Guerra Americana

“Guerra Americana”, livro finalista do The Book Year Award, chega este mês a Portugal

Omar El Akkad apresenta um futuro negro para os EUA, devastado pela guerra e pelas alterações climáticas, em “Guerra Americana”. A história distópica foi finalista The Book Year Award 2017 e chega agora a Portugal, pela editora Saída de Emergência.

Em 2075, os EUA foram devastados pelas cheias devido às alterações climáticas. O presidente baniu a utilização de combustíveis fósseis, mas os estados do sul tentam proteger as suas indústrias de exploração de carvão. Uma guerra civil despoletou. As cidades foram destruídas pelo conflito e reina um clima de instabilidade e insegurança. Os EUA fragilizados assistem ao desenvolvimento do império chinês e vê o México anexar cidades norte-americanas.

Este é um cenário futuro distópico, porém quando Omar El Akkad o escreveu para “Guerra Americana” não teve de recorrer muito à sua imaginação. A paisagem arruinada e o colapso social que descreve no livro são parcialmente inspirados no cenário que assistiu enquanto correspondente de guerra em Afeganistão.

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Contudo, depois de Omar El Akkad ter terminado o livro, o autor apercebeu-se que os eventos que descreveu no título podem ser mais do que ficção científica. “Guerra Americana” – tal como “The Handmaid’s Tale” de Magaret Atwood ou “The Book of Joan” de Lidia Yuknavitch – tornou-se numa das obras que reúne e expõe as ansiedades e receios de todos os cidadãos, não só norte-americanos, mas de todo o mundo.

Com a história a retratar o fim da democracia, as consequências das alterações climáticas e os efeitos da desigualdade social, a obra de El Akkad tornou-se numa narrativa intemporal. O New York Times chega mesmo a afirmar que, embora a premissa do livro tenha parecido especulativa quando foi escrita, atualmente a história está mais perto do que nunca.

Guerra Americana

Apesar de “Guerra Americana” retratar uma visão do futuro pouco animadora, o livro centra-se na história da protagonista. Sarat Chestnut nasceu no Louisiana e tem apenas seis anos quando a Segunda Guerra Civil Americana eclode em 2074. Quando o seu pai é morto e a sua família é obrigada a viver num campo de refugiados, ela rapidamente começa a ser moldada por esse tempo e lugar até que, finalmente, pela influência de um misterioso funcionário, se transforma num instrumento mortífero da guerra. No campo de refugiados, ela é recrutada por um líder rebelde que tem ligações a um império do Médio Oriente.

A história é contada pelo seu neto, Benjamin Chestnut, que nasceu durante a guerra – parte da Geração Milagrosa – e é agora um idoso a confrontar os segredos negros do passado, do papel da sua família no conflito e, em particular, a importância da sua tia, uma mulher que salvou a sua vida ao destruir a de outros.

“Guerra Americana”, publicado pela Saída de Emergência, já está à venda. 

Catarina Fernandes

Mestre em Ciências da Comunicação e fotógrafa amadora. Seriófila compulsiva e apaixonada por literatura, assim como pelo cinema e pela sua história. (Extremamente) Viciada em música e concertos.

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