Óscares 2016 | A corrida já começou. Quem se destaca na frente? (Parte I)

 

Encerrada a primeira vaga de festivais – com Veneza, Toronto e Telluride à cabeça – está na altura de fazer o balanço da temporada de prémios agitada que se avizinha, com os Óscares em perspetiva. Hoje analisamos o caminho de alguns filmes que já foram apresentados ao público, reservando para uma segunda parte todos os outros que permanecem em mistério até bem perto do final do ano.

Já não há dúvida nenhuma que esta temporada é dedicada às mulheres. Depois de a controvérsia ter estalado no seio de Hollywood nos últimos anos, chega finalmente a vez se passar da teoria à prática. E o primeiro candidato aos Óscares corrobora essa ideia por inteiro. Apresentado em Sundance onde foi amplamente aplaudido, “Brooklyn“, protagonizado por Saoirse Ronan, é o crowd pleaser da temporada e pode valer a Ronan a sua segunda nomeação para um Óscar depois de ter conquistado um lugar na categoria de Melhor Atriz Secundária por “Expiação”.

Mad Max: Estrada da Fúria” e “Inside Out – Divertida-Mente” foram os primeiros reais candidatos à nomeação para Melhor Filme, ambos saídos do circuito comercial e sustentados em protagonistas femininas. São também dois dos filmes mais elogiados do ano (97% e 98% de aprovação, respetivamente, pelo agregador Rotten Tomatoes), e não é descabido se os virmos nomeados para Melhor Filme (e não só).

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Mad Max: Estrada da Fúria, George Miller

 

Mas a temporada começou verdadeiramente em Cannes onde “Carol“, de Todd Haynes, arrancou aplausos efusivos e zunzuns a favor das suas protagonistas. O enredo materializa a adaptação de uma obra de Patricia Highsmith (autora de “The Talented Mr. Ripley”) sobre um inesperado romance entre uma divorciada (que é Cate Blanchett) e uma jovem empregada de loja (que é Rooney Mara). Mais uma vez as mulheres dominam a corrida, com Cate Blanchett a partir como clara favorita ao Óscar de Melhor Atriz e Rooney Mara a concorrer para Atriz Secundária.

Ainda em Cannes, Emily Blunt revelou-se uma concorrente a ter em conta pelo filme de Denis Villeneuve, “Sicario” e Paolo Sorrentino trouxe com  o seu “Youth” prestações de Harvey Keitel, Jane Fonda e Michael Caine que devemos olhar com atenção.

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Carol, Todd Haynes

 

Já mais recentemente realizaram-se as grandes montras da temporada de prémios: Veneza, Telluride e, especialmente, Toronto.

De Veneza chegou a confimação que Eddie Redmayne é candidato uma vez mais à estatueta dourada, embora o filme de Tom Hooper, “The Danish Girl” não acompanhe a qualidade das suas interpretações. Mas não é só Redmayne que se destaca neste filme sobre Einar Wegener, que mais tarde se tornou Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a submeter-se à cirurgia genital para a mudança de sexo. Também Alicia Vikander deve conseguir uma nomeação para Melhor Atriz, depois de um ano carregado de grandes interpretações por parte da atriz sueca.

Veneza acabou por revelar também o filme da Netflix “Beasts of No Nation“, com Idris Elba, realizado por Cary Fukunaga (criador de “True Detective”). As críticas foram na generalidade muito positivas e colocam o filme na corrida para Melhor Ator Secundário (para Elba), Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Adaptado.

Mais mistas, embora ainda positivas, foram as reações a “Black Mass” que destaca Johnny Depp como gangster irreconhecível e que deve ter lugar assegurado na categoria de Melhor Ator.

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Spotlight, Tom McCarthy

Consulta também: Guia das Estreias de Cinema | Outubro 2015

Evereste“, com um elenco de luxo, revelou-se uma obra sem força para Óscares, mas um outro filme com um outro elenco de luxo demonstrou o oposto. “Spotlight“, de Tom McCarthy, emerge como um primeiro front-runner da temporada. O filme é descrito como o melhor filme sobre investigação jornalística desde “Os Homens do Presidente”, e promete dominar algumas categorias. O enredo segue uma história vencedora de um Pulitzer Prize por serviço público ao denunciar um escândalo de abusos sexuais na igreja de católica de Massachusetts. Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Ator Secundário (para Michael Keaton e/ou Mark Ruffalo) e Melhor Argumento Original são categorias com vitórias possíveis.

Depois de Veneza, seguiram-se os Festivais de Toronto e Telluride onde as desilusões foram talvez maiores que as surpresas positivas.

Suffragette“, mais um filme com fortes valores feministas, sobre o luto das mulheres pelo direito da igualdade de voto no Reino Unido, foi uma das maiores desilusões. Apesar da elogiada prestação de Carey Mulligan (que pode valer-lhe uma nomeação para Melhor Atriz), o filme acaba por esbarrar num argumento que não acompanha a incrível história que pretende contar.

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Suffragette, Sarah Gavron

 

Freeheld” (com Julianne Moore e Ellen Page), “Demolition” (do realizador de “O Clube de Dallas”), “Legend” (onde Tom Hardy interpreta dois irmãos gémeos), “The Lady In The Van” (com Maggie Smith), “The Program” (sobre a vida de Lance Armstrong) ou “I Saw the Light” (biopic de  Hank Williams protagonizado por Tom Hiddleston) foram filmes que viram as suas esperanças goradas, após receções muito aquém do expectável.

Do outro lado da trincheira, há o biopic inusitado de “Steve Jobs“, constituído por três grandes cenas onde se apresentam três produtos da Apple, que arrecadou aplausos. Os elogios vão sobretudo para a prestação de Michael Fassbender (um dos favoritos para Melhor Ator) e para o argumento de Aaron Sorkin. Danny Boyle também pode aqui conseguir uma nomeação para Melhor Realização.

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Steve Jobs, Danny Boyle

 

Ainda do lado das boas surpresas, destaque para “Room“, com Brie Larson, que venceu o prémio do Público em Toronto (recorde-se que “12 Years a Slave”, “Silver Linings Playbook,” “The King’s Speech”, “Slumdog Millionaire“ ou “The Imitation Game” foram vencedores em anos anteriores) e “The Martian“, de Ridley Scott (descrito como um “Interstellar” com o ‘descomplicómetro’ ligado, e um dos melhores filmes de Scott em muitos anos).

A não perder de vista estão também “Trumbo“, com Bryan Cranston, “Truth“, com Cate Blanchett e Robert Redford e “Our Brand is Crisis“, protagonizado por Sandra Bullock. Todos filmes com receções mistas, mas com elogios para os seus atores.

Segue-se agora o Festival de Nova Iorque e o AFI FEST que apresentarão mais filmes numa temporada que está longe de ter um claro favorito. E daqueles já apresentados ao público e à crítica, a corrida aos Óscares faz-se mais ou menos nestes moldes:

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Favoritos

Carol
Spotlight
Steve Jobs

Na corrida

Mad Max: Estrada da Fúria
Inside Out – Divertida-Mente
Brooklyn
The Danish Girl
Beasts of No Nation
Room
The Martian
Black Mass
45 Years

Com menos hipóteses

Trumbo
Our Brand Is Crisis
Truth
Sicario
Youth
Love & Mercy

Em queda

Suffragette
Freeheld
I Saw the Light
The Lady In The Van
Demolition (já corre oficialmente apenas para 2017)
Legend
The Program

 

 

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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