Rosa Acorrentada – A Crítica
Julie Soto lançou o seu primeiro livro em 2023 e depois de consolidar o seu nome na ficção romântica decidiu arriscar na fantasia para o seu terceiro livro “Rosa Acorrentada”.
Esta história acompanha Briony Rosewood, que vê o irmão morrer e o reino de Evermore cair depois de uma profecia falhada e de uma guerra perdida. Assim, Briony é vendida num leilão por causa da sua poderosa magia, ao seu rival da escola Toven Hearst, também herdeiro de uma família poderosa.
Briony está determinada a fugir e a juntar-se a uma rebelião secreta. No entanto, à medida que descobre segredos sobre Toven, percebe que a linha entre inimigo e aliado pode ser mais ténue do que imaginava.
A inspiração por detrás de Rosa Acorrentada
Uma das particularidades mais curiosas de “Rosa Acorrentada” é o facto de ser inspirada em “Harry Potter”. É, mais precisamente, uma fanfic de Harmony e Draco, duas personagens de “Harry Potter” que muitos fãs desejavam ver como casal.
Aqui, Julie Soto vai buscar traços destas duas personagens e cria um cenário de “e se Harry tivesse perdido a guerra para Voldemort”. É daí que parte a premissa do novo livro que cria um novo mundo de magia e dá destaque a novas personagens inspiradas neste universo.
Ainda que tenha esta inspiração, as referências ao universo de J. K. Rolling são ténues e Julie Soto escreve um novo mundo, bem construído, mais dark e mais romântico. Apesar de ser uma fantasia mais dark, a escrita é simples, com um bom ritmo e rapidamente entendemos o sistema de magia.
Julie Soto não tem medo de abordar temas pesados
Como referido na sinopse do livro, a personagem principal Briony é vendida num leilão, o que dá o mote para abordar temas como o tráfico humano, exploração sexual, repressão e violência.
Assim, debati-me durante todo o livro sobre a forma como a autora aborda estes temas. Por um lado, considero que são temáticas de extrema importância, principalmente agora, com o que se passa na política mundial.
A autora aborda estes temas de forma crua e mesmo sendo um mundo ficcional e fantasioso, há coisas muito reais e que nos deixam a pensar. No entanto, há certos momentos em que estes temas parecem romantizados, principalmente pelas personagens principais. Este foi o pormenor que menos gostei no livro. Há certos momentos que não deviam ser romantizados e certas cenas que estão lá apenas para nos chocar.
Personagens dúbias em Rosa Acorrentada

Tanto em filmes, como em séries ou livros, uma das coisas que mais gosto de ver são personagens dúbias. Porque nos dão um mundo mais complexo para explorar e porque me parecem mais humanas.
Assim, apesar de algumas decisões questionáveis gostei muito das duas personagens principais e da sua dinâmica. Da forma como se completam, porque aparentemente são o oposto, mas há muitos segredos para desvendar neste livro.
Assim, há também muitos segredos que ficam por contar no final deste primeiro livro da saga. Deixa-nos num excelente cliffhanger que me faz crer que o próximo livro será o melhor da trilogia que aí vem. Um bocadinho como em “ACOTAR” , em que o primeiro livro é muito bom… até que lemos o segundo, que nos faz apaixonar pela história.
Conclusão
“Rosa Acorrentada” afirma Julie Soto na fantasia com um universo bem construído, personagens moralmente complexas e uma narrativa que equilibra romance e crítica social.

