Keri Russell em "Antlers - Faminto" (2021) © Florian Hoffmeister / Fox Searchlight Pictures

Antlers – Faminto | Keri Russell em entrevista exclusiva

Na MHD continuamos com entrevistas exclusivas. Desta vez falámos com Keri Russell protagonista de “Antlers – Faminto”.

Depois de um pequeno desempenho em “Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker”, Keri Russell está de regresso ao grande ecrã. A conceituada atriz aclamada pelo seu papel de Elizabeth Jennings em “The Americans” 2013-2018, com o qual ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz numa Série de Televisão – Drama, participa num novo thriller de horror de Scott Cooper que promete assustar os espectadores a partir da próxima semana.

Em “Antlers – Faminto“, Keri Russell dá vida a Julia Meadows, uma professora que descobre um segredo sobrenatural que envolve um dos seus alunos mais problemáticos, numa cidade fortemente abalada pelo consumo de drogas. Este é um regresso de Keri Russell aos grandes desempenhos, depois da participação em “Missão Impossível 3” (2006), “August Rush – O Som do Coração” (2007), “Histórias para Adormecer” (2008) e “Planeta dos Macacos: A Revolta” (2014).

The Americans
Matthew Rhys e Keri Russell em “The Americans” (2013-2018)

A californiana admite que tem medo de filmes de terror, mas que participar num suspense de terror ao lado de Jesse Plemons, fê-la mudar de ideias. Tudo porque o cineasta Scott Cooper conseguiu dar uma visão mais humana ao mito do wendigo, uma criatura devoradora que vive no interior das florestas do norte dos EUA. Além disso, Russell revelou que o cineasta consegue sempre oferecer uma visão distinta às suas histórias, desde o drama “Crazy Heart”, que valeu a Jeff Bridges o Óscar de Melhor Ator ou “Hostis”, que confirmou o magnetismo de Wes Studi.

Keri Russell sabia que não poderia dizer não a uma projeto que tem a mão de Guillermo del Toro. O realizador mexicano vencedor de dois Óscares da Academia por “A Forma da Água” é um dos produtores do filme e trabalhou juntamente com Scott Cooper no design da “criatura”. Quando a personagem de Keri, Julia e o seu irmão começam a investigar a história por detrás de um miúdo vítima de bullying na escola, entram num mundo de pesadelo onde o monstro à procura de vingança irá revelar-se.

Nesta entrevista de Keri Russell, a atriz confirmou também que há um certo medo evocado pela noite, pois são nesses momentos que sentimos que algo vem atrás de nós. Para a atriz, também esses momentos envolvem uma fisicalidade surpreendente, além de momentos bastante emocionais. Algo que conseguiu lidar, pois a dança – outra arte do corpo – fez parte da sua formação.

A seguir segue a conversa com a atriz, mas antes aproveita para ver o trailer de “Antlers – Faminto” que chega às salas portuguesas a 11 de novembro, com distribuição da 20th Century Studios.

MHD: A Keri é fã de filmes de terror?

Keri Russell: Eu sou um pouco medricas (risos). Tenho medo de tudo facilmente, porque sinto que memorizo as imagens dos filmes de terror que vejo em casa e elas jamais desaparecem. Não há nada que possa fazer. Mesmo assim, ainda sou bastante selectiva quando decido ver filmes de terror. Eu tento ter cuidado com a quantidade de filmes que vejo.

MHD: Ficou intrigada pelo facto do Scott Cooper ter realizado um filme de terror?

Keri Russell: Eu estava definitivamente intrigada por saber que tinha o Scott Cooper como realizador. Eu nem consigo descrever o quanto amei o “Crazy Heart” e o quanto pensei que o Scott tinha feito um bonito trabalho com aquele filme. Adorei a história, a sua melancolia e quando o Scott me estendeu a mão para este filme pensei que seria um desafio também para ele, trabalhar num género fora do vulgar para o seu currículo.

Eu já fiz um filme independente há alguns anos dentro do género do terror e gostei muito. Era o “Dark Skies – Os Escolhidos”, realizado pelo Scott Stewart. Gostei tanto da experiência por aproveitar o género do terror para abordar um drama familiar e o colapso de uma família. Foi divertido!

Quando o Scott Cooper começou a falar comigo sobre o “Antlers” pensei logo nesse projeto antigo. E não é demais referir que como o Guillermo del Toro estava envolvido acreditava que ainda seria mais interessante aventurar-me por este projeto.

MHD: A personagem de Julia Meadows é realmente complexa. Ela tem um passado muito conturbado e sombrio. Como foi a sua preparação?

Keri Russell: Sim, a minha personagem tem uma vida difícil, houve muito a fazer, mas acho que fez parte da diversão. Acredito que o meu processo de preparação para o filme foi facilitado quando conheci o jovem revelação, o Jeremy T. Thomas que interpreta o Lucas. Acho que os melhores filmes do género têm esse tipo de conexão de relacionamento mais humano e a minha personagem, a Julia, está muito conectada com aquele miúdo e quer saber se ele vai ficar bem em algum momento. O Jeremy T. Thomas é muito sensível, sendo fisicamente interessante, digo isto pela estrutura do seu rosto… Ele é o filme, ele é absolutamente o ponto central.

Faminto
Jeremy T. Thomas em “Antlers – Faminto” (2021) © Fox Searchlight Pictures

MHD: A Julia é sua professora e suspeita que ele tenha alguns problemas em casa. Ela está certa?

Keri Russell: Sim, esta história é sobre um mundo sombrio. É engraçado porque até começarmos a fazer as cenas com o Wendigo, estávamos a fazer um drama intimista e há momentos que são aterrorizantes, mas são mais na maneira como os humanos podem ser assustadores uns para com os outros. Temos várias sequências sobre pessoas que destroem as suas próprias vidas e daquelas que estão em seu redor.

Lembro-me de uma cena em que desperto de um pesadelo a gritar, e onde há algo que a minha personagem se está se tentar lembrar. Ela volta à casa onde cresceu, mas que abandonou muito cedo. Ela voltou para estar com o seu irmão e estar naquela casa traz-lhe coisas à mente que deveriam ter ficado no passado.

MHD: E como foi trabalhar com o Jesse Plemons?

Keri Russell: Eu amo o Jesse. Ele é tão bom, mas infelizmente rimos muito. Deveríamos estar a chorar, mas fazíamos impressões terríveis e depois ríamos histericamente. Divertimos muito. Eu amo isto nos filmes do Scott Cooper. Acho que consegue deixar os atores tão à vontade. Eu adoro o trabalho do Jesse e sou uma enorme fã dele. Acho que as suas personagens são sempre muito reais.

MHD: Como foi ver a criatura ‘real’?

Keri Russell: Quando filmámos as cenas, achei-a muita assustadora. Parece incrível e completamente verdadeira (risos). Não tínhamos um ecrã verde, como normalmente decorre neste tipo de filmes, mas tínhamos uma criatura de verdade. Ela parece tão fisicamente imponente, bastante alto e algo grotesco, o que foi estranho e ótimo de trabalhar.

Keri Russell em Faminto
Keri Russell em “Antlers – Faminto” (2021) © Florian Hoffmeister / Fox Searchlight Pictures

MHD: Fez alguma pesquisa sobre o mito do Wendigo?

Keri Russell: Eu li um pouco sobre o mito do Wendigo. Eu não li muito porque essa é a surpresa para a minha personagem. Acho que fiquei mais intrigada com o drama familiar, o drama pessoal, e foquei-me primeiro nesse lado da história. Depois, a parte em que se torna um filme de terror e acho que seria mais assustador ter um certo distanciamento para a história do Wendigo.

Nos momentos em que a minha personagem vai atrás do monstro tenho a certeza que o público gritará ‘não vás!’. Eu e o Jesse queríamos correr esse risco (risos).

MHD: Chegou a conhecer o Guillermo del Toro?

Keri Russell: Sim. Ele estava regularmente pelo set. Mas obviamente o seu envolvimento foi mais com o Scott Cooper. Para mim, foi incrível saber que teríamos o Guillermo a ajudar na criação da criatura fantástica.

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“A Forma da Água”, de Guillermo del Toro | ©2017 Twentieth Century Fox Film Corporation and TSG Entertainment Finance LLC.

MHD: O Guillermo uma vez twittou sobre o quanto gostava da série “The Americans”.

Keri Russell: Quando falou comigo ao telefone, falou sobre isso. Ele conhecia todos os episódios e ele sabia os detalhes todos. Fiquei tão surpreendida, mas ele assiste a tantos conteúdos, o que é uma loucura. Acho que o Guillermo não dorme muito – acho que ele é um grande fã, como todos os melhores cineastas, de cinema e de televisão, sendo o cinéfilo nato. Gostei de saber que tinha gostado da série “The Americans”.

MHD: O “Antlers – Faminto” tem um comentário social, sobre o dano ambiental e a destruição provocada pelas drogas. A Keri falou sobre isso com o seu realizador?

Keri Russell: Sim, inicialmente falámos muito sobre as cidades infestadas e tenho lido muito sobre a notícias sobre a crise de opiáceos, porque a trama decorre numa cidade fortemente atingida por isso. Para mim o monstro é isso – as drogas que destruíram todas essas famílias, os pais que morreram e as crianças que foram deixadas sozinhas. Isso sim é assustador. Existem paralelos reais para trabalhar e não apenas um monstro assustador.

MHD: A Keri tem uma agenda tão ocupada desde que terminou o “The Americans”. Participou em “Antlers” e, claro em “Star Wars: Episódio IX”, do J.J. Abrams. O que impulsinou as suas escolhas?

Keri Russell: Uma das coisas incríveis de ser ator é nunca saber o que vais fazer a seguir. Depois de “The Americans”, eu não tinha ideia do que fazer a seguir. Eu só queria fazer uma pausa e fiz isso, e depois fui em algumas grandes aventuras. Inesperadamente, o J.J. Abrams liga-me para fazer aquele projeto e eu não poderia dizer ‘não’.

Quando o Scott ligou-me, eu simplesmente não sabia se tudo ia dar certo no tempo certo e eles conseguiram. Eles realmente conseguiram fazer da rodagem de “Faminto” um processo fácil. Pareceu-me imediatamente um trabalho excitante e criativo, e sabia que queria alguma surpresa na minha carreira. Espero que a audiência perceba isso.

“Faminto” chega às salas de cinema de todo o país no próximo dia 11 de novembro. 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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