Força Anti-Crime, em análise

 

Gangster Squad (3)
  • Título Original: Gangster Squad
  • Realizador: Ruben Fleischer
  • Elenco: Sean Penn, Ryan Gosling, Emma Stone, Josh Brolin, Nick Nolte
  • Género: Ação/Crime
  • CTW | 2013 | 113 min

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Aproximamo-nos vertiginosamente de uma espiral descendente no que respeita à qualidade cinematográfica dos filmes em sala. É a Oscar Season a dizer um “até já”, com a promessa de que irá regressar no próximo ano. “Força Anti-Crime” marca inevitavelmente essa viragem.

Curioso é que até temos pela frente o realizador do aclamado “Zombieland”, Ruben Fleischer, e uma dose considerável de atores que poderiam tornar “Força Anti-Crime” num exercício bem mais interessante e audaz. É pena.

Em vez de interpretações realmente marcantes e poderosas, o elenco deixa-se subitamente engolir pelo fraco argumento, transformando o ato de “representar” na simples aparição corporal. É de lamentar quando uma reunião potencialmente profícua de talento é totalmente banalizada numa passerelle de caras bonitas, onde o objetivo é apenas o de agradar às massas. E é este o distinto sinal que carimba o fim da Oscar season. 

Gangster Squad (2)

“Força Anti-Crime” foca-se na história verídica de uma equipa de justiceiros destinada a incinerar a máfia e a destruir o reinado de um antigo pugilista, Mickey Cohen (Sean Penn), como a cabeça da hierarquia criminal de Los Angeles.

Na medida do possível, a obra de Fleischer tenta explorar os meandros da máfia, mas quase sempre sem sucesso. Um género cinematográfico que necessita de exploração física e dramática bem mais exaustiva, que aqui soa sempre demasiado superficial.

E embora seja clarividente a violência proeminente neste lado tão pouco terno do cinema, a verdade é que aqui é quase sempre gratuita. Ruben Fleischer equivocou-se ao pensar que numa narrativa sobre um grupo de gangsters, a intensidade da mesma poderia ser facilmente sub-rogada por violência desmesurada. Sendo assim “Força Anti-Crime” transpira tiroteios sucessivos dominados por uma violência infundamentada que pouco ou nada amplia a fugacidade do seu argumento.

Gangster Squad

A sua base é toda ela bastante mal delineada. A escrita do argumento não traz nada de novo ao género, sendo demasiadas vezes previsível e abusando de incongruências que lhe retiram qualquer tipo de veracidade (afinal estamos supostamente a ver um filme baseado em factos verídicos). Os diálogos nunca são particularmente inventivos ou marcantes, sendo pautados por uma linearidade débil que, quando se conjuga com o vácuo que é o desenvolvimento dos personagens, é capaz de se tornar por diversas vezes sofrível.

Do lado dos atores, há nuances negativas que saltam à vista. Embora todo o cast seja competente tendo em conta o fraco material de apoio ao crescimento dos seus personagens, é difícil não reparar em certos pormenores.

Emma Stone não convence na sua combinação pouco letal de femme fatale e donzela indefesa, convertendo-se numa manequim perdida em vestimentas e reduzida ao acessório (à semelhança de grande parte dos personagens); Ryan Gosling abusa no tom de voz excessivamente adocicado (e em alguns momentos, incomodativo), um apontamento que não mancha um dos mais competentes trabalhos de todo o elenco; Sean Penn é sempre mais intempestivo e plástico do que era suposto, por vezes trocando o carácter temível do seu personagem pelo evidente show-off, numa visível tentativa excêntrica de imitar Joe Pesci; os elos mais fortes acabaram por ser o par formado por Josh Brolin e Mireille Enos (que no curto espaço de película que ocupa, é capaz de fazer-se notar pela sua presença dinamizadora e emocionalmente mais poderosa do que restante elenco).

GANGSTER SQUAD

O visual, um noir moderno e cuidado na recriação de época, fica na memória como uma das melhores observações de toda a película. A fotografia estilizada, em jeito pop-art, realça sempre o guarda-roupa pelos seus contrastes e sombras e exacerba algumas opções técnicas como slow-motions bem atrativos ao olhar. Por outro lado, adensa inexplicavelmente a estranheza facial de alguns personagens. Nota-se que houve algum tratamento de imagem, principalmente nas personagens de Sean Penn e Nick Nolte que banham quase sempre as suas expressões faciais de plasticidade.

Assistimos a um filme desmotivado e sem ambições, à semelhança da sua descomprometida promoção comercial (depois do abalo trágico do tiroteio em Aurora), onde há um anormal subaproveitamento de talento.

Na realidade, e se excluirmos alguma réstia de expectativas, podemos afirmar que “Força Anti-Crime” cumpre os pressupostos mínimos. Entretém garantidamente na mais básica ideia de entretenimento: seja através das suas cenas de ação muito bem executadas, ou de alguns momentos cómicos espontâneos, ou simplesmente pela presença persistente de caras conhecidas.

Gangster Squad

Não perdurará na memória e, muito por culpa disso, “Força Anti-Crime” restringe-se à banal designação de “filme-pipoca”.

Analogamente, “Força Anti-Crime” era aquele delicioso alimento que passamos todo o dia desejosos de saborear. E quando finalmente estamos aptos a ingeri-lo, verificamos que o stock se esgotou. Comemos outro e não passamos fome, mas não sabe tão bem.

DR

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