A Emigrante, em análise

 

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  • Título Original: The Immigrant
  • Realizador: James Gray
  • Actores: Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner
  • ZON | 2014 | Drama | 120′

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“A Emigrante” é uma história interessantíssima sobre Ewa (Marion Cotillard), uma polaca que emigra para os Estados Unidos da América com a sua irmã, na esperança de encontrar uma vida melhor longe da guerra. Contudo, nem tudo acontece como esperava, e acaba por se prostituir para poder pagar aos EUA pelos cuidados da sua irmã, que fica de quarentena com tuberculose.

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O que faz com que esta história seja tão boa é a ambiguidade das personagens. O proxeneta de Ewa, Bruno (Joaquin Phoenix), é uma das personagens mais complexas, sendo completamente óbvio o amor que sente pela polaca, apesar de continuar a usar o corpo dela para ganhar dinheiro. E o que é ainda mais interessante é que Bruno deixa-nos um sentimento algo agridoce, pois apesar de ser uma pessoa detestável, uma parte de nós deseja secretamente que o seu amor seja correspondido, ou pelo menos que o seu sofrimento acabe. Apesar de Ewa insistir no seu ódio por Bruno, também esse sentimento é mais complexo do que parece. Existe uma gratidão, ainda que muito escondida, em relação ao homem que impediu com que fosse deportada, mesmo que este se tenha tornado mais tarde seu proxeneta.

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Uma decisão arriscada foi a de inserir um triângulo amoroso num filme que o dispensava. Emil (Jeremy Renner), primo de Bruno, é também seduzido pelos encantos de Ewa, o que leva a situações extremas entre os dois parentes. Contudo, apesar do potencial lugar-comum em que esta dinâmica se poderia tornar, o final é bastante surpreendente e inesperado, o que é satisfatório para quem deseja ver alguma originalidade.

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Um ponto negativo é que não se consegue sentir uma grande empatia pela personagem principal. Ewa é uma personagem mais simples e linear que Bruno, mas mesmo nos momentos em que poderia brilhar com a sua história, não o faz, e a responsabilidade não se encontra em Marion Cotillard, que desempenha o seu papel de forma brilhante. É simplesmente uma questão de como a personagem foi criada, e o facto de Bruno ser uma personagem infinitamente mais interessante também não ajuda. No final, fica um desejo de saber mais sobre Bruno, e alguma indiferença em relação ao passado e futuro de Ewa.

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Os atores são fenomenais, e todos eles contribuem bastante para o sentimento geral do filme. Não existe nenhuma personagem dispensável, por assim dizer, todas elas trazem mais profundidade à história. No entanto, Joaquin Phoenix é a estrela, sem qualquer dúvida. A forma como traz ao de cima toda a complexidade de Bruno é divinal, e algo que faz com que este seja um filme a não perder.

Em resumo, “A Emigrante” é uma excelente história para quem goste de subtileza, ambiguidade, e personagens complexas.

SL

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