Entre os dias 9 e 17 de outubro, decorre em Seia a 32.ª edição do CineEco, um festival que se centra no melhor do cinema ambiental à escala internacional. Entre os filmes exibidos, não em competição mas numa sessão especial com o debate em mente, encontrámos “Pantanal”, uma obra de Sofija Korf.
Do Brasil para Seia com Pantanal
“Pantanal”, filme que se viu terminado em 2025, é uma pura obra de intervenção louvável, criada a partir de uma vontade clara: a de conhecer uma área amada e idealizada. Tudo começa em 2020, quando a bióloga brasileira Luciana Leite decidiu finalmente visitar o Pantanal, um bioma extraordinário localizado no Brasil, numa área imensa que equivale ao espaço ocupado por vários países europeus.
O Pantanal é a maior área húmida tropical do planeta e um extraordinário santuário de biodiversidade. Contudo, a força motriz que motivou a realização de “Pantanal” foi a realidade com que Luciana Leite se deparou. As imagens do idílico e belo espaço natural com que tanto havia sonhado foram breves e deturpadas por uma realidade muito difícil.
A realidade de incêndios florestais imensos, capazes de destruir grande parte da vegetação e biodiversidade animal desta ampla extensão de território que, apesar de protegida, se encontra francamente exposta a um grande número de perigos.

É muito importante dizer que, Luciana e o seu parceiro de viagem, Heideger, não se limitaram a documentar esta tragédia. Tal já seria suficientemente meritório mas, na realidade, a dupla foi bem mais longe, tentando balizar as circunstâncias humanas que levaram a esta calamidade natural.
CineEco promove debate e busca de soluções
O que descobriram não é de pouca importância, relacionando os interesses humanos e a força agrícola que, nas áreas circundantes do Pantanal, acabam por pôr em causa a sua sobrevivência. E embora seja difícil encontrar soluções eficazes para um problema que se tem vindo a agudizar e se prende com interesses de grande escala, Luciana e companhia de tudo aqui fazem para garantir que este bioma tem futuro.
Há que dizer que esta obra vai além da arte do cinema, promovendo a mudança efetiva. E para quem tenha interessa em ajudar, ou simplesmente saber mais, fica a ligação para a defesa ativa deste bioma no “mundo real”.
Mas, além de se aflorar como cinema de investigação e de intervenção extremamente pertinente, “Pantanal” é ainda uma obra belíssima, filmada com uma mente que prima pela simplicidade mas também pela beleza captada pelas lentes.
É um filme que evoca o melhor dos documentários da BBC ou da National Geographic, sem se limitar a captar uma realidade, procurando intervir na mesma. E, precisamente por isso, “Pantanal” é um filme perfeito para lançar o mote para a discussão no CinEco. E, como bónus, a sua componente humana e emocional é também aguçada e hábil.
A obra foi exibida no contexto deste 32.º CineEco, em Seia, no Auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia e no dia 14 de outubro. Nesta sessão marcaram presença a cineasta e ainda Gonçalo Pereira Rosa, Diretor da National Geographic Portugal e Espanha.
O CineEco permanece em Seia até ao próximo dia 17 de outubro, partilhando, nesta sua 32.ª edição, o melhor das obras documentais focadas no ambiente.
Pantanal, a Crítica
Conclusão
“Pantanal” é uma obra documental muito completa: é curta e sucinta, consegue emocionar com rapidez e não só retrata uma realidade difícil como enquadra, de forma analítica e correta, uma forma de entender as suas causas e o que pode ser feito para reverter os seus efeitos devastadores.



