o governo?
Num comunicado oficial, o Governo classificou a tempestade Kristin como “um evento climático extremo”, responsável por danos significativos em várias regiões do país. Ainda assim, o Executivo sublinhou que os efeitos foram mitigados graças aos avisos atempados da Proteção Civil e à postura prudente da população.
“As operações de reposição estão em curso e estão a ser desenvolvidos todos os esforços para restabelecer a normalidade, nomeadamente no fornecimento elétrico, nas vias de comunicação e nos meios de transporte”, refere o comunicado. Até ao momento, o último balanço oficial aponta para cinco vítimas mortais associadas aos efeitos da tempestade.
O mau tempo teve também um impacto significativo nos transportes ferroviários e rodoviários. A circulação de comboios de longo curso na Linha do Norte, entre Porto e Lisboa, foi suspensa, assim como o serviço do Metro Mondego, em Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã.
Na rede rodoviária, registou-se o corte do IP4 na serra do Marão. Mas também condicionamentos em vários troços das autoestradas A4, A24 e A7, na zona de Vila Real. A queda de uma árvore sobre a linha da Fertagus, que liga Lisboa a Setúbal pela Ponte 25 de Abril, obrigou à circulação em via única entre Palmela e Pinhal Novo, provocando atrasos significativos.
O que vai acontecer nos próximos dias?
Apesar da melhoria gradual em algumas regiões, as autoridades mantêm a situação sob vigilância. Alertam para a possibilidade de novos constrangimentos enquanto prosseguem os trabalhos de reparação. Além disso, a chuva e mau tempo no geral deverá manter-se nos próximos dias, pelo menos até ao início da próxima semana.
Assim sendo a tempestade Kristin volta assim a evidenciar a vulnerabilidade das infraestruturas face a fenómenos meteorológicos extremos, cada vez mais frequentes em Portugal.

