© La Biennale di Venezia

Faleceu o realizador Frederick Wiseman aos 96 anos

Frederick Wiseman, um dos mais prestigiados documentaristas da história do cinema, faleceu aos 96 anos nesta segunda-feira (16 de fevereiro de 2026). O realizador deixa um legado que marcou a sétima arte para sempre, sendo considerado o cineasta definitivo do cinema observacional

Wiseman era conhecido pelos seus longos documentários que observavam pessoas em circunstâncias extremas. Porém, para muitos espectadores, Wiseman pisou vários limites da moralidade ao realizar estes seus filmes mais violentos e viscerais. Algumas das polémicas que Wiseman acumulou durante a sua longa vida, hoje são vistas como revolucionárias na maneira de olhar para o cinema documental. Sobretudo pelo facto do realizador ser extremamente incisivo e cirúrgico na sua maneira de fazer cinema, poupando-se de uma abordagem mais tradicional (muitas vezes aborrecida) que o documentário nos habituou ao longo dos anos.

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Quem era Frederick Wiseman?

A sua filmografia abrange mais de 40 documentários, focados em instituições e estruturas sociais. Obras notáveis incluem “High School” (1968), “Law and Order” (sobre o Departamento de Polícia de Kansas City), “Hospital”, “Public Housing”, “At Berkeley”, “National Gallery”, “Ex Libris”, “City Hall” (2020) e o mais recente “Menus-Plaisirs – Les Troisgros” (2023). 

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No entanto, o seu estilo extremamente cru e característico era muito disruptivo para alguns cinéfilos mais puristas. Pois Wiseman ignorava qualquer interrupção da realidade que filmava ou uma introdução de narração em voz-off, permitindo que os sujeitos falassem por si. Desta forma, o lendário cineasta sempre enfatizou um olhar humanista, capturando a complexidade da vida quotidiana, criticando estruturas sociais e mostrando as consequências do capitalismo nos Estados Unidos. Ele recebeu um Óscar honorário em 2016 e o Leão de Ouro pela Carreira no Festival de Veneza em 2014, assim como 3 Emmys pelo seu trabalho nos documentários “Law and Order” e “Hospital”.

Por fim, foi Wiseman quem usou o documentário para transformá-lo num espelho das sociedades que filmava, sem qualquer filtro ou manipulação exagerada. Algo que marcou e mudou o cinema documental para sempre.


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