O furacão Scorpions passou pelo segundo dia do MEO Marés Vivas 2017

Um concerto magistral dos Reis do Rock levou à história musical o segundo dia do MEO Marés Vivas, marcado também pelas atuações de Amor Electro, Lukas Graham e Expensive Soul. 

Dia dois, e já se notava uma mudança no ar. A lotação esgotada do dia que ia ter uma banda veterana no seu palco principal fazia-se notar nos primórdios do recinto, muito mais preenchido de caras e camisolas bem representativas de uma geração de Rock que teima em não desaparecer – e cujo legado está claramente a ser transmitido entre gerações. Um recinto que abriu as suas portas mais cedo para o Palco Santa Casa, no qual o Hip-Hop e Rap em português venceu, com as atuações iniciais de João Pequeno, Kappa Jota e Mundo Segundo.

Mas era inevitavelmente no Palco Principal que se concentravam as atenções, com uma multidão animada a receber de braços abertos os Amor Electro que abriram as portas ao Rock no Cabedelo. Marisa Liz, com a energia contagiante que a caracteriza, não pousou um pé no chão ao longo de todo o concerto e interagiu com os festivaleiros que com ela já ansiavam por um momento em que pudessem abanar o capacete. Pediu a colaboração do público assistente para cantar “Só É Fogo Se Queimar“, com garra entoou “Juntos Somos Mais Fortes” criando uma corrente de energia coletiva à qual nenhum dos presentes ficou indiferente, e culminou com “A Máquina“, num concerto com a qualidade elevada habitual dos Amor Electro.

Ao Rock português seguiu-se Lukas Graham. A banda dinamarquesa de mesmo nome do vocalista atuou entusiasticamente sob o céu laranja do Estuário, aumentando a plateia progressivamente até estar apenas um mar de pessoas à vista. Após terem escolhido o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para encerrar a sua tour há apenas 3 meses atrás, o grupo voltou a Portugal com a mesma felicidade que saiu, entoando êxitos pelos seus fãs conhecidos como “Drunk in the Morning” e “Take the World by Storm“.

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Chegado o momento de “Mama Said“, o cantor tinha um conselho para o público: “Let’s promise that we’ll talk more about the people who are still alive because we can still do something to change things”, referindo a sua mãe, para quem escreveu o tema. Por fim, e como não poderia deixar de ser, o tema mais conhecido da banda entoou ao longo de toda a margem do rio: “Wait a minute, do you guys know this song?”, brincou Lukas Graham, antes da interpretação sentida de “7 Years“.

O público não destronou. Grande parte dos presentes queria ver os veteranos em ação. Muitos tinham já estado presentes no mítico concerto de 2009, no mesmo espaço ao qual os germânicos não retornaram até ontem, e como tal, esperava-se um espetáculo de dimensões elevadas – e assim o tivemos. Abriram com “Going Out With a Bang“, e, com um poderio inigualável, subiram ao palco e fizeram dele a sua casa, levando-nos consigo numa viagem no tempo até ao que de melhor se ouvia nos anos 70, 80 e 90. Imponentes solos de guitarra, luzes, a bandeira de Portugal e um público ao rubro, desde os miúdos até aos mais graúdos. Um apurado medley de “Always Somewhere/Eye of the Storm/Send me an Angel” precedeu um dos primeiros enormes momentos da noite, “Wind of Change“, numa reviravolta inesperada às setlists que por si têm sido apresentadas – mas a multidão agradece e junta-se em coro. Houve ainda (muito) tempo para “Can’t Get Enough“, “Overkill“, e um solo sensacional do baterista Mikkey Dee, ex-Motörhead.

E após “Big City Nights” e uma breve saída do palco, a banda de Klaus Meine volta para um magnificente encore que levou ao êxtase da noite: o lotado recinto do MEO Marés Vivas entoou “Coming Home“, “Still Loving You“, que o público sabia de cor, e para terminar, “Rock You Like a Hurricane“, culminando num esplendor ainda não sentido antes nesta edição. Antes da despedida que ninguém queria que acontecesse, houve ainda tempo para o lançamento de umas dezenas de baquetas, palhetas, toalhas, e de uns bons minutos de aplausos que pareciam nunca ser suficientes para agradecer o que se havia presenciado naquela noite. A sumptuosidade dos Scorpions voltou a mostrar-se, mais uma vez, nos terrenos de Gaia, e os cinco músicos que atualmente os compõem entregaram-se e mostraram que a idade é um número que, no caso deles, não se faz sentir – estavam rendidos ao povo português, e nós estávamos rendidos a eles.

Mais uma vez, a tarefa ingrata de acabar a noite pertenceu ao grupo português Expensive Soul. Energia já faltava ao público após uma noite cheia de emoções, mas no grupo liderado por New Max e Demo havia de sobra, levando os ainda presentes a saltar desde o início até ao final. A banda de Leça da Palmeira promoveu a constante interação com o público, trouxe luzes, bolas gigantes e confetti, e ainda bastantes êxitos do seu reportório como “Que Saudade“, “Hoje é o Dia + Feliz da Minha Vida”, “13 Mulheres“, e “O Amor é Mágico“. No retorno ao palco, Demo gritou “somos os homens mais felizes do mundo!”, e incentivou o público masculino a tirar as camisolas e acompanhá-los numa versão modificada de “Eu Não Sei“, na qual, com a ajuda dos resistentes do dia, mostraram que foram a escolha certa para animar o final do segundo dia do MEO Marés Vivas.

meo marés vivas
Crédito: Igor Martins

Um segundo dia soberbo, que com certeza irá ficar nos quadros de honra do festival!


Texto e fotografia: Ana Rodrigues e Catarina Fernandes

Ana Rodrigues

Seriófila, e amante das artes cinematográficas.

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