Carrie, em análise

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  • Título Original: Carrie
  • Realizador: Kimberly Peirce
  • Elenco: Chloe Grace Moretz, Julianne Moore, Gabriella Wilde
  • Género: Drama, Horror
  • USA | 2013 | 100 min

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Desnecessário. Insípido. Desprovido de magia. Daquela magia inerente ao mundo de uma Sissy Spacek perturbada, de olhos esbugalhados e levada até ao limite. Lamentamos, mas Kimberly Peirce (conhecida por “Boy’s Don’t Cry”), exactamente por ter consciência (como, por certo, terá) do brilhantismo de Brian De Palma, ou não tinha empreendido esta tarefa, ou tê-la-ia impregnado de marcas de terror, suspense e encanto. Essencialmente encanto. Pois são olhares, rostos, toques sonoros, vozes que, neste remake, passam despercebidos e se perdem no início de uma nova cena, tão fraca quanto a anterior.

É óbvio que uma versão de 2013, comparada à apresentada em 1976, quando estamos a analisar os episódios de uma rapariga detentora de poderes telecinéticos não terá o mesmo impacto. Parece-nos é que, exactamente por isso, uma entrega acrescida deveria ter existido. Ainda assim, com os riscos inerentes a essa criação. Ou (repetimos) a simples inexistência da película. Com certeza esta última hipótese, por razões tudo menos artísticas e culturais, estaria fora de questão.

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Na verdade, há clássicos de horror que aí deverão permanecer. Como clássicos de horror. Pois, trazidos aos dias de hoje, rodeados de interiores e exteriores contemporâneos, feições, trajes, adereços e até trejeitos do século XXI, transfiguram-se em típicos filmes de terror com adolescentes, nada tendo a acrescentar.

Carrie White (Chloe Grace Moretz) não se integra no grupo feminino da sua escola, pois todos os seus colegas a consideram estranha e diferente. Em casa, a sua educação é bizarra e sofrível, pois vive com uma mãe, Margaret White (Julianne Moore) de um fanatismo religioso que tenta incutir a Carrie. Surpreendentemente, a miúda apercebe-se ser detentora de poderes telecinéticos, que a levam, inclusive, a pesquisar e estudar o assunto. A princípio, involuntariamente, mais tarde, controlada e de forma mais madura, Carrie percorre um caminho de destruição, como resposta aos ataques, quer exteriores, quer provenientes do seu próprio lar.

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Provavelmente, terão escapado a K. Peirce determinados pontos que, à primeira vista, não possuem relevância de maior, mas, afinal, tornam mais penosa a batalha travada pela realizadora. Vejamos um deles: Carrie não tem amor-próprio e é, aos seus olhos, pouco ou nada atractiva a nível físico. E é um facto que este é um sentimento e uma característica comuns a muitas adolescentes, totalmente independente da objectiva aparência. Mas a verdade é que a beleza de C. Grace Moretz não ajuda a persuadir o público cinéfilo. Torna mais árduo, para nós, compreender esta rejeição do ‘eu’ físico. Com S. Spacek, é tudo mais natural, menos artificial, mais verosímil. Leia-se, aliás, na obra de Stephen King: “Era uma rapariga atarracada, com borbulhas no pescoço, nas costas e nas nádegas e o seu cabelo molhado dir-se-ia ter perdido completamente a cor. Colava-se-lhe à cara, empapado e sem graça (…)”.

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Nem sequer Julianne Moore transmite nada de novo. Restringida à campânula de vidro que lhe é facultada, faz exactamente aquilo que é suposto e a que já estamos habituados: dá o seu melhor. Ou seja, continua a ser uma actriz fabulosa. Mas nem a sua performance cura os males de que padece este sofrível ‘remake’.

Com guião de Lawrence D. Cohen e Roberto Aguirre-Sacasa, “Carrie” aborda, por um lado, o bullying, maldade intemporal e exercida das mais diversas formas. Sem menor significado, é focado igualmente o fundamentalismo religioso e a insanidade mental de uma progenitora. Quer um, quer outro pilar de violência psicológica, projectam consequências trágicas na vítima em análise. Sendo que, se ao screenplay adicionarmos um fenómeno de telecinese, o resultado será (‘pseudo-spoiler’pois todos sabemos ou, se não sabemos, é porque o imaginário de “Carrie” é algo que, se não nos cativou até agora, não fará parte, com fortes probabilidades, da lista de filmes que teremos para ver), o resultado será, como se referia, explosivo.

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Os efeitos especiais finais tentam salvar a falha monumental desta produção e são aquilo que, juntamente com os vectores do argumento retirado da obra de Stephen King, a telecinese artística da personagem – que, sempre se dirá, terá a nossa simpatia, pois somos, de certa forma, solidários com a sua vingança – e um consistente fio condutor bíblico, se esforçam por se destacar no Halloween deste ano.

Um Dia das Bruxas, que, seguro será admitir, foi mais comercial do que assustador.

SME

Sofia Melo Esteves

Advogada Página Facebook: Críticas Cinematográficas e Notícias Cinéfilas por Sofia de Melo Esteves “My aim is to put down on paper what I see and what I feel in the best and simplest way.” - Ernest Hemingway

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