Haunting Adeline (Audiobook), a crítica
“Haunting Adeline” é um livro que anda constantemente a aparecer-me em todo o lado, sejam notícias ou vídeos do BookTok. Assim, lá peguei no meu crédito mensal da Audible para dar uma chance à polémica e popular obra de H. D. Carlton.
Nota Editorial: A crítica refere-se a um audiobook para maiores de 18 anos. Além de mencionar temas como a violência sexual, possui diversas cenas explícitas. Pedimos cuidado se decidires prosseguir com a leitura, ainda que não sejam usados termos ou descrições +18 no artigo.
Haunting Adeline viaja entre personagens e gerações
Contrariamente ao que infelizmente acontece em muitos Dark Romances, a história não segue o milionário que decide raptar a jovem bonita por quem se “apaixona”. Esta é a razão porque tendo a ficar-me pelo género da Fantasia (“ACOTAR” precisamos do teu regresso rápido). Mas “Haunting Adeline” foi uma surpresa agradável.
“Haunting Adeline” segue Adeline Reilly (The Manipulator ou A Manipuladora), uma escritora independente, que se muda para a mansão da avó. Aqui ela depara-se com uma verdade cruel sobre o passado da sua família. A bisavó, a bela e energética Gigi, é assassinada no seu quarto. E o culpado? Ninguém sabe. O caso continua aberto por falta de provas mas desvendar um mistério da década de 1940 será um desafio.
É nesta mansão, conhecida por ser assombrada, que Adeline vê pela primeira vez a sua sombra. Zade Meadows é o líder de uma organização de hackers chamada “Z”, que tem como objetivo desmantelar redes de tráfico humano. Assim, seguimos Zade (The Shadow ou A Sombra), entre os tormentos a Adeline e as suas missões, incluindo o grande propósito pessoal de acabar com a Society, uma sociedade de milionários que sacrifica crianças e jovens.
Assim, “Haunting Adeline” de H. D. Carlton dá-nos uma espécie de Triple POV ou Perspetiva a Três. Enquanto Zade caça Adeline, e esta lida com as emoções contraditórias que os avanços lhe provocam, viajamos no passado através dos diários de Gigi – descobrimos os segredos da sua vida e desvendamos o seu destino.
Um Dark Romance verdadeiramente negro e romântico
Se lês ou ouves obras de Dark Romance então sabes que as fronteiras do consentimento e da moralidade são muitas vezes finas – e Zade ultrapassa todos os limites. Aqui não é apenas Adeline que se questiona sobre a sua sanidade no momento em que aceita os avanços do stalker. Nós leitores somos confrontados com essas mesmas perguntas.
Claro, vale sempre a pena relembrar aquele facto “chato” mas necessário. “Haunting Adeline” trata-se de ficção. Na vida real, evita perseguires pessoas nas próprias casas ou invadires a sua privacidade sem consentimento! A não ser que sejas o Zade… Não há problema se fores o Zade. Ou o Josh de “Lights Out“… De resto, fora!
H. D. Carlton escreve de forma bastante gráfica mas não menos sensual. A melhor cena de todas infelizmente não tenho como descrever mas, se conheces “aquela” cena de Josh em “Lights Out”, então prepara-te pois Zade ultrapassa todos os limites. Se não sabes a que me refiro, bem… Vais ter uma grande surpresa e talvez um bocadinho de choque.
A verdade é que Zade está de facto numa linha moralmente mais preta do que cinzenta. É fácil compreender a polémica por detrás da obra, bem como os questionamentos de Adeline. Ela diz não, tenta empurrar Zade ou escapar-lhe. Mas, como o próprio Stalker diz, o corpo dela trai-a de forma constante. Ela não lhe consegue resistir, não importa ou quão terrível ele é.
Contudo, em “Haunting Adeline” não estamos perante uma “dama inocente” que acaba por aceitar tudo sem luta. Adeline vai dar o tudo por tudo para se salvar, tornando a caça entre gato-rato mais emocionante e deixando-te com vontade de saber o que vai acontecer a seguir.
De Momentos Relaxantes a cenas de Perseguição
Algo que notei em “Haunting Adeline” é o facto da narrativa passar fluidamente entre momentos relaxantes e calmos, a cenas de agitação emocional e perseguição. Os dias de Adeline são ocupados a trabalhar ou a desvendar o mistério de Gigi, mas as noites são diferentes.
A expressão “IICYIFY” tem corrido as redes sociais, em especial o TikTok, e há diversas razões para isso. Zade tem alguma paciência inicial mas esta é curta. “Run little mouse” é uma das frases que me vai ficar na memória, juntamente com o icónico “If I Catch You, I F*** You”. Entendedores, entenderão.
A aflição de Adeline é real e constante, mas também o desejo que não a deixa escapar realmente. Dando ainda as provas de que Zade precisa para continua a caçar o seu pequeno rato.
A adaptação a Audiobook e o Dual POV
Como quase sempre, o audiobook de “Haunting Adeline” tem a grande vantagem de te levar para dentro da história. A aflição de Adeline enquanto caçada, a voz trémula de Gigi, a sedução irresistível de Zade.
A versão que ouvi tem apenas Teddy Hamilton e Michelle Sparks na adaptação. Contudo, a edição atual inclui Tempest Mensah e Grayson Owens como personagens secundárias. Por exemplo, Tempest Mensah interpreta Gigi e Daya, a melhor amiga de Adeline. O mesmo acontece no audiobook da sequela “Hunting Adeline”.
É engraçado pois o último audiobook que ouvi foi “Toxic: A Dark Romance” de Nicole Blanchard, e a protagonista é também interpretada por Michelle Sparks. Mais engraçado ainda, não me apercebi até escrever esta crítica. Reouvindo, a voz de Tessa é claramente uma “Gigi mais nova”. É inegável que Michelle Sparks é uma boa narradora, adaptando a sua voz à personagem.
Além de conseguir uma “voz de avó” perfeita para Gigi, Michelle Sparks consegue capturar e lançar para nós todo o turbilhão de emoções que vão na cabeça de Adeline. Do medo inicial e à violação da sua privacidade (domiciliária e íntima), até ao desejo e à curiosidade mórbida em continuar o caso com o seu Stalker.
Já Teddy Hamilton é a primeira vez que ouço. O narrador de “Haunting Adeline” transmite todos os lados de Zade, desde a sua preocupação com as vítimas que salva, à fúria perante aqueles que as maltratam. Também o desejo incontrolável de perseguir Adeline, a sua certeza quase animalesca de que será sua. Claro, ele alcança ainda a sedução da Sombra, algo fundamental para aceitarmos os seus atos mais… questionáveis.
Para terminar, preciso notar que apesar da sequela parecer ter alguns efeitos sonoros, isso não acontece com o primeiro livro. A versão do audiobook, com Michelle Sparks e Teddy Hamilton, é limpa e simples.
Onde posso comprar Haunting Adeline?
A versão audiobook em inglês pode ser encontrada na Audible. Se preferes o formato físico, o livro na sua língua original e em Português Europeu está disponível na Wook.
Haunting Adeline
Crítica
- Uma delicia para os fãs do Dark Romance, em especial da dinâmica Cat & Mouse. Zade é um protagonista bruto mas bem desenvolvido, com uma vida à parte da sua obecessão – e uma missão moral. Já Adeline não é uma “vítima” do seu stalker, mostrando personalidade e garra.
Overall
8/10User Review
( votes)Pros
- Um Dual POV bem trabalhado, com personagens bem construídas, com objetivos claros além do romance;
- A adição dos diários de Gigi para contar a sua história e fazer um paralelo com a situação de Adeline;
- Existência de personagens complementares que acrescentam sem se tornarem banais ou esquecíveis;
- Bastante spice para todos os gostos.
Cons
- Repetição de frases ou ideias muito juntas, como se a autora tivesse medo que o leitor se esquecesse de informação importante;
- O vai não vai de Adeline torna-se um bocadinho frustrante no final mas sem ser um grande contra.

