Melhores Albuns de 2017

Novos Melhores Álbuns de 2017

Na linha das melhores tradições da MHD, damos aqui a conhecer a nossa seleção dos melhores álbuns de 2107, conforme vão sendo editados ao longo do ano.

Uma visão pessoal, de espectro largo e nem sempre consensual, mas sempre orientada para o que consideramos de mais representativo entre a melhor música popular enquanto arte. Nem sempre a mais comercial, mas a que mais nos mobiliza e acreditamos que a muitos dos nossos leitores.

"A música pode mudar o mundo porque pode mudar as pessoas" Bono

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Jay Som, Everybody Works (Polyvinyl, 10 Março 2017)

Melina Duterte está-se a divertir e não é só no seu novo álbum, Everybody Works. A cantora e compositora que assina como Jay Som começou a carreira em 2015, quando, cheia de hesitações, lançou na sua página Bandcamp, sob o muito pouco título de “Untitled”, nove canções “acabadas e inacabadas”, conjunto que, tendo chamado a atenção de muitos, acabou por ser regravado e lançado em 2016, como Turn Into, pela Polyvinyl.

Melhores Álbuns 2017
Jay Som, Everybody Works

Esta nova série de canções, gravada embora igualmente no seu quarto, há muito transformado em estúdio, desafia quaisquer distinções entre baixa e alta definição. Mas não é apenas a sofisticada produção que revela a evolução musical de Duterte. As fronteiras do dream pop são aqui esbatidas e alargadas por uma recreativa mobilidade entre géneros, desde o pós-punk etéreo de “Remain” ou o shoegaze, quase noise-rock, de “1 Billion Dogs” e “Take it” até às incursões no funk, com os ritmos caribenhos tocados pela guitarra, que são “One More Time, Please” e “Babybee”.

Esta filha de filipinos, tendo praticado trompete durante nove anos e estudado composição e produção musical na faculdade, exprime aqui com confiança todas as suas influências, desde Phil Elverum, My Bloody Valentine e Sigur Rós até Steely Dan e Carly Rae Jepsen. Esta colagem sonora é unificada pela sua voz muito feminina. Suave, ensurdecida, entre a monotonia e os laivos melódicos, oscila entre a força (“If I leave you alone / When you don’t feel right / I know we’ll sink for sure”) e a docilidade (“I’ll be the one who sticks around / And I just want you to lead me”). Uma complexidade afectiva que reverbera no tema final do disco, quando, sobre um instrumental nostálgico e hipnótico, vai repetindo esperançosamente: “I’ll be right on time / Open blinds for light / Won’t forget to climb”.

JAY SOM, EVERYBODY WORKS | VIDEO OFICIAL

Maria Pacheco de Amorim

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Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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