Mestres da Ilusão 2, em análise

“Atualmente é tudo tendências de mercado, amigos inconstantes e tretas de Hollywood” foi a frase utilizada por Jack Black na cerimónia dos Óscares de 2015, para criticar a indústria do cinema dos nossos tempos. A aposta dos grandes estúdios em pequenos universos, com várias sequelas e prequelas nem sempre é a melhor estratégia para filmes de qualidade e Mestres da Ilusão 2 é apenas um perfeito exemplo disso.

O original lançado em 2012 conseguiu conquistar tanto fãs como críticos, e dessa forma o seu sucesso nas bilheteiras não chegou com grande surpresa. O conceito de ilusionismo foi uma prática bem entregue, o conteúdo pareceu algo fresco e num todo uma experiência divertida com todas as curvas de argumento e planos surpreendentes. Um pouco como um espectáculo de magia mesmo. A sequela no entanto, falha em espírito e em novidade – basicamente fomos de David Cooperfield a Cris Angel, se quisermos olhar pelo espectro metafórico de ilusionistas (um deles uma novidade original e fresco e outro um acto completamente comercial, respectivamente).

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Com isto não queremos dizer que o filme é mau, porque não é esse o caso. Mestres da Ilusão 2 consegue ainda assim produzir momentos de puro entretenimento e suspense, mas faltou-lhe o objectivo final do primeiro. No filme original, Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) procurou justiça pelo que aconteceu ao seu pai, conseguindo num plano de mestre, enganar os seus inimigos e audiências de todo o mundo, claro com a ajuda dos Quatro Cavaleiros. Porém nesta nova aventura, acabamos por complicar o simples e de refazer o argumento com personagens desnecessárias, twists inconstantes e um argumento díficil de se saborear.

O ponto de maior desilusão vai mesmo para a exploração da organização secreta “O Olho” a que fomos apresentados previamente. No final de contas Dylan Rhodes era apenas mais um peão de uma organização um pouco parecida com os Anonymous, só que para mágicos, onde a sua existência não é realmente secreta para pessoas de fora e cuja hierarquia e funcionamento fica com um grande ponto de interrogação por cima.

O elenco volta a entregar prestações sólidas, se bem que um pouco abaixo do que nos mostraram previamente. Jesse Eisenberg em principal pareceu estar num esforço constante com uma performance insípida e de baixar morais para os fãs do actor previamente nomeado a Óscar de Melhor Actor. Ao seu lado e a completar a equipa de heróis temos Dave Franco também um pouco apagado (em muito devido ao argumento), Woody Harrelson maravilhoso a dar vida aos exagerados irmãos Merritt e a nova adição Lizzy Kaplan como a cómica do grupo, se bem que fora de lugar em vários momentos.

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Daniel Radcliffe regressa ao mundo da magia com uma entrega no mínimo interessante. Walter Mearby não era um vilão ameaçador, mas sim um pouco excêntrico e baralhado da massa cinzenta, basicamente uma divertida missão para Radcliffe se entregar na sua constante luta por ser mais do que o “Harry Potter”. Certamente uma decisão para o lugar correcto. Morgan Freeman e Michael Caine regressam aos seus papeis e como veteranos já esperamos qualidade e não desiludem apesar do argumento.

Para terminar numa nota positiva, a direcção de Jon M. Chu merece elogios. As cenas de acção foram filmadas de forma orgânica e em grande plano, com apenas os cortes essenciais para não perdermos um ataque ou uma pequena magia sempre original de ver integrada. Os momentos de magia mantém a beleza estética e ainda sobem pontos na nossa consideração, principalmente o controlo da chuva de Daniel Atlas perto do acto final.

Desde a abertura dramática bem executada até ao final de deixar todos os cinéfilos a coçar a cabeça, há duas horas de filme e por isso, num tom misto há sempre momentos que vão gostar e outros que não. Se gostaram do primeiro e querem muito ser surpreendidos com mais magia e momentos inesperados, então a corrida ao cinema é compreensível, mas se o primeiro foi apenas “mais um” da vossa lista, então de todo a sequela é um produto de treta de Hollywood.


Título Original: Now You See Me 2
Realizador:  Jon M. Chu
Elenco: Jesse Eisenberg, Mark Ruffallo, Dave Franco, Lizzy Kaplan, Daniel Radcliffe, Woody Harrelson
NOS | Ação, Thriller | 2016 | 115 min

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Marcos Mendes

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