Haunting Adeline: O livro que os homens têm medo de admitir terem lido
O chamado Dark Romance está a subir cada vez mais em popularidade, graças ao BookTok e a editoras como a Euforia. Este género mistura romance com temas mais pesados como o consentimento (ou a “falta” dele), a violência, crimes, e personagens masculinas cinzentas que, por norma, atormentam as suas contra-partes femininas.
Os temas pesados, as capas orientadas para um público feminino, bem como protagonistas mulheres, levam o Dark Romance a ser tipicamente consumido por leitoras. Contudo, cada vez mais os homens dão uma espreitadela em títulos como “Haunting Adeline” de H. D. Carlton, trazendo ao de cima um debate sobre se eles “são permitidos” num meio quase “de mulheres para mulheres”.
O Factor Tabu: A invasão do psicológico feminino

Até há bem pouco tempo, mesmo os países ditos desenvolvidos pregavam a ideia da recatada e inocente. A mãe de família. Isto deixava pouco espaço para a curiosidade no que diz respeito a tópicos mais íntimos. O Dark Romance aparece para responder a essa curiosidade e à fantasia do proibido. Mas o que acontece quando os homens descobrem que as suas recatadas irmãs, namoradas ou esposas, sonham com um stalker nas suas vidas?
“Lights Out” de Navessa Allen foi provavelmente um dos livros que popularizou o trend dos homens filmarem as suas reações a uma “determinada cena polémica” da obra. Seguiram-se vídeos de grupos de amigos com o título “a minha namorada diz que adora romance”, reagindo em choque aos livros que estas liam. E de repente, estes users começam a ler Dark Romance como “Haunting Adeline”, “apenas” para saber o que as mulheres gostam.
Curiosamente, o que começou como alguma rejeição feminina – a descoberta masculina dos seus interesses mais obscuros -, tornou-se numa discussão engraçada. E não apenas pela inspiração que o Dark Romance proporciona, mas também porque afinal… este género literário também é para eles.
A popularidade do POV masculino no Dark Romance

Um dos “problemas” da maioria dos Dark Romances, é serem focados numa mulher. O ponto de vista feminino acaba por afastar muitos homens que não conseguem, compreensivamente, mergulhar no ponto de vista da protagonista. Contudo, obras como “Haunting Adeline” estão a mudar isto, oferecendo POVs duplos. E o fenómeno acontece também no Romance de Fantasia como a série “ACOTAR” ou “Quicksilver”.
Através de Zade Meadows, Rhysand ou Kingfisher, o leitor consegue ter acesso a comportamentos, fantasias, sentimentos, ações, ou momentos masculinos. Com descrições de um corpo e de um psicológico que reconhece sem esforço.
“Haunting Adeline” oferece uma fantasia sem culpas

A questão mais levantada pelo público masculino nas redes sociais e plataformas como o Reddit, é o quão “saudável” ou “aceitável” é o desejo por fantasias obscuras como o stalker e outras atividades “sem consentimento”. A verdade é que, curiosamente, esta pergunta nunca é levantada quando se é fã de filmes de terror ou roubos históricos nos melhores títulos de ação.
Quando vemos um filme como “Halloween” ou “Scream“, não é por desejarmos andar por aí a matar pessoas em segredo. Podes ver filmes como “Ocean’s Eleven” sem ir para uma lista negra da CIA. E o mesmo acontece com o Dark Romance de “Haunting Adeline”. As fantasias têm o seu espaço – na nossa mente. Isto não significa que queiramos imitar o que vemos ou lemos em obras de ficção.
Por exemplo, eu adorei o stalking de Zade em “Haunting Adeline”. Na vida real, seria tudo muito diferente. Não há uma química mágica, nem um ponto de vista do “atacante” que mostra o consentimento da “vítima”. Tudo isto existe, apenas, no universo dos livros, das séries, dos filmes, dos jogos. Num espaço onde, em última análise, nós podemos criar e recriar os momentos com os nossos próprios limites.
Quais os melhores Dark Romance para homens?

Se te convenci a aceitares a tua paixão por Dark Romance, então tenho de te deixar sugestões além de “Haunting Adeline”, e da sua sequela “Hunting Adeline”. Todos estão disponíveis na sua versão original inglesa e em português europeu. Além de versões na Audible para quem prefere o audiobook.
Por exemplo, “Butcher & Blackbird” de Brynne Weaver segue o romance de dois serial killers, Sloane e Rowan. “The Mindfck Series” de S.T. Abby tem uma premissa interessante pois o criminoso é, na realidade, uma mulher. Nesta obra gato-rato, Lana é perseguida por Logan, um agente do FBI. Já “Lights Out” de Navessa Allen coloca-te na pele de Josh Hammond, um criador de conteúdo mascarado que decide aceitar o convite inocente de uma das suas seguidoras para a seguir.
E tu? Tens dicas de títulos que gostarias de nos deixar? Talvez… Títulos que tenhas lido para perceber melhor os gostos do teu par romântico? Nós não contamos a ninguém…

