A Netflix continua a renovar o catálogo com grandes lançamentos. Nos últimos tempos, a plataforma recebeu “Cartas de Redenção“, “Instinto Animal” e “A Quiet Place“. Agora, prepara-se para receber um dos melhores filmes de 2026.
Oito anos depois de “Em Chamas” (“Burning”) Lee Chang-dong regressa com “O Amor Possível” (“Possible Love”) a 6 de novembro.
Qual é o enredo de O Amor Possível?
“O Amor Possível” acompanha dois casais com vidas opostas. De um lado, Ho-seok perdeu o emprego e tenta sustentar a mulher, Mi-ok. Do outro, Ye-ji realiza documentários e vive com o marido, Sang-woo.
Os caminhos cruzam-se quando a cineasta decide filmar trabalhadores despedidos. Mi-ok aceita aparecer no documentário e aproxima-se de Ye-ji. Essa amizade cria uma fricção incómoda. Aos poucos, abala os dois lares e expõe desejos que ninguém admitia.
O filme abre com o mandamento “Não cobiçarás”. A ligação não é casual. O projeto nasceu de uma iniciativa que pretendia adaptar o “Decálogo” de Krzysztof Kieślowski ao grande ecrã. Segundo Lee, o filme acabou por não adaptar nenhum episódio, mas continua ligado a um dos mandamentos. O próprio realizador explica ainda que o título funciona como uma pergunta paradoxal. A maioria das histórias de amor fala de um amor difícil de alcançar. Lee quer saber que amor é realmente possível e que valor tem.
O argumento tem assinatura de Lee Chang-dong e Oh Jung-mi.
Quem faz parte do elenco
Jeon Do-yeon ( “Secret Sunshine”) interpreta Mi-ok, enquanto Sul Kyung-gu (“Good news”) dá vida a Ho-seok.
Cho Yeo-jeong (“Parasitas“) interpreta a documentarista Ye-ji. Por fim, Zo In-sung (“Moving” completa o quarteto no papel de Sang-woo.
Que prémios já ganhou a nova aposta da Netflix?
O filme estreou-se em competição na 83.ª edição do Festival de Veneza. A sessão terminou com uma ovação de mais de seis minutos. A 12 de setembro, ganhou o Leão de Prata, o Grande Prémio do Júri.
Depois de Veneza, “O Amor Possível” passou pelos festivais de Toronto e de Nova Iorque. Entretanto, a Coreia do Sul escolheu-o como candidato ao Óscar de Melhor Filme Internacional. A Netflix aposta numa forte numa campanha de prémios e, por isso, garante a estreia em sala em vários mercados.
O que diz a crítica sobre O Amor Possível?
No Rotten Tomatoes, o filme tem 100% de críticas positivas. No Metacritic, a média é de 93.
O The Hollywood Reporter elogia a observação humanista de Lee e escreve que o realizador mantém a sensibilidade no auge. Por outro lado, o The Guardian descreve uma obra “novelesca” , que trata o espectador como inteligente.
As reservas aparecem sobretudo na duração, de quase três horas. Alguns críticos notam que o ritmo exige paciência. O Wall Street Journal considera que o filme não atinge o nível dos melhores trabalhos do realizador, mas reconhece-lhe uma força que cresce ao longo da ação.
Por fim, o nosso José Vieira Mendes teve a chance de experienciar o filme em Veneza e não teve dúvidas: “É Lee Chang-dong no seu melhor”. O autor nota que a longa-metragem é “profundamente política sem transformar personagens em panfletos, humanista sem distribuir certificados de bondade e cruel sem deixar de acreditar, contra todas as evidências, que talvez continue a existir qualquer coisa a que possamos chamar amor”.



