Stuart Fails To Save The Universe T1, a Crítica | O mundo alternativo da Teoria do Big Bang está na HBO Max Portugal

© Colin Remas Brown/HBO Max
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Estreou no passado mês de julho no catálogo da HBO Max em todo o mundo a série “Stuart Fails to Save the Universe” (2026-, Chuck Lorre, Zak Penn e Bill Prady). Trata-se do quarto ‘spin-off’ da série “A Teoria do Big Bang” (2007-19, Chuck Lorre e Bill Prady) e, ao contrário do que é comum no streaming, cada episódio estreou semanalmente na plataforma, ainda assim uma característica comum da HBO Max.

Já renovada para uma segunda temporada, analisamos a primeira temporada da série que nos apresenta um mundo bastante diferente da sua série-mãe, embora haja, claro, relações.

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Qual a narrativa de Stuart Fails to Save the Universe?

A nova série da HBO Max “Stuart Fails to Save the Universe” centra-se na personagem Stuart Bloom (interpretado por Kevin Sussman), um vendedor de revistas de banda desenhada que tem a sua própria loja. Sendo uma das personagens secundárias de “A Teoria do Big Bang”, Stuart ganha aqui um destaque como protagonista.

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Nesta série, Stuart fica com a missão de salvar o universo, depois de estragar um aparelho que os seus amigos cientistas Sheldon Cooper, Leonard Hofstadter e Howard Wolowitz criaram. Ao longo dos episódios, Stuart viaja por diferentes versões de universos cada uma mais estranha do que a outra.

Uma premissa interessante mas difícil de sustentar

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Não é fácil fazer a análise de uma temporada inteira de uma série como “Stuart Fails to Save the Universe” onde cada episódio acaba por ter uma apresentação bastante diferente entre si e a continuidade da história nem sempre é o objetivo principal…

Esta é, possivelmente, uma das séries onde o grande criador de comédia televisiva norte-americana Chuck Lorre mais arriscou nos últimos anos.

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Dito isto, tive alguns sentimentos mistos mediante cada episódio que ia vendo semanalmente. A saber, considero que há episódios onde o seu ‘mood’ é um pouco melhor tratado e noutros onde fica um pouco mais aquém.

Primeiro episódio – um apocalipse de universos

STUART FAILS TO SAVE THE UNIVERSE HBO max
©HBO Max

A série “Stuart Fails to Save the Universe” abre logo num universo alternativo. Não assistimos ao acontecimento que levou a esta consequência, embora o mesmo seja explicado pelo Stuart do universo ‘normal’ ao Stuart deste novo universo apocalíptico.

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Em todos os episódios da série, vamos sentindo ligeiramente que parece estarmos a caminhar para o abismo, algo que também é confirmado pelo genérico de abertura que tem sempre pequenas diferenças de episódio para episódio. Este genérico, inclusive, levanta suspeitas de que tenha sido criado por inteligência artificial, embora o mesmo não tenha sido confirmado (nem desmentido) pelos criadores da série.

Neste 1.º episódio, há um ‘confronto’ de universos. A série começa de forma inconsciente para o nosso protagonista, visto que o universo que ele habita é o universo normal para ele. Até que aparece o Stuart ‘real’ e lhe explica tudo.

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Este 1.º episódio acaba por ser aquele que melhor se liga com a realidade do mundo que habitamos hoje, com conflitos. Ainda que a ficção não tenha de ser igual à realidade, acaba por ser o episódio com que sentimos mais familiaridade. Um bom início de série que conta ainda com o regresso da personagem Raj (Kunal Nayyar) de forma algo surpreendente.

Classificação: 7.5/10

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Segundo episódio – um mundo autoritário

No segundo episódio de “Stuart Fails to Save the Universe” sentimo-nos num mundo orwelliano. Assim, todas as personagens são educadas a seguir leis restritas que não podem ser abandonadas.

Neste universo as pessoas são obrigadas a ser felizes e, se não forem, são eletrocutadas. Há um seguimento lógico face ao episódio anterior, algo que, aliás, acontece praticamente ao longo da série. Ou seja, o episódio começa no universo onde o anterior terminou. Neste episódio há ainda uma participação especial de Christine Baranski (que, na série-mãe, era a mãe de Leonard, mas, aqui, participa como ela própria) e ainda de Penny (Kaley Cuoco) e Zack (Brian Thomas Smith).

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Classificação: 7/10

Terceiro episódio – Tudo é magia em Stuart Fails to Save the Universe

Considero que o terceiro episódio de “Stuart Fails to Save the Universe” é um dos mais fracos da temporada, senão o mais fraco.

Aqui, inicialmente, a ciência é vista como um problema e tudo é resolvido por magia. Até que, por fim, a multidão considera o cientista Bert (Brian Posehn) também mágico… Por fim, há as participações especiais de Wil Wheaton (que participou também na série-mãe) e de Bernadette (Melissa Rauch) que, aqui, se transforma numa bruxa que praticamente desaba este universo. Uma mistura de “Harry Potter” com um mundo apocalíptico. Um argumento algo forçado em vários aspetos…

Classificação: 5/10

Quarto episódio – Stuart Fails to Save the Universe num hospital psiquiátrico

Já o quarto episódio de “Stuart Fails to Save the Universe” mostra algum potencial mas que está um pouco sub-aproveitado…

Neste universo, a participação especial é de Amy Farrah Fowler (Mayim Bialik) que surge como médica, algo que até é bastante credível. Aqui, Stuart vai ficando cada vez mais preso e menos consciente do seu problema de ter de salvar o universo.

Este episódio é um pouco diferente dos restantes episódios da série visto que metade da história é dentro do hospital psiquiátrico e a outra metade fora dele. No entanto, nessa segunda parte, estamos perante um universo ‘colorido’ onde tudo está feliz (semelhante ao 2.º episódio) mas sem o supercomputador a queimar-nos a consciência. É, depois, uma revista de banda-desenhada que torna Stuart consciente da sua ‘condição’. No entanto, a saída deste universo é mais complicada e ficam presos entre universos até, realmente, irem parar a um universo selvagem.

Falta alguma exploração do hospital psiquiátrico e a inclusão de diferentes premissas torna este episódio também algo frágil.

Classificação: 6/10

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Quinto episódio – Ninguém nasce ensinado…

Chegando ao quinto episódio de “Stuart Fails to Save the Universe” estamos num universo mais ‘humano’ e ‘simplista’. Neste aspeto, recuámos vários séculos para um universo onde tudo (ainda) é primitivo e o amor é mais amizade do que uma relação séria de compromisso.

No entanto, tudo desaba neste ‘simples’ mundo quando Barry lhes ensina as leis contemporâneas onde cada coisa tem o seu dono… E, em consequência, este é outro universo que fica num caos provocado pelos 4 amigos. Não há esperança para a humanidade…

Classificação: 7/10

Sexto episódio – As pessoas também são animais

O sexto episódio de “Stuart Fails to Save the Universe” mantém um carácter semi-realista, com um pormenor importante: os humanos comem flores, relva, etc. Enfim, todo o tipo de verduras e nada de carne e peixe.

É um universo tão agradável que Stuart e Denise (Lauren Lapkus) querem manter-se ali. Barry (John Ross Bowie) e Bert ficam ‘presos’ no abismo, enquanto Stuart e Denise se cruzam com outra versão de Raj. O Stuart ‘real’ visita este Stuart alternativo para lhe relembrar da sua missão. Por fim, depois de se juntarem no abismo, ‘caem’ num universo onde todos ouvem os pensamentos uns dos outros.

Classificação: 7/10

Sétimo episódio – Cuidado com o que pensas!

Stuart Fails to Save the Universe HBO Max
©HBO Max

A par do terceiro episódio, este sétimo capítulo de “Stuart Fails to Save the Universe” também é um pouco frágil.

Não havendo propriamente situações muito descaradamente estranhas, são os pensamentos das personagens que percorrem a narrativa. Será algo assim tão estranho? Não é algo que, na vida real, até gostaríamos de ter essa capacidade?

Não há propriamente grande criatividade neste episódio, a não ser na participação especial de Bernadette que, agora, é professora de ‘ballet’.

O episódio não melhora com o facto de, mais um vez, o final se passar numa transição de universos e as nossas personagens se cruzarem com outras versões deles próprios. Por fim, aterram num universo onde todos são centauros. Ou seja, metade homens, metade cavalos.

Classificação: 5/10

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Oitavo episódio – De centauros para uma guerra sangrenta

O grande erro do oitavo episódio de “Stuart Fails to Save the Universe” é o facto de não ter explorado o universo onde todos são centauros. É verdade que podia ser um mundo tão banal quanto o universo onde todos comiam só verduras, mas, ainda assim, para quê apresentarem um universo onde só ficamos nele 2 minutos?

Assim, logo na transição do genérico, chegamos a um universo onde todos estão em guerra. Algo semelhante ao universo do primeiro episódio com a diferença de que não é um mundo apocalíptico. Sinceramente, merecíamos algo mais e nem a Penny soldado salva o episódio que, por fim, termina num local onde uma entidade maléfica quer parar os 4 amigos que se veem presos numa revista de banda desenhada.

Classificação: 5/10

Nono episódio – Stuart está no seu próprio mundo mas como conseguirá escapar?

O nono episódio recupera o espírito de “Stuart Fails to Save the Universe” e da própria personagem protagonista.

Assim, neste universo Stuart está preso numa revista de banda desenhada. Ao entrar na história desta revista, o nosso protagonista cruza-se com personagens ficcionais como o The Flash e o Mr. Freeze. Embora este não seja de todo um mundo credível de super-heróis, este episódio é um dos melhores da série, já que a narrativa se cruza diretamente com o estado de espírito da personagem, amante e conhecedora de banda desenhada.

Num estranho confronto entre The Flash e Mr. Freeze, os nossos 4 amigos acabam por conseguir escapar para outro universo onde, de repente, flutuam no vazio.

Classificação: 7.5/10

Décimo episódio – um final algo banal mas que pode trazer uma reviravolta para a segunda temporada de Stuart Fails to Save the Universe

No último episódio da primeira temporada de “Stuart Fails to Save the Universe”, entramos no universo das ‘sitcom’. Embora, de repente, estejamos perante uma realidade bastante diferente dos episódios anteriores, na verdade, este é um território bastante conhecido para os criadores da série e onde acabam por brincar com esta forma de fazer televisão, quebrando por completo com a quarta parede.

Contudo, o que falha neste último episódio da temporada é o facto de que os 4 amigos chegam a este ‘universo’ de forma algo progressiva. Ou seja, embora comecem a flutuar no vazio, aos poucos sentem-se que estão num estranho mundo onde surgem risos falsos e a iluminação é alterada de forma abrupta.

Por fim, as nossas personagens cruzam-se com os atores que as interpretam. Acabamos por perder o rasto ao aparelho que transportava estas personagens entre universos e as personagens ficam a pensar no que é que é poderá ser real.

Ao saírem do estúdio, os criadores da série deixam-nos ainda outros potenciais ‘spin-off’ que deixam qualquer fã sob suspeita. Teremos em breve um “Dois Homens e Meio” (2003-15, Lee Aronsohn e Chuck Lorre) no feminino? Ou iremos visitar a infância de Leonard?

Um episódio fora do comum mas que, ainda assim, resulta. O que virá na segunda temporada?

Classificação: 6.5/10

Stuart Fails to Save the Universe

Conclusão

  • “Stuart Fails to Save the Universe” é o quarto spin-off de “A Teoria do Big Bang” e aquele que mais arrisca.
  • Cada episódio tem um ‘mood’ diferente e, por isso, alguns capítulos resultam melhor que outros.
  • No fundo, é uma série sobre o caminho da humanidade em direção ao abismo mas com algum olhar otimista, levantado sobretudo pelo universo dos super-heróis.
Overall
6.4/10
6.4/10
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