Segurança Nacional T2 – Em Análise

 

HomelandCover Título Original: HomelandProdutores: Howard Gordon, Alex Gansa

Elenco: Claire Daines, Damian Lewis, Mandy Patinkin

Género: Drama, Crime, Thriller

2011| EUA

Fox HD| Segunda-Feira23:16

Classificação: [starreviewmulti id=7 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’]

 

“Queres Ser Terrorista? Vai Para A Política”

 

Cá voltamos nós ao lugar comum, do espião que já não é espião até dar consigo novamente a espiar. Obviamente que nos estamos a referir a Carrie Mathison (Claire Danes), a agente secreta da CIA que regressa com guia de marcha para dar aulinhas de inglês a estudantes estrangeiros.

Os produtores da série: Alex Gansa e Howard Gordon não estiveram com meias medidas, na hora de conceder umas merecidas férias à nossa protagonista de serviço, mas cedo tomaram consciência da necessidade urgente de revalidar a sua licença para espiar. E verdade seja dita, mesmo sem se encontrar no pleno das suas faculdades mentais, Carrie, já sentia o bichinho da saudade a comer-lhe a paciência, tão entediada que estava com a sua nova condição de civil.

E se Deus ou Alá, escreveram direito por linhas tortas, é certo que o timing não poderia ter sido mais oportuno, para a nossa loira arranjar um pretexto e voltar ao ativo, ainda que oficiosamente. Chamem-lhe clichê predestinado ou acaso com sentido, afinal de contas, o mais importante é garantir aquele pedaço de informação crucial, prometida exclusivamente a Mathison, por uma antiga e leal informadora.

Já agora, vamos aproveitar a deixa e partilhar alguma “intel” extremamente valiosa com os nossos “assets” MHD. Claire Danes, não só vai fazer um papelão nesta segunda temporada, como vai tirar da cartola: expressões peculiares, tiques maníacos, olhares tresloucados que se vão embrenhar nos sentidos, de forma real e convincente. É caso para dizer que Claire Danes, vai ocupar a vida e roubar a alma de Carrie Mathison. Aliás, o melhor elogio que lhe poderemos fazer, é temer que ela consiga dissociar-se na realidade da personagem que interpreta, com todas as suas obsessões e compulsões, “affairs” proibidos e missões perigosas, sobretudo no que toca ao soldado Nicholas Brody (Damian Lewis), ou deveremos dizer: “Sr.Congressista”?

Pois é, muita coisa mudou desde o incerto desfecho da primeira temporada. Talvez por esta altura, o Sr. Barack Obama, espetador assíduo desta premiada série, ainda esteja de joelhos a vociferar um cântico de agradecimento a todos os santinhos e mais alguns, não tivesse o seu sargento preferido, perdido a coragem na hora de atuar. Mas aqui entre nós, eu preocupava-me mais em colocar escutas telefónicas e mandar seguir todos os membros do Congresso  americano, “just in case”.

Vai ser interessante, acompanhar a mudança de estilo do congressita Brody, qual António José Seguro na corrida por uma palmeira política e um bungalow ao sol. Só mesmo o nosso militar viril para aguentar esta maratona de caça às bruxas, ou melhor, ao aprendiz de bruxo que é ele, pelos vistos. E chegará aquela hora maldita de escolher uma aliança e renovar os votos da sua lealdade, testada até ao limite por aqueles com ascendente sobre ele.

Tiramos o chapéu a Damian Lewis, pelo carisma e autenticidade que empresta à sua personagem. Arriscamos mesmo a dizer, que não conseguimos vislumbrar no imediato, outro ator tão apto e capaz de desempenhar um papel desta magnitude. Encarnar a pele de um homem que vive atormentado pelo seu passado, no cerne de uma crise existencial de crenças religiosas e valores morais que alimentam um sentimento de justiça distorcido, não é para qualquer um desempenhar. Não será também o fardo emocional que terá forçosamente de transportar e gerir, nos conflitos domésticos e profissionais, mas costuma-se dizer que quem corre por gosto, não se cansa.

E como não há dois sem três, uma menção honrosa a Saul Berenson (Mandy Patinkin), o mentor paternal de Carrie Mathison. Tal como a grossura das suas lentes sugerem, um especialista exímio na leitura de perfis psicológicos que serão fundamentais no desenrolar dos acontecimentos, sobretudo na estreita cooperação e supervisão com a miúda dos seus olhos. Sem ele, esta série perderia brilho e inteligência, para não dizer charme, mas esse adjectivo preferimos reservá-lo para a sua estudante mais atraente.

Resumindo e concluindo, façam um favor a vocês próprios e consumam a segunda temporada de “Segurança Nacional” como uma bela francesinha saborosa e interminável. A confeção do elenco é do melhor que há, a gema do enredo é cativante, o molho da banda sonora é potente.

P.S – E agora vão-nos dar licença, mas vamos “trincar” uma das melhores séries do momento…

MS

 

Miguel Simão

Jurista e Poeta em algumas horas vagas. Cinéfilo incurável com forte pancada pelo sci-fi, que se perde algures pelo vício noturno de umas quantas séries televisivas de renome; amaldiçoado pelo perfecionismo estético de uma resma de palavras mais ou menos caras. Podem encontrar-me a divagar entre a Terra e o Espaço no meu blogue premiado Última Transmissão Humana.