Homem de Ferro 3, em análise

Iron-Man-3
  • Título Original: Iron Man 3
  • Realizador: Shane Black
  • Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Ben Kingsley
  • Género: Ação/Aventura/Sci-fi
  • ZON Audiovisuais | 2013 | 124 min

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A Marvel sabe como elevar as expetativas em relação aos seus filmes e raramente desilude. Depois do sucesso de “The Avengers” esperava-se que não desiludisse e foi isso mesmo que aconteceu. “Iron Man 3” é a maior aventura do herói de ferro desde a sua fuga daquela caverna no Afeganistão.

Após dos acontecimentos em New York Tony começa a questionar-se sobre as suas capacidades como super-herói. Enquanto os outros membros dos Vingadores tinham algo de especial em relação a si (um deus, um monstro verde gigante e um super-soldado), ele não passava de um homem dentro de um fato. A partir daí, Tony começa a trabalhar dia e noite, à procura de possíveis melhoramentos a fazer à sua armadura. Este sempre disse que o fato fazia parte de si, mas chegou uma altura em que era ele a fazer parte do fato. Ao ver-se longe de todas as suas comodidades, ele terá de voltar a entrar em contacto com o seu “mecânico” interior para sobreviver à ameaça do Mandarim e responder à pergunta que o Capitão América lhe faz em “The Avengers”, “Grande homem numa armadura. Põe-na de lado, o que é que és?”

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Depois de ter realizado os dois primeiros filmes do Homem de Ferro, Jon Favreau passa a cadeira a Shane Black, que leva o público a apaixonar-se de novo pelo herói. É sempre importante renovar no que toca às sequelas. Mostrar coisas novas, levar as personagens a lugares desconhecidos, desafiá-las, mas sem esquecer o que está para trás. O grande problema com “Iron Man 2” foi ter-se preocupado demasiado com o futuro e esquecer-se daquilo que fez “Iron Man” o grande filme que é. “Iron Man 3” lembra-nos que não foi pelo Homem de Ferro que nos apaixonámos no primeiro filme, mas sim por Tony Stark. Grande parte do filme só temos o Tony. Sem armadura, sem nada, só o Tony. E a verdade é que o filme podia ser todo assim. Para que é que nos interessa ver um filme só com a armadura e sem o Tony? Não dava! Esta admiração toda pela personagem claro que não seria possível sem Robert Downey Jr., que tem tudo o que a personagem precisa. De uma forma humana e verdadeira, Black leva a personagem às suas origens, e trá-la de volta com o upgrade que precisava.

Este filme baseia-se na série de banda-desenhada “Extremis”. O início desta história é igual ao do primeiro filme. Em ambos Tony é raptado por terroristas no Afeganistão e é feito refém. Durante esse tempo, e com a ajuda de Yinsen (que faz uma breve aparição neste filme), Tony cria  o seu primeiro fato… Foge… Torna-se num super-herói… Blá blá blá! Isso já sabemos! A parte que nós não conhecemos é aquela em que o vírus Extremis entra. O Extremis é um vírus que se insere na zona regenerativa do cérebro, curando todos os ferimentos e doenças que o portador tem ou venha a ter, concedendo-lhe também capacidades sobre-humanas. Os vilões não são os mesmos, mas o núcleo da história é muito semelhante.

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Em relação aquela “tech” que nos obriga a pagar um bilhete mais caro no cinema, o 3D! Na utilização desta tecnologia, a Marvel está num 50/50, e “Iron Man 3” está nos negativos. Não é mau, mas não está lá a fazer nada. Toda a emoção, tudo o que de bom o filme tem para dar, chega até nós, com ou sem óculos na cara.

Em “Iron Man 3”, ficamos a conhecer um grande leque de personagens novas, todas elas com dois lados para revelar. Começando pelo Mandarim, interpretado pelo grande Ben Kingsley, é o vilão mais perigoso do arsenal de vilões que o Homem de Ferro tem. O fator que faz de Mandarim uma ameaça tão grande a Tony, é o facto de ser imprevisível. Kingsley, apesar de pouco destaque, consegue interpretar todas as facetas desta personagem de uma maneira tão brilhante que nós até nos perguntamos se ele está a falar a sério ou a gozar. A fazer-lhe companhia temos ainda Guy Pearce, no papel de Aldrich Killian, um concorrente das Indústrias Stark, que cria a tecnologia Extremis. Pearce também consegue lidar com as mudanças da sua personagem ao longo do filme. A única cara nova que não tem oportunidade de brilhar é Rebecca Hall, que interpreta a doutora Maya Hansen, uma ex-namorada de Tony, que se vê envolvida no projeto Extremis.

Iron-Man-3-Iron-Patriot

Do antigo elenco, pouco há a apontar. Robert Downey Jr. fez mais do melhor, que faz sempre. Sem ele, o Homem de Ferro não seria o Homem de Ferro, seria apenas um Homem… De… Ferro… Bem, o que interessa é que não seria a mesma coisa! Também Gwyneth Paltrow e Don Cheadle fizeram mais do mesmo, Pepper continua a ser a mulher rija que tenta meter Tony na linha e que se mete em perigos, e o War Machine, quer dizer, Iron Patriot continua a ser tramado pelos maus da fita. Jon Favreau, apesar de já não estar sentado na cadeira de realizador, voltou ao papel de Happy, o grande amigo de Tony, que desempenha um pequeno papel, mas vital, para o sucesso da missão do Homem de Ferro. Stan Lee faz mais um dos seus cameos, mas para este é preciso estar com bastante atenção. E a cena pós-créditos existe, como sempre, e tem lá uma cara nossa conhecida e querida.

Não são os seus poderes, ou fatos, que fazem de um herói super-herói, mas sim o homem que está por trás da máscara, ou do capacete. Tony perdeu-se à grande em “Iron Man 2”, e depois de “The Avengers” ainda se ficou a sentir mais perdido. Mas em “Iron Man 3”, ele regressa melhor que nunca, pronto para desafiar tudo e todos!

RM

Carlos Miguel Reis

“Se a Armadura faz o Homem? Definitivamente que faz! Tony Stark é sem sombra de dúvidas o Homem de Ferro! E a sua armadura faz parte da sua vida, tal como ele precisa de respirar.

Neste terceiro capitulo a resposta a essa pergunta é posta à prova de fogo! Sem entrar em pormenores da história, pois de certeza que ainda muita gente não viu o filme, vou tentar dar o meu feedback desta aventura da maneira mais simples. Tony Stark depois dos acontecimentos de Os Vingadores ficou um homem diferente, marcado pelo seu sacrifício. Ele embarca numa jornada da qual se vê obrigado a enfrentar as suas fraquezas.

Enquanto no primeiro e segundo filme conhecemos Stark como um excêntrico milionário que gosta de se exibir numa resplandecente armadura sofisticada que é nem mais que o seu suporte de vida e de defesa, agora o seu ego é substituído pela sua luta interior e as suas fraquezas como ser humano. Serão essas fraquezas, o seu maior trunfo neste novo confronto. Os erros do seu passado vão certamente marcar o seu futuro, e nesta reviravolta do destino, Stark vai pagar bem caro, a sua excentricidade pelo qual o tornou conhecido como o HOMEM DE FERRO. Vendo se privado da sua fortaleza, e perseguido por aqueles que o querem destruir, Stark é colocado entre a decisão de uma vingança pessoal, salvar a pessoa que mais ama na vida, e ao mesmo tempo ser o herói que todos admiram.

Tal como um cavaleiro de armadura, a sua demanda é salvar a princesa em perigo mas ao mesmo tempo salvar o dia, enfrentando o dragão. Falando acerca do filme em si, tecnicamente cumpre o seu objectivo. Os efeitos visuais são do melhor que há! Destaco as cenas da destruição da mansão de Stark, das acrobacias aéreas do salvamento dos passageiros do Air Force One, e da parte final do filme. É de referir que a nova engenhosa maneira de Stark vestir a sua armadura é algo de outro mundo, é eficaz mas na minha opinião é demasiado! Ainda assim é para o espectáculo e funciona bem!

A banda sonora fica a cargo de Brian Tyler, e é boa, mas confesso que tive saudades de ouvir os temas dos AC/DC ali pelo meio. Quanto ao argumento é onde reside a sua fraqueza! A jornada do herói, onde ele é posto à prova, tem demasiadas falhas, e muitas situações que ficam por explicar. Há ainda algum descuido por parte do argumento que deixa muitos personagens aquém do esperado, mas ainda assim cumpridores da sua tarefa.

Quanto ao trabalho dos actores, destaco Robert Downey Jr. que consegue mais uma vez, dar-nos um Tony/Iron Man perfeito, especialmente agora que o nosso herói atravessa uma fase menos boa. Don Cheadle, como War Machine está um pouco distante, mas consegue destacar-se no final do filme. Guy Pearce cumpre o seu papel como o vilão de serviço, vingativo e metódico mas pouco mais que isso, para muitos que não conheçam a verdadeira história da BD, a surpresa do filme será Ben Kingsley! O actor tem uma performance competente, e dá-lhe um certo charme, mas preparem-se para um twist que só os fãs da BD conhecem. E as senhoras desta aventura são Gwyneth Paltrow e Rebeca Hall que cumprem na perfeição o seu papel, mas é óbvio que quem se destaca mais é Peper que tem aqui a sua oportunidade de brilhar como uma action girl!

Finalmente, falta falar do trabalho do realizador que teve aqui um projecto de sonho para qualquer cineasta que adore filmes de aventura e acção. Shane Black fez um bom trabalho de realização, pegando no argumento que na minha opinião poderia ter sido melhor, mas ainda assim conseguiu fazer um bom filme. Na minha opinião o melhor ainda continua a ser o primeiro filme, mas sinceramente este terceiro consegue ultrapassar o segundo filme. Numa votação de 0 a 10, fico indeciso entre o 7 e 8. Pessoalmente gostei do filme e recomendo! Em conclusão, os fãs de o Homem de Ferro não vão ficar desiludidos, mas talvez haja alguns que também não vão ficar surpreendidos. Como final da trilogia deste super herói da Marvel, foi “EXTREMIS”! (Quem viu o filme saberá o que quero dizer! Um filme a não perder! Recomendo!”

(7,5/10)

 

– André Vieira

Por motivos de localização, tive de gastar 7.50 € para ver esta longa-metragem, visto que só estavam disponíveis sessões em 3D, o que me fez torcer o nariz. Mas no final, saí da sala de cinema com um sorriso enorme no rosto e surpreendido pelo rumo que o novo director deu a este herói.

Após a invasão alienígena retratada nos “Vingadores”, Tony Stark (Robert Downey Jr) sofre agora de ataques de ansiedade, impedindo-o de dormir em condições, e ocupa o seu tempo a tentar criar uma nova armadura sempre preocupado com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Entretanto surgem duas novas ameaças: Um novo vilão (Ben Kingsley) que invade redes televisivas a anunciar os seus ataques terroristas e um cientista (Guy Pearce) que apresenta um avanço na medicina, EXTREMIS, um sistema de regeneração do corpo humano.

Shane Black preocupou-se em elaborar um filme mais completo que os anteriores, focando-se mais na dinâmica do elenco do que apenas criar algo com cenas de pancadaria sem qualquer tipo de fundamento.
Como sempre, Robert Downey Jr. carrega às costas o seu personagem de uma forma brilhante, sempre com o humor negro a que já estamos habituados. Este é talvez o filme, em que o actor está mais à vontade, o que proporciona diversos momentos divertidos e uma química muito boa com o elenco.
Destaque também os personagens secundários, nomeadamente James Rhodes (interpretado por Don Cheadle), que apresentou pela primeira vez, um aprofundamento da amizade com Tony Stark, o que proporciona um sentimento de personagens consistentes e não simples pedaços de cartão. Existem algumas pequenas surpresas no decorrer da ação e uma actuação surpreendente de Ty Simpkins, um rapaz do Tennessee.
Ao longo do filme, existem várias referências aos elementos dos Vingadores, como por exemplo “O martelo que caiu do céu”, o que resulta numa espécie de dinâmica muito boa com o que se passa no universo da Marvel. Percebe-se claramente que o director Joss Wheadon, deu algumas dicas a Shane Black, e os fãs agradecem.

Os maus da fita estão muito bem apresentados. Aldrich Killian (Guy Pearce), apresenta motivos plausíveis para se querer vingar de Tony e justifica a aposta. Ben Kinglsey como Mandarim, é um assunto completamente diferente. Nem todos vão gostar de algumas mudanças que foram feitas à volta do Mandarim e percebo bem porquê. Sem querer alongar-me muito, digamos que nem tudo é o que parece e que existe uma ligação entre todos os acontecimentos, o que altera o curso da trama várias vezes.
No entanto, existem alguns problemas a apontar: A personagem Maya, interpretada por Rebecca Hall, foi a grande sacrificada e senti que estava deslocada em relação ao roteiro do filme. Podia ter sido melhor aproveitada.

Enorme destaque para as cenas de acção, que estão espectaculares e bastante agradáveis à vista ao contrário de outros filmes do mesmo género.. (Sim, Michael Bay estou a olhar para ti). Fiquei também bastante contente com a nova banda sonora. Eleva a longa-metragem a outro nível e complementa a acção.

“Homem de Ferro 3” apresenta-se como o melhor filme da trilogia e que inicia a Phase Two da Marvel com o pé direito. Mais que recomendado para fãs de BD’s e que adoram um bom espectáculo visual, cheio de reviravoltas e personagens com carácter. Venha daí os “Vingadores 2” que eu já estou ansioso..

(8/10)

Rodrigo Marques

Blog: http://stufftal.blogspot.pt