Faleceu o ator Robert Duvall aos 95 anos
Faleceu ontem, 15 de fevereiro, aos 95 anos, o ator norte-americano Robert Duvall. A notícia veio, pois, a público esta segunda-feira 16 com um comunicado da sua esposa Luciana Pedraza através das redes sociais. O mundo do cinema – e, em particular, o cinema de Hollywood – ficou, assim, mais pobre com a partida de mais um grande ator.
Robert Duvall teve uma carreira de sete décadas, sobretudo enquanto ator. Além disso, realizou também cinco filmes e foi produtor de cerca de uma dezena. Venceu um Óscar de Melhor Ator em 1984 com o filme “Amor e Compaixão” (1983, Bruce Beresford). Para já, ainda não são conhecidas as causas da morte.
Os primeiros papéis de Robert Duvall

O ator Robert Duvall participou em mais de 140 obras entre longas-metragens para cinema, telefilmes e séries de televisão com papéis principais ou secundários e deu ainda a voz a alguns videojogos relativos à saga “O Padrinho”.
Considerado como um dos maiores atores de todos os tempos, a sua carreira iniciou-se em 1952 no teatro. Pouco tempo depois, serviu no exército dos E.U.A. (entre 1953 e 1954). De regresso, voltou a fazer teatro com algumas das suas peças a terem transmissão televisiva. Em 1960 estreia-se num trabalho feito diretamente para a televisão: o telefilme “John Brown’s Raid” (1960, Sidney Lumet) sobre a Guerra Civil americana onde tem um papel secundário.
Robert Duvall continua a participar em várias séries de televisão ao longo dos anos 1960. Contudo, tem a sua estreia no cinema em 1962 logo num importante filme: “Na Sombra e no Silêncio” (realizado por Robert Mulligan).
Ao longo dos anos 1960, vai ganhando cada vez mais destaque no cinema passando lentamente de personagem secundária para principal. É com “Estrada do Inferno” (1967, Robert Altman) que tem, finalmente, um papel de destaque como coprotagonista ao lado de James Caan.
O reconhecimento

O grande reconhecimento do ator Robert Duvall dá-se, depois, a partir dos anos 1970. É, pois, nesta década que participa em filmes como “O Padrinho” (1972), “O Padrinho: Parte II” (1974) ou “Apocalypse Now” (1979), todos eles com a realização de Francis Ford Coppola. É precisamente com o primeiro e o terceiro deste grupo que lhe chegam as suas duas primeiras nomeações aos Oscars na categoria de Melhor Ator Secundário.
Em 1981 tem a primeira nomeação como ator principal em “A Fúria de Um Herói” (1979, Lewis John Carlino). No entanto, só consegue vencer o seu primeiro e único Oscar em 1984 com “Amor e Compaixão”. Robert Duvall voltaria a receber mais três nomeações com “O Apóstolo” (1997, realizado pelo próprio), “A Qualquer Custo” (1998, Steven Zaillian) e “O Juiz” (2014, David Dobkin). No primeiro destes é nomeado como ator principal, enquanto nos dois restantes é como ator secundário.
Ao longo da sua carreira, Robert Duvall venceu ainda um BAFTA (pelo filme “Apocalypse Now”), dois Emmys (como ator principal e produtor executivo da minissérie “Broken Tail”, 2006, Walter Hill), 4 Golden Globes (pelos filmes “Apocalypse Now” e “Amor e Compaixão, pela minissérie “O Céu Como Horizonte”, 1989, Simon Wincer, e pelo telefilme “Stalin”, 1992, Ivan Passer). Ao longo da sua carreira recebeu cerca de 60 prémios e mais de 100 nomeações.
Os últimos anos

Nos últimos anos de carreira Robert Duvall fez sobretudo pequenos papéis secundários em filmes, mesmo sem se afastar verdadeiramente da carreira de ator. A idade avançada deverá ter sido a principal razão. Assim, o ator teve os seus últimos papéis de destaque como coprotagonista de “O Juiz” (para o qual foi nomeado ao Oscar), ao lado de Robert Downey Jr. e como protagonista no filme “A Night in Old Mexico” (2013, Emilio Aragón); este último inédito no nosso país.
Por fim, afastou-se dos ecrãs em 2022 com o filme da Netflix “Os Olhos de Allan Poe” (2022, Scott Cooper).

