Rita Blanco em Entrevista à MHD – Lucy é Sexy (GRU2)

Rita Blanco dispensa apresentação. E foi um prazer entrevistá-la numa bem disposta manhã de sábado, impregnada das good vibes emanadas pelo nosso GRU – O Maldisposto 2, em que partilhou connosco quanto se divertiu nos bastidores, mas igualmente quão desafiante e estimulante é o trabalho de dobragem.

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MHD: Este não foi o primeiro projeto de animação que fizeste. A Kirsten Wiig dá a voz à tua personagem (Lucy) na versão original.  Quiseste ser a Rita Blanco ou inspiraste-te na versão original?

Rita Blanco: Eu tenho sempre, de alguma forma, que ser influenciada pelo original quando o próprio boneco foi construído a partir do ator que lhe dá a voz. Quando não é assim aí torna-se mais fácil distanciarmo-nos e é óbvio que quando vou fazer a dobragem de uma personagem também tenho que acrescentar a minha maneira… aliás basta ser a minha voz para ter a ver com o meu trabalho. Eu não quero de maneira nenhuma ser o original. Eu só quero servir o propósito de… a personagem é esta, como é que eu posso tirar o melhor partido da personagem. É este o meu papel. Não posso inventar uma personagem nova, de maneira nenhuma, nem seria esse o objetivo porque senão estava a destruir o trabalho e eu não quero isso. Até para me pagarem, não é? (risos)

 

MHD: És adepta de filmes exclusivamente dobrados em português ou achas que devemos continuar a oferecer a versão original e a versão dobrada?

Rita Blanco: Acho que devemos oferecer a versão original e a versão dobrada. Mas acho que, particularmente no caso da animação, a dobragem é muito importante e é boa a vários níveis, sendo que a mais importante não é dar trabalho aos portugueses, mas tem importância. É importante continuar a ouvir a língua portuguesa mas também é importante haver as versões originais. Já quando não se trata de animação sou absolutamente contra.

 

MHD: Já fizeste de tudo – teatro, cinema, telenovelas, dobragens … A dobragem tem certamente as suas características próprias. Qual é o desafio principal, na tua opinião, para uma boa dobragem?

Rita Blanco: É fundamental a direção, aliás trabalho com muito poucas pessoas e com gozo só com duas pessoas basicamente. E é desse prazer e da capacidade de direção das personagens que pode surgir um bom trabalho. E claro também da escolha das pessoas que o vão fazer. Eu acho que tenho tido a sorte de trabalhar com os melhores e além disso de ter sido escolhida para os trabalhos certos. Também não vou fazer uma coisa que eu não gosto, à partida. Já o fiz mas nós vamos trabalhando e construindo os nossos próprios caminhos. Eu já trabalhei com pessoas de quem não gosto e não funciona.

 

MHD: Com quem gostas mais de trabalhar no caso das dobragens?

Rita Blanco: Eu gosto imenso do trabalho da Claudia Cadima, sou amiga dela e gosto muito dela. Acho que é uma mulher que sabe estimular muito bem as pessoas que trabalham com ela e isso é fundamental. É o prazer que se encontra. Nós temos de trabalhar com prazer em vez de estarmos ali só para ganharmos uns tostões e a tentar fazer aquilo certinho. Eu acho que ela tem essa capacidade. É um dom. Depois passei a trabalhar também com o José Jorge Duarte e este filme foi divertidíssimo de fazer com ele. Também é um ótimo profissional que gosta do que faz e isso marca a diferença. Já trabalhei com quem não gostei, digo-lhe já. Até esqueci os nomes, é verdade (risos). Também gostava de fazer dobragens com o António Feio, mas com esse já vai ser difícil… Mas cheguei a fazer dobragens com ele. Discutíamos imenso. Eu era muito mais nova e fazia uma coisa horrível que era, estar a ouvir a monição do original e enganava-me e dobrava em inglês e ele fazia-me assim: “Rita, se fosse para dobrar em inglês…” e eu dizia “ah, pois é…” mas era muito engraçado trabalhar com ele. Porque o trabalho tem de ser agradável e estas pessoas de quem lhe estou a falar, quer o António, quer o José Jorge Duarte, quer a Claudia Cadima, são pessoas que estão disponíveis, são generosas, estão ali para trabalhar e fazer com que a vida vá andando o melhor possível. E é assim que eu trabalho com estas pessoas.

 

MHD: Já sei que não viste o filme completo…

Rita Blanco: Só vi a minha parte…

MHD: …mas de qualquer forma, qual a tua espectativa em relação ao GRU 2?

Rita Blanco: Não tive noção do conjunto mas havia muitas partes em que havia humor e isso diverte-me. A minha personagem é cómica e … sexy, eu acho (risos), pelo menos achei quando a fiz. Achei que tinha imensa graça e subtilezas. Isso nem sempre acontece na animação… Estou a ser injusta porque ultimamente têm surgido filmes de animação muito engraçados.

 

MHD: O teu leque de intervenções é vasto e rico, “Sangue do Meu Sangue, “Amor” recentemente …

Rita Blanco: … mas aí foi um papel muito pequenino…

MHD: … sim, mas marcou muita gente e foi um filme importante. Disto tudo de que é que mais gostas de fazer?

Rita Blanco: Eu não seria esta atriz se não fizesse teatro. O teatro é a escola, para mim. A minha escola. É onde eu cresço um bocadinho com atriz. Mas também não sei viver sem cinema. O cinema é onde eu me sinto mais à vontade. É muito mais difícil fazer teatro. Sinto-me mais à vontade a fazer cinema, mas o cinema que eu faço não era possível se eu não fizesse teatro. E às vezes também me divirto a fazer televisão. Há projetos que me divertem, outros nem tanto.

MHD: Obrigado Rita, Foi um gosto!

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Nicolau Breyner, Rita Blanco, Joaqu im de Almeida, Lourenço de Almeida, Maria João Bastos, Ana Brito e Cunha, Carolina Sales e Beatriz Monteiro são algumas das estrelas que dão vida às personagens de “Gru – O Maldisposto 2”, a sequela das aventuras do pseudo-vilão Gru, as suas três filhas adotivas e o despropositado exército de mínimos.

 

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Nesta nova aventura, repleta de ação e de momentos hilariantes, Gru (Nicolau Breyner) encontra em Lucy (Rita Blanco) a parceira perfeita para enfrentar Eduardo ‘El Macho’ (Joaquim de Almeida) e o seu filho António (Lourenço de Almeida). Participar na versão portuguesa foi em si uma verdadeira animação ou não fosse este um dos filmes mais divertidos do ano.

 

MAKING OF

SINOPSE

Chris Meledandri e a sua aclamada equipa criaram uma nova e super divertida aventura com o (reformado?) super-vilão Gru (Nicolau Breyner), as suas adoráveis meninas, os hilariantemente imprevisíveis Mínimos… e um grupo de novas e escandalosamente divertidas personagens.

Gru – O Maldisposto, o blockbuster da Universal Pictures e da Illumination Entertainment, que animou os espetadores de todo o mundo em 2010, arrecadou mais de 540 milhões de dólares, tornando-se na 10ª animação mais rentável de sempre nos Estados Unidos. No verão de 2013, prepare-se para a loucura dos Mínimos em Gru – O Maldisposto 2

Rui Ribeiro

Engenheiro, publisher, melómano e audiófilo, daqueles que ainda vão ao cinema, compram vinil, cd's, blu-rays, a Empire e a Stereophile em papel.