Perry Mason | Entrevista exclusiva a John Lithgow e Juliet Rylance

“Perry Mason” é a nova série da HBO Portugal e para celebrar o seu lançamento, estivemos à conversa com duas das suas estrelas, nomeadamente, John Lithgow e Juliet Rylance!

Inspirada nas personagens criadas por Erle Stanley Garder na década de 1930, “Perry Mason” segue um advogado em início de carreira que se depara com um caso que mudará para sempre a sua vida. A série leva-te à Los Angeles de 1931, cidade que prospera enquanto o resto do país ainda sente as consequências da grande depressão. Do elenco fazem parte John Lithgow (Elias Birchard “E.B.” Jonathan, um advogado em dificuldades e  empregador semi-regular de Mason), e Juliet Rylance (Della Street, a secretária criativa e jurídica da E.B. Jonathan).

Para celebrar o lançamento da série na HBO Portugal em junho, trazemos esta entrevista exclusiva que partilha alguns detalhes interessantes sobre a história e as suas personagens! Preparado?

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O que mais gostaram em “Perry Mason” e como é que entraram neste projeto?

John Lithgow: A primeira vez que ouvi falar dela [da série] foi quando me foi oferecida. Já havia muitas coisas definidas incluindo o Tim Van Patten, um realizador com que sempre quiz trabalhar. No final acabei por ter razão – ele é um homem maravilhoso e um grande realizador. A ideia de ter o Matthew Rhys a interpretar o Perry Mason também me fascinou, automaticamente transformou este projeto em algo muito diferente. Foi-me apresentado como uma reimaginação ousada e, de certa forma, uma série completamente nova. Quando me enviaram o guião, ficou claro nas primeiras páginas que eles [os argumentistas Ron Fitzgerald e Rolin Jones] eram engenhosos e originais. O facto de se passar na Los Angeles dos anos de 1930 também me entusiasmou muito. Foi uma grande era. Los Angeles é uma cidade maravilhosamente corrupta e sempre o foi. [Esta série] tem todos os elementos de “Chinatown”, um dos meus filmes favoritos.

Juliet Rylance: Em primeiro lugar [o que mais gostei] foi do guião, e deste mundo que parecia saltar das páginas conforme as lia. A década de 1930 é um período tão fabuloso para se construir uma história. E as personagens pareciam tão bem desenhadas quanto o mundo em que habitam. Depois adicionas o Tim Van Patten e a HBO e, de repente, tudo é muito entusiasmante.

Já conheciam alguma coisa sobre Perry Mason?

JL: Nunca li os livros, só conhecia a série de televisão [dos anos 1960]. Tem sido o template para dramas sobre procedimentos legais desde então. Foi uma série divertida mas que não envelheceu bem, é diferente da que fizemos. Os argumentistas mergulharam na história de Los Angeles e encontraram pessoas extraordinárias que transformaram em personagens da série.

JR: O “Perry Mason” original é me muito querido porque costuma vê-lo com o meu pai. Acho que dava aos domingos à tarde no Reino Unido e eu gostava muito. Sou uma enorme fã de drama sobre tribunais. Esta semana revi o “Mr Smith Goes to Washington” [Frank Capra, 1939] pela centésima vez! Na essência de “Perry Mason” temos uma pessoa que luta contra a corrupção, em busca da verdade. Essa essência mantém-se bastante intacta na nossa série.

O E.B. não é uma personagem das histórias originais ainda que tenha um papel significativo na série, como o mentor de Perry Mason. O que mais nos pode dizer sobre ele?

JL: O E.B. não é jovem e os seus melhores dias estão para trás, apesar de achar que nem nos seus melhores dias ele era um grande advogado. Ele está um pouco ultrapassado e pensa nos dias do antigamente, quando ele era conhecido entre os advogados de Los Angeles, quando conhecia toda a gente, e sabia que cordelinhos puxar. Ele era ligeiramente corrupto e ajudou muitos clientes ricos mas já passou muito tempo desde que tinha esse tipo de veemência. Precisa de um grande caso mas esse caso [na série], transforma-se em algo maior do que ele, levando-o a depender completamente de duas pessoas – uma delas o Perry Mason e a outra é [a sua assistente] Della Street.

Basearam o E.B. em alguém em especial?

JL: Eu meio que me baseie em mim mesmo. Ele é um bocadinho “velho chanfrado” e a minha autoestima começa a aludir-me nesta idade! Enquanto estão todos a pensar em quão diferentes são o Perry, o Paul, o Drake e a Della do original, o E.B. é uma personagem nova, é maravilhoso. Descobres muita coisa sobre o E.B. na sua trajetória da sua vida. No início ele parece muito cheio de si, com a mania de mandar, poderoso, mas aos poucos ele começa a mostrar quem realmente é. A ideia, nesta história original, é de que o Perry Mason toma o lugar do seu mentor, o E.B, por isso, eles tinham de criar uma personagem fascinante que, eventualmente, dá o espaço ao Perry.

JR: No outro dia, estava a falar com o Tim Van Patten e perguntei-lhe: ‘quando leste sobre o E.B viste-o como uma personagem extraordinária ou foi a escolha do John Lithgow que o transformou numa personagem extraordinária’. Eu pergunto muito isto – o quanto vem da escolha do ator e quanto vem da própria personagem em papel. O Tim respondeu: ‘Obviamente a escrita é excelente, mas não, quero dizer, vem tudo do John!’ Lembro-me de ler o papel e pensar, espero que encontrem alguém bom porque isto não será fácil de conseguir! Foi uma grande lição para mim, desde que tenhas a fundação na página, a personagem torna-se no que o ator trouxer consigo.

Juliet, como foi interpretar uma personagem bem conhecida do público?

JR: Foi assustador. Ainda é assustador! Eu amo a Della Street original e sempre fui uma grande admiradora da Barbara Hole, atriz que a interpretou na série. O interessante sobre a Della, é que ela é muito diferente no início da história. Ela é espirituosa e sabe responder à letra mas existe algo de silencioso, um pouco de falta de confiança, nela. Ela não fala muito nos primeiros episódios, sem ser com o E.B. Apenas observa. E o facto dela e do Perry não gostarem um do outro frusta imediatamente a Della. Ela é a secretária de confiança, e de muitos anos, do E.B, adotando ainda o cargo dos membros da firma que já a abandonaram. Penso que o que Della esconde abaixo da superfície, é o seu desejo de ser vista e aceite como a mulher inteligente e altamente capaz que ela é. Em todas as cenas em que eu estou, tudo é guiado pelos homens que rodeiam Della. Ela apresenta-se neste mundo carregando a luta feminista, tentando mudar a direção das pessoas.

Qual é, para vocês, a cena mais memorável do filme?

JL: Existem tantas cenas conjuntas fantásticas. Os argumentistas devem gostar imenso dos filmes dos anos de 1930 e 1940 porque criaram estas grandes personagens que lembram os filmes do Preston Sturges. Há algumas cenas de conjunto tão boas que não seriam possíveis sem atores fantásticos e eles encontraram-nos a todos: Eric Lange, Stephen Root, Nate Corddry, Andrew Howard, Jefferson Mays. Uma das cenas em particular, temos a Juliet e o Matthew a mandar linhas de diálogo seguidas de um para o outro. A energia em certa altura era tanta, e a raiva, e a fala. É o mais parecido que um filme consegue ser de uma peça de teatro. Essas foram cenas maravilhosas.

JR: Como filmámos a série em Los Angeles, pudemos fazer umas cenas gigantes nos degraus do City Hall. Ver 600 pessoas todas vestidas com fatos detalhados, e todos os carros estacionados na rua, foi muito comovente, estar no lugar de alguém daquela época. Outra coisa que me comoveu bastante foram as cenas fabulosas onde tentamos chegar à verdade de alguma coisa, no tribunal, num palco da Paramount Studios.

O que mais vos chamou a atenção durante as filmagens?

JL: A produção e o design do vestuário foram extraordinários, foi fantástico entrar naquele mundo, mas também foi bom entrar naquele mundo na minha cidade natal. Ver partes da cidade como nunca as vi. Foi como ir numa viagem de estudo histórica por Los Angeles todas as manhãs! Haviam uns edifícios na baixa da cidade – graças a deus que não tinham sido deitados abaixo como aconteceu à maioria deles – muito bons para criar o mundo. Li uma crítica maravilhosa que dizia que esta era a série mais bonita alguma vez criada, e acredito que isso venha do facto de que foi feito da forma correta.

Gostaríamos de agradecer à HBO Portugal por nos dar esta grande oportunidade! Lembramos que “Perry Mason” se encontra na plataforma e o primeiro episódio já pode ser visto, sendo seguido por novas aventuras a 29 de junho e 6 de julho!

Ângela Costa

Mestre em Cinema pela Universidade da Beira-Interior, sou apaixonada pelo cinema japonês e toda a cultura que o envolve. Adoro igualmente fotografia e se tiveres curiosidade passa no meu Instagram ;) Música e videojogos são dois outros grandes interesses.

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