Por falar em Boyhood | 12 filmes imperdíveis sobre a juventude (II)

“Boyhood – Momentos de Uma Vida”é a mais recente longa-metragem de Richard Linklater, filmada ao longo de 12 anos com o mesmo elenco. Em comemoração da sua estreia, a Magazine.HD sugere outros 12 filmes imprescindíveis na história do Cinema que são autênticas cápsulas do tempo, tal como é “Boyhood”.

Fiquem com seis filmes restantes:

Toy Stoy 3 / Toy Story 3 (2010), de Lee Unkrich

Toy Story 3

Para quem cresceu a ver “Toy Story” repetidas vezes, percebe o porquê do terceiro filme estar aqui presente. Observar a jornada de Andy, ainda que esta esteja quase sempre escondida do nosso campo de visão, é  fazer o devido paralelismo com a nossa própria jornada. A cena da despedida de Andy de Woody, Buzz e companhia é uma nostálgica despedida da bela infância, da nossa infância. Mas é também um ‘olá’ – talvez precoce –  uma vida adulta que se posiciona diante nós e que promete não abundar em facilitismos.

Les quatre cents coups / Os Quatrocentos Golpes (1959), de François Truffaut

Les 400 coups

Richard Linklater não foi pioneiro, mas tornou-se num fiel discípulo de François Truffaut. Em “Os Quatrocentos Golpes”, Truffaut iniciava a caminhada de Antoine Doinel (interpretado Jean-Pierre Léaud) que viria a ser novamente explorada em mais quatro filmes, ao longo de 20 anos. O jovem Antoine – alter-ego de Truffaut – , à beira da delinquência juvenil, revolta-se contra a sua escola, o seu professor, e os seus pais mas, no fundo, é apenas um jovem incompreendido. Truffaut não tenta desculpá-lo dos seus erros, mas permite que o espectador o compreenda. O final, embebido num lirismo poucas vezes visto, é um sonho concretizado, uma viagem terminada e o início de outra, talvez ainda mais dura, já que Antoine se encontra literalmente só no mundo, ao lado do mar.

Stand By Me / Conta Comigo (1986), de Rob Reiner

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A adaptação da obra de Stephen King, “The Body”, realizada por Rob Reiner, passa-se durante o fim de semana do  Labor Day em 1959,  mas não é apenas um filme sobre o fim do verão. Reiner narra a aventura de quatro rapazes de 12 anos de idade pela floresta (da vida), com o objetivo de encontrar um corpo morto. A história intemporal de Gordie (Wil Wheaton), Teddy (Corey Feldman), Chris (River Phoenix) e Vern (Jerry O’Connell) fala de crianças que se tornam homens, mesmo sem se aperceberem disso, retrata de forma explícita o fim da inocência, representa de forma crua a dor da adolescência e, mais importante de tudo, elucida o espectador sobre a forma determinante como os verdadeiros amigos são seres indispensáveis nas nossas vidas. “I never had any friends later on like the ones I had when I was twelve. Jesus, does anyone?”

Dazed and Confused / Juventude Inconsciente (1993), de Richard Linklater

Dazed and Confused

Não foi em “Boyhood” que Linklater começou a retratar as dores do crescimento. Servindo-se de um elenco cujos atores mais tarde se tornariam alguns dos mais proeminentes da sua geração (Matthew McConaughey, Milla Jovovich, Ben Affleck, Parker Posey, Renée Zellweger, por exemplo), “Juventude Inocente” flutua entre histórias diferentes, mas sempre com um tónico em comum: a noite inaugural do Verão de ’76. O olhar honesto de Linklater segue vários grupos de alunos – os geeks, os atletas, os mais jovens, os mais velhos, os populares – numa história sobre o seu crescimento e a sua aptidão para experimentar coisas novas, ao mesmo tempo que encontram o seu lugar no mundo através de brigas, festas, e primeiros amores.

Rebel Without a Cause / Fúria de Viver (1955), de Nicholas Ray

Rebel Without a Cause

O filme de Nicholas Ray foi um dos poucos que puderam gozar do privilégio de serem protagonizados por James Dean. Aqui, Dean é um jovem rebelde, Jim Stark, com um passado conturbado que chega a uma nova cidade, encontra novos amigos e, naturalmente, cria novos inimigos. Quando se é adolescente, parece que muitas vezes somos nós contra o mundo. James Dean foi o rosto dessa batalha, conseguindo capturar tão bem esse sentimento e, hoje em dia, ainda é visto como um papel onde as novas gerações se podem rever. Além disso, embora o filme nunca tivesse sido claro (pelo menos à luz da década de 50) sobre as suas conotações homossexuais, é perceptível, nos dias de hoje, que  a tentativa de Jim em defender a sua masculinidade, ao mesmo tempo que lida com a sua admiração pelo seu amigo Plato (que é incapaz de ser ele mesmo e luta contra essa natureza), são sinais evidentes que “Fúria de Viver” estava muito à frente do seu tempo.

The Breakfast Club / O Clube (1985), de John Hughes

Breakfast Club

 John Hughes sempre foi um exímio investigador da arte de retratar a conturbada transição entre a juventude e a idade adulta. Em “O Clube”, atinge provavelmente o seu auge. Hughes coloca cinco adolescentes, estudantes da mesma escola mas de classes sociais diferentes, dentro do mesmo espaço físico durante as oito horas de uma detenção a um sábado de manhã. As barreiras criadas pelos estereótipos implementados, apesar de parecerem inicialmente inquebráveis, são destruídas de forma notável através do auto e mútuo-conhecimento, da partilha de experiências e segredos mais íntimos, da confissão de sonhos, desejos, medos e desilusões. O fim é a devastadora revelação de que Claire, Andrew, Brian, Allison e John são apenas aquilo que são. E aí, Hughes mostra-nos que não há mal nenhum em sermos nós mesmos.

 «« Parte I

Sabe mais sobre Boyhood, aqui.

 

Fontes: Flavorwire, Goodreads, IMDb, Film.com

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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