Comprar um set LEGO fechado e vendê-lo anos depois por muito mais do que pagaste parece uma boa ideia, mas nem sempre resulta. Há muitos fatores a ter em conta.
Há dados que mostram retornos acima dos de muitos investimentos tradicionais e outros que mostram sets a venderem-se com prejuízo. Antes de começares a guardar caixas em casa, convém perceber o que está em jogo.
O número que mais se ouve vem de um estudo da Higher School of Economics, em Moscovo, que analisou os preços de 2322 sets fechados, lançados entre 1987 e 2015.
A conclusão foi que os sets retirados valorizaram em média 11% por ano, mais do que o ouro, e até as ações. Descontando a inflação, o retorno desce para cerca de 8%, segundo uma análise da BrickNerd.
Valorizam sobretudo os sets fechados, em perfeito estado, que já saíram de catálogo ou foram produzidos em edições limitadas.
O estudo concluiu que os sets muito pequenos e os muito grandes tendem a valorizar mais depressa do que os de tamanho médio.
Entre os mais valiosos estão os de Star Wars, como o Millennium Falcon, a Death Star II e o Imperial Star Destroyer. A licença também conta.
Ou seja, os dados da BrickEconomy indicam que os sets de Hobbit e Senhor dos Anéis valorizaram entre 13% e 14% ao ano entre 2010 e 2023, contra 8% a 9% dos de DC e Toy Story.
Quais são os riscos de comprar LEGO para revender?

Assim sendo, só compensa a mais de três anos e que os custos de entrega e armazenamento são mais altos do que num investimento financeiro.
É preciso esperar dois a três anos depois de o set sair de catálogo, e a variação é enorme, de valorizações de 600% ao ano a desvalorizações de 50%.
Assim sendo, a BrickNerd notou ainda que o estudo ignora os sets que não se chegam a vender. Numa análise de 2022, dois terços dos sets retirados em 2021 estavam a ser vendidos com prejuízo, apesar de a média ser positiva.
Uma caixa amassada, um set que ainda se encontra nas lojas ou um modelo muito caro, mais difícil de revender, podem estragar as contas. O número de peças ou o tamanho da caixa também não garantem valorização.
Afinal, vale a pena?

No final de contas, o LEGO é pensado para um hobby, um passatempo e, para muitos, um pequeno momento de paz. No meio disto, há muitos colecionadores, com mais ou menos intensidade.
Por isso, quando há colecionadores dispostos a gastar muito, há também pessoas que querem vender. Assim sendo, é como uma moeda, há dois lados.
Nesse sentido, pode compensar em certos casos e se se tiver em conta as várias variáveis. Mas no final do dia, um set é muito mais que um simples investimento. Pode mudar a vida futura de uma criança e de milhões de pessoas.
Entretanto, já falámos do LEGO Star Wars UCS Millennium Falcon 75192, que está a ser descontinuado e custa 849,99 €, e do LEGO Dragon Ball Shenron & Goku (139,99 €).


