Este artigo contém spoilers sobre a minissérie “Carrie”
A Prime Video estreou uma nova versão de um clássico de terror: “Carrie”. A adaptação do romance de Stephen King, assinada por Mike Flanagan, estreou a 7 de outubro, com os oito episódios disponíveis de uma só vez.
No Rotten Tomatoes, a minissérie regista 84% de aprovação da crítica e 86% do público. Ainda assim, é a nota mais baixa de uma série de Flanagan no site. Apesar da aprovação de King, a série não está a agradar a muitos que leram o livro ou viram o filme de Brian De Palma.
Assim, reunimos as cinco críticas mais duras à versão de Mike Flanagan.
1. Uma série que “parece menos uma homenagem e mais uma traição” a Stephen King

A Discussing Film é das críticas mais duras e acusa Flanagan de não perceber a tragédia da história original. Para o site, a versão da Prime Video acaba por parecer “menos uma homenagem e mais uma traição ao que veio antes”. O texto vai mais longe e diz que a série revela os “piores impulsos narrativos do criador”.
A crítica defende ainda que Flanagan é demasiado sentimental para adaptar o romance de 1974 e que Carrie White (Summer H. Howell) perde a sua capacidade de decisão ao longo da história. Para a publicação, o livro de King simplesmente não é o veículo certo para a mensagem que o criador quer passar.
2. Modernizar não chega: “uma recontagem superficial e aborrecida” do clássico de Stephen King
A Free Press Journal, da Índia, também não ficou convencida. É apenas “um recontar superficial e aborrecido do clássico de Stephen King”. O crítico acusa os realizadores de acharem que basta modernizar uma história para a tornar interessante, e acrescenta que deviam ter visto o filme de De Palma e tomado notas. Por fim, considera mesmo que “roubaram a alma” ao clássico.
3. Perda de identidade: a telecinese de Carrie é mais Stranger Things que King
A Inverse elogia a série quando se mantém fiel a Carrie White, mas diz que é nos elementos novos que Flanagan se perde. O pior momento é a relação entre a protagonista e Emaline (Thalia Dudek), personagem criada para a série, que leva Carrie a uma sucata para treinar os poderes.
Para a publicação, a cena tem “um pouco de Eleven (Millie Bobby Brown) a mais e de Carrie White a menos”. A crítica considera que o tom se afasta do drama de King e se aproxima de uma série de poderes para adolescentes como “Stranger Things”.
4. Um final que apaga a tragédia de Stephen King

Emaline (Thalia Dudek), personagem criada para a série, ajuda Carrie White a treinar os poderes. No baile, depois de Carrie matar Tommy Ross (Joel Oulette) por acidente, Emaline () oferece-se para tomar o controlo e Carrie (Summer H. Howell) deixa-a assumir o controlo. É assim Emaline a grande responsável pelas mais de 200 mortes que se seguem. No livro, Carrie morre. Na série, sobrevive e foge com Emaline, num final que deixa a porta aberta a uma segunda temporada.
A Bloody Disgusting nota que a protagonista acaba “mais marioneta passiva do que tragicamente empoderada”.
Além disso, segundo a publicação, a série passa tanto tempo com os colegas e os professores que quase se esquece de fechar a história, e despacha o baile para deixar pistas para o futuro. Ademais, Flanagan já admitiu que o seu cenário ideal é continuar a história durante mais duas temporadas.
Onde ver Carrie no streaming?
A minissérie “Carrie” está disponível na Prime Video desde 7 de outubro, com os oito episódios. Não é a primeira vez que o livro chega ao ecrã. O título mais célebre continua a ser o filme de Brian De Palma, de 1976, que valeu uma nomeação ao Óscar a Sissy Spacek e Piper Laurie. Também pode ser visto na Prime Video.
Finalmente, a nossa Inês Fonseca não subscreve nenhuma destas críticas. No seu texto para a MHD estamos perante “uma adaptação envolvente, com uma protagonista muito bem interpretada e uma atualização pertinente de temas que continuam a marcar a sociedade”. A redatora afirma ainda que “para quem conhece a obra original, há novas ideias para descobrir; para quem chega agora, “Carrie”, é uma história que começa muito antes de qualquer fenómeno sobrenatural”.


