Há quem considere o vinil uma paixão nostálgica. Outros defendem que continua a ser uma das formas mais envolventes de ouvir música. Entre a magia de colocar a agulha no disco e a extraordinária engenharia dos melhores gira-discos do mundo, existe um universo fascinante de possibilidades.
O ressurgimento do vinil não se explica apenas pelo prazer de colecionar discos. A experiência física, as capas de grandes dimensões e o ritual de audição continuam a conquistar novas gerações.
Mas há também uma vertente tecnológica frequentemente ignorada: os melhores gira-discos são verdadeiras obras-primas de engenharia mecânica, concebidas para recuperar informação musical de sulcos com dimensões microscópicas.
Selecionámos seis propostas disponíveis através da Ajasom, distribuidora portuguesa de algumas das mais prestigiadas marcas internacionais de áudio. Uma viagem que nos leva do Japão à Suíça, passando pelo Reino Unido e pela Dinamarca, demonstrando como diferentes tradições industriais continuam a contribuir para transformar a reprodução musical numa verdadeira forma de arte (sonora).
São equipamentos para diferentes ambições e orçamentos, desde o primeiro investimento sério no vinil até ao território onde a engenharia de precisão se transforma numa forma de arte.
TEAC TN-5BB-M – O primeiro passo para o verdadeiro Hi-Fi

Nem todos os grandes prazeres musicais exigem investimentos astronómicos. A japonesa TEAC é uma das marcas veteranas da indústria de áudio, tendo desempenhado um papel particularmente importante no desenvolvimento de equipamentos de gravação e reprodução musical.
Através da sua divisão de referência, a Esoteric, tornou-se também um dos nomes mais respeitados na reprodução digital de CD e SACD, como já tivemos oportunidade de destacar no nosso anterior artigo dedicado aos melhores leitores de CD.
Agora, a marca demonstra que essa experiência acumulada também pode ser colocada ao serviço do vinil. O japonês TEAC TN-5BB-M, disponível por 1.699 euros, combina uma construção cuidada, estética clássica e soluções técnicas habitualmente associadas a equipamentos de categoria superior.
O sistema de tração por correia procura assegurar uma rotação estável e reduzir a transmissão de vibrações do motor ao prato. A estrutura rígida e o braço em S contribuem para uma leitura precisa dos discos.
Uma característica particularmente interessante é a presença de saídas balanceadas XLR, uma solução pouco habitual neste segmento. É uma excelente porta de entrada para quem pretende descobrir o vinil sem abdicar de exigência sonora.
Thorens TD 124 DD – Uma lenda do vinil regressa ao século XXI

Poucos nomes despertam tanta emoção entre os apreciadores de gira-discos clássicos como a suíça Thorens. Fundada em 1883, é uma das mais antigas marcas da indústria de áudio, com uma história profundamente ligada à evolução da reprodução analógica.
O editor destas linhas tem, aliás, uma ligação muito especial à Thorens. Há cerca de 50 anos, o seu primeiro gira-discos foi um magnífico TD 145 MkII, que continua a funcionar irrepreensivelmente em casa de um amigo. E não poderia estar em melhores mãos: o atual proprietário estima-o tanto como o seu Fiat 500 vintage!
O histórico TD 124 tornou-se uma referência incontornável, conquistando uma reputação que atravessou gerações. O moderno Thorens TD 124 DD recupera a identidade visual do original, mas substitui a antiga arquitetura mecânica por um sofisticado sistema de tração direta.
O motor de elevada precisão proporciona estabilidade de rotação, enquanto o braço TP 124 e o elevador elétrico acrescentam funcionalidade a uma construção de inspiração clássica. O equipamento dispõe ainda de ligações RCA e XLR, fonte de alimentação externa e compatibilidade com células Ortofon SPU. Para muitos entusiastas, representa algo mais do que um gira-discos: é uma oportunidade de possuir uma interpretação moderna de um verdadeiro ícone da história do áudio.
SME Model 8 – A precisão britânica ao serviço da música

A britânica SME é muito mais do que um fabricante de equipamentos de áudio. É um dos grandes expoentes mundiais da reprodução analógica e, para muitos audiófilos, um verdadeiro ex-líbris da engenharia aplicada ao vinil.
Fundada em 1946, começou por fabricar componentes mecânicos de elevada precisão antes de se tornar uma referência mundial na construção de braços de leitura e gira-discos. O SME Model 8 transporta essa filosofia para um equipamento de dimensões relativamente compactas, mas com uma construção extremamente rigorosa.
Equipado com o braço SME 309, procura assegurar uma leitura estável e um controlo rigoroso das vibrações indesejadas. A cablagem Crystal Cable constitui outro exemplo da atenção dedicada aos pequenos detalhes.
O Model 8 representa uma entrada particularmente interessante no universo dos gira-discos SME. Aqui, a sofisticação não se manifesta através de extravagâncias visuais, mas da precisão de cada componente. É engenharia britânica na sua expressão mais musical.
Bergmann Galder + Odin – Quando o gira-discos começa a levitar

E se fosse possível eliminar praticamente todo o atrito mecânico responsável por perturbar a leitura de um disco? É precisamente essa a filosofia da dinamarquesa Bergmann. O extraordinário Bergmann Galder + Odin utiliza um sistema de sustentação pneumática que permite ao prato flutuar sobre uma fina camada de ar.
Desta forma, reduz-se drasticamente o contacto mecânico e, consequentemente, uma importante fonte de ruído e vibrações. A solução torna-se ainda mais fascinante quando associada ao braço tangencial Odin, também sustentado por ar comprimido.
Ao contrário dos braços convencionais, que descrevem um arco durante a reprodução, o Odin desloca-se tangencialmente ao disco, procurando reproduzir a geometria utilizada no processo de gravação. O conjunto inclui compressor de ar, controlador do motor e uma estrutura de elevada massa e rigidez.
O editor destas linhas é, aliás, um feliz utilizador do Bergmann Magne, modelo imediatamente abaixo do Galder, no qual continua a rodar uma preciosa coleção de mais de 2.000 discos de vinil. O Galder + Odin representa uma das abordagens mais sofisticadas à reprodução analógica.
A promessa é simples de compreender, embora extraordinariamente difícil de concretizar: permitir que a agulha percorra o sulco com o mínimo possível de interferências mecânicas. Aqui, a física parece render-se à música.
SME Model 35 – A engenharia de precisão elevada à categoria de arte

Se o Model 8 representa a porta de entrada no universo SME, o Model 35 revela até onde pode chegar a filosofia de construção da prestigiada marca britânica. Estamos perante um equipamento concebido para minimizar vibrações, assegurar estabilidade mecânica e permitir que a célula fonocaptora recupere a informação musical com o máximo rigor.
O Model 35 utiliza o sofisticado braço SME Series Vi, com cablagem interna Crystal Cable e uma geometria cuidadosamente otimizada. A estrutura principal pesa aproximadamente 32 quilogramas, aos quais se acrescentam unidades externas de alimentação e controlo de velocidade.
Esta separação funcional procura afastar fontes de interferência dos componentes mais sensíveis. Mas o seu verdadeiro argumento não reside no preço ou na imponência visual. Está na extraordinária atenção dedicada a tolerâncias mecânicas, materiais, isolamento e estabilidade de funcionamento.
Num universo dominado pela miniaturização digital, o SME Model 35 recorda-nos que a engenharia mecânica continua a ter um papel fundamental na reprodução musical. É o equivalente audiófilo de um relógio suíço de alta precisão, construído em Inglaterra.
Nagra Reference Anniversary – O gira-discos de 212 mil euros que desafia os limites do possível

Quem não se recorda dos minúsculos gravadores de espionagem que povoavam os filmes da Guerra Fria, alguns suficientemente pequenos para caberem praticamente num maço de tabaco? Pois bem, alguns desses prodígios de miniaturização eram fabricados pela suíça Nagra, uma marca que se tornou lendária também pelos seus gravadores profissionais utilizados no cinema e na reportagem.
Décadas depois, a Nagra soube preservar essa extraordinária tradição de engenharia de precisão e reinventar-se como um dos nomes mais prestigiados do áudio High-End mundial. E se existe um equipamento capaz de simbolizar essa evolução, é precisamente o extraordinário Nagra Reference Anniversary.
Criado para celebrar os 70 anos da marca, este gira-discos representa uma das mais ambiciosas realizações da engenharia analógica contemporânea. Com cerca de 80 quilogramas e um preço de 212.000 euros, é um dos exemplos mais extraordinários daquilo que a indústria de áudio consegue produzir quando as limitações económicas deixam de constituir a principal preocupação.
A sua arquitetura incorpora um elaborado sistema de suspensão mecânica e hidráulica, concebido para isolar a leitura das vibrações provenientes do ambiente. A alimentação elétrica recorre a supercondensadores, uma tecnologia que procura disponibilizar energia com elevada estabilidade e capacidade de resposta.
O braço de leitura foi desenvolvido especificamente para este gira-discos, combinando materiais cuidadosamente selecionados com soluções mecânicas de extrema precisão. Tudo foi concebido como um sistema integrado, desde o controlo do motor até ao contacto microscópico entre a agulha e o sulco.
O resultado é uma impressionante demonstração de engenharia suíça, onde cada detalhe procura aproximar a reprodução musical da informação preservada na gravação original. Mais do que um gira-discos, o Nagra Reference Anniversary é uma declaração de amor à música e à engenharia de precisão. E também a demonstração de que, no universo do áudio de referência, os limites continuam a ser constantemente desafiados.
Dos 1.699 aos 212 mil euros: seis formas de viver a paixão pelo vinil

Seis gira-discos, seis filosofias e investimentos radicalmente diferentes. Do Japão à Suíça, passando pela Dinamarca e pelo Reino Unido, esta seleção demonstra também a extraordinária diversidade geográfica e tecnológica de uma indústria que continua a desafiar os limites da reprodução analógica.
Todos partilham o mesmo objetivo fundamental: transformar as minúsculas ondulações gravadas num disco de vinil numa experiência musical capaz de emocionar. Naturalmente, os equipamentos mais sofisticados oferecem soluções técnicas que procuram elevar a precisão, o silêncio de funcionamento e a recuperação de informação.
Mas a magia do vinil não depende exclusivamente do preço. Está também no prazer de escolher um álbum, retirar cuidadosamente o disco da capa, pousá-lo no prato e dedicar algum tempo exclusivamente à música. Numa época em que milhões de canções estão disponíveis instantaneamente, talvez seja precisamente esse ritual que torna o vinil tão especial.
Para quem pretende descobrir estas maravilhas da engenharia analógica, fica o convite para visitar o showroom da Ajasom, onde poderá conhecer de perto alguns destes equipamentos e informar-se sobre as possibilidades de audição.
A visita constitui ainda uma excelente oportunidade para explorar a extensa coleção de discos de vinil disponíveis para venda, incluindo edições audiófilas que representam o que de melhor se produz atualmente em matéria de prensagem e qualidade sonora. Porque, afinal, um grande gira-discos merece sempre uma grande gravação.


