© Foto de David Passos

Quem esteve no Parque da Cidade na madrugada de 14 de junho sabe que não assistiu a um concerto normal. Assistiu a algo mais próximo de uma confissão coletiva em forma de punk rock e saiu de lá diferente. Alguns até podem ter saído com mazelas da energia que foi gerada.

No entanto o “problema” estava instalado antes de os ingleses subirem ao palco. Os Massive Attack tinham acabado de apresentar um espetáculo musicalmente magistral mas visualmente pesado.

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Isto porque houve dados sobre mortes no Médio Oriente e imagens de conflitos a sobreporem-se às músicas.

O público estava intacto emocionalmente, mas à espera de qualquer coisa que o fizesse respirar. Ou explodir.

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Foi o que aconteceu no outro laod do Parque da Cidade, quando os IDELS deram o melhor concerto do festival, quiça, um dos melhores do ano em Portugal.

Para quem não sabe, a música e a política andam juntas

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© Foto de David Passos

Às 00h50 apagaram-se as luzes no palco Vodafone. Ouviu-se a bateria. Depois as guitarras. E o Parque da Cidade deixou de ser um festival.

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“Levitator” abriu o concerto e bastaram trinta segundos para perceber que isto não ia ser passivo. Joe Talbot apareceu em palco com aquele ar de boxeur sentimental e pregador cansado que é a sua marca registada.

Ao lado, Mark Bowen de fato de lantejoulas tocava como quem sabe que o ridículo pode ser uma forma de liberdade. E liberdade não faltou no concerto.

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“Never Fight a Man With a Perm” chegou cedo e foi recebida como uma velha canção que continua atual. “Mother” soou como um juramento.

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Entre músicas, Talbot gritou “Free, free Palestine” e milhares de gargantas responderam sem hesitação.

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Além disso, milhares também gritaram contra o “líder” do partido português de extrema direita. Porque afinal, como Joe Talbot, o nosso país é feito dos emigrantes.

Uma massa humana de energia a mil

primavera sound porto idles
© Foto de David Passos

Foi com “Mr. Motivator” que o recinto entrou em estado de puro caos. Copos pelo ar, desconhecidos abraçados, seguranças muito, mas mesmo muito, chateados. A segurança até teve de ser reforçada e os fotojornalistas tiveram de abandonar mais cedo.

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Do início ao fim, mais de 30 pessoas passaram pela barreiras depois de um belo crowdsurfing à moda antiga.

As canções dos IDLES não são reproduzidas ao vivo, são transformadas em algo único. Alongam-se, aceleram, ficam mais sujas.

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O baixo empurra tudo para a frente e as guitarras produzem uma torrente que parece, ao mesmo tempo, destruição e celebração.

Houve também espaço para um momento mais íntimo. Antes de “The Wheel”, Talbot pediu ao público que partilhasse os seus sentimentos com alguém. “Pode salvar a vossa vida ou a vida de outra pessoa.”

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Seguiram-se “I’m Scum”, “Danny Nedelko”, “War”, “Rottweiler” e mais. Quase uma hora e meia de concerto que juntou várias gerações à volta da mesma urgência.

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Assim sendo foi o décimo concerto dos IDLES em Portugal em oito anos, um número que diz tudo sobre a relação da banda com o público português. No fim, Talbot foi direto: “Nós somos os IDLES e vocês foram perfeitos.”

Com os IDLES, a mensagem política estava claramente presente entre os artistas do Primavera Sound Porto. Pela libertação da Palestina, contra o algoritmo e contra os fascistas.

E, ainda bem, que tudo aconteceu no Primavera Sound Porto, onde o público vai pela música e pela celebração da vida. E não porque é trend para publicar no TikTok.

O Primavera Sound Porto 2027 já tem datas, de 10 a 13 de junho. Além disso, quem guardar a pulseira deste ano garante desconto nos bilhetes early bird.


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