Segurança Nacional T3 | Primeiras Impressões

 

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  • Título Original: Homeland
  • Produtores: Showtime
  • Criadores: Howard Gordon, Alex Gansa
  • Elenco: Claire Daines, Damian Lewis, Mandy Patinkin, Morena Baccarin, Rupert Friend
  • Género: Drama, Crime, Thriller
  • 2011 | EUA | FOX HD | Quinta-Feira | 22:15

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O povo é quem mais ordena e a “Showtime” não hesitou em voltar a alistar terroristas e espiões para uma terceira rodada. Depois de um final eletrizante e surpreendente, criou-se uma “hype” gigantesca em torno do dossiê secreto: e agora o que se segue?

Tin Man Is Down” – É com esta expressão militarmente codificada, que o quartel-general da CIA em Langley, acorda de um ataque terrorista brutal. Só desapareceu meio edifício e duas centenas de almas. Saul Berenson (Mandy Patinkin) recebe a agência em frangalhos, e fica com a batata quente de atribuir um rosto ao autor daquele ato grotesco. Com Nicholas Brody (Damian Lewis) a monte, Carrie Mathison (Claire Danes) é chamada a prestar declarações a uma comissão de investigação presidida pelo senador Andrew Lockhart (Tracy Letts), aonde mete os pés pelas mãos na tentativa desesperada de ilibar Brody daquele massacre. Peter Quinn (Rupert Friend) é destacado para eliminar o cabecilha de lata, trazendo algum conforto e retribuição aos seus colegas e país.

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Os tempos são de luto e requerem um controlo de danos urgente e cauteloso. E se estávamos habituados a perseguições desenfreadas a saltitar de pista em pista, o tom de arranque é bem mais pausado e silêncioso. A agência de inteligência central ficou ferida no seu orgulho americano, e tenta reagrupar-se realocando todos os seus recursos tecnológicos e intelectuais na identificação de todos os implicados direta ou indiretamente no atentado bombista. Saul foi promovido a diretor da CIA, acarretando uma bagagem que aumenta o seu peso exponencial a cada tomada de decisão irrevogável. Talvez seja esse o motivo do seu olhar negro e implacável, menos condescente com os erros e fracassos dos seus operativos, proporcionando a Patinkin o papel da sua vida. Aliás, parece-nos óbvio que a série dramática pretenda direcionar-se para um campo emocional mais pesado e denso, explorando com maior persistência o lado mais disfuncional, frio e perverso das personagens intervenientes.

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Acabaram-se as palmadinhas nas costas e o ombro de amigo para a choradeira. Que o diga Carrie, com um rótulo de “desiquilibrada” colado na testa e um cartaz enorme de suspeita pintado nas costas. Mas sempre que a vemos “descontrolada” é quando nos apercebemos do brilhantismo da interpretação de Claire Danes, tão cruelmente realista e tão arrepiantemente próxima dos nosso corações sensíveis.  E após uma fuga de informação comprometedora, até a maior verdade do mundo se torna na maior loucura inconveniente, colocando a agente Mathison naquele lugar comum de bode expiatório a silenciar. Para já, a série de espionagem parece sobreviver bem sem a sua presença no terreno, e com Brody em parte incerta abrem-se as portas para a exploração e aprofundamento de outras personagens secundárias.

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Nestes dois primeiros episódios conseguimos ter um “glimpse” mais íntimo de Peter Quinn, ao mesmo tempo que a ausência de Brody permite que a sua filha Dana (Morgan Saylor), assuma um papel de maior relevo enquanto adolescente perdida numa crise existencial. Segurança Nacional, caminha a passos largos para se tornar na melhor série de espionagem de todos os tempos, ainda mais com este investimento no desenvolvimento das personagens de segunda linha, dando á série televisiva uma lufada de ar fresco para respirar noutras direções igualmente empolgantes.

MS

Miguel Simão

Jurista e Poeta em algumas horas vagas. Cinéfilo incurável com forte pancada pelo sci-fi, que se perde algures pelo vício noturno de umas quantas séries televisivas de renome; amaldiçoado pelo perfecionismo estético de uma resma de palavras mais ou menos caras. Podem encontrar-me a divagar entre a Terra e o Espaço no meu blogue premiado Última Transmissão Humana.

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