The Witcher 3: Wild Hunt – (PS4) | Análise

 

 The Witcher 3 Wild Hunt cover  

  • Editora: Namco Bandai
  • Produtora: CD Projeck Red
  • Plataformas: PS4, Xbox One, PC

 

Classificação  [starreviewmulti id=8 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’]

 

É um dos jogos mais desejados para este ano. Desde que em 2013 começámos a ver trailers deste jogo que as expectativas foram sempre a aumentar, levando a que muitos afirmassem que este seria o jogo de 2015. Nos últimos tempos foram várias as notícias a indicar um downgrade da qualidade gráfica, mas poderá essa regressão gráfica ser realmente relevante se o jogo for muito bom?

Comecemos por afirmar o seguinte: ao fim de 120 horas de jogo, ainda existe muito para se fazer. The Witcher 3: Wild Hunt é um jogo verdadeiramente grande e neste momento a noção que temos é que serão precisos perto de 140 horas para se fazer tudo o que o jogo nos oferece.

The Witcher 3: Wild Hunt apresenta um mundo fantástico, com pormenores em cada canto, cheio de detalhe e variedade, criado com coerência, com estilo, com significado, e cheio de vida. Pessoas, animais, monstros, natureza, condições atmosféricas… The Witcher 3: Wild Hunt respira vida, tornando-se num impressionante e inesquecível open world onde o vento leva árvores, relva e água a bailarem de forma realista. Tudo neste jogo deve ser explorado, não só porque tem conteúdo, mas também porque é belo. Cada missão secundária, cada planície, cada rio, cada gruta ou montanha. Apetece explorar, ver a vida animal, ver algo novo a cada minuto, enfrentar perigos escondidos, parar e admirar cenário de grande beleza. The Witcher 3: Wild Hunt é completo porque oferece tudo o que queremos num mundo que parece real. E a toda esta vastidão e detalhe junta-se o ser humano, apresentando um mundo partido, onde aldeias tentam sobreviver cheios de desconfiança e miséria, em que quase todos querem tudo, e alguns apenas querem esperança.

E é assim que percebemos que este é um enredo cheio de sofrimento em que o grande inimigo é o próprio ser humano e não os monstros e dragões que iremos enfrentar. Este é um enredo sobre perda, sobre as ligações entre humanos, sobre o egoísmo de alguns e o impacto das decisões de todos. No início o enredo demora a arrancar, parecendo não ter o impacto que o jogo pede, mas, aos poucos, enquanto vamos decidindo, o enredo começa a acelerar e a tornar-se coeso. Neste aspeto é impressionante como todas as missões secundárias dão algo ao enredo, tornando-o mais completo e mais compreensível. É por isso que todo o jogo deve ser explorado. O resultado é uma forte ligação emocional entre nós e as personagens, levando a com que cada decisão tenha peso na nossa consciência. No entanto, o catalisador deste enredo são as questões políticas e religiosas e como influenciam o povo, levando a que o nosso personagem esteja sempre na corda bamba na moralidade de algumas questões.

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Ainda sobre as decisões, devemos salientar a excelente oportunidade que The Witcher 3: Wild Hunt nos dá sobre as decisões dos jogos passados. Teremos hipótese de decidir sobre momentos de The Witcher 1 e 2, para que tudo faça sentido, quer para quem nunca jogou a saga, quer para os que jogaram e tiveram certas decisões. Para além disso, serão vários os flashbacks que teremos sobre os enredos dos primeiros dois jogos para que nenhum jogador fique deslocado. Todavia, salientamos que nunca nos pareceu necessário ter de jogar os jogos anteriores para compreender este jogo na sua totalidade.

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The Witcher 3: Wild Hunt tem uma impressionante capacidade de nos chocar com cenários de guerra, com o que cada personagem sofre, perde ou sacrifica. A isto juntam-se diálogos muito bons, inteligentes e com significado, e muito bem aliados a um fantástico trabalho de vozes. Com isto podemos dizer que são as personagens que tornam o enredo muito melhor do que pode parecer inicialmente. Pela frente teremos um dos melhores sistemas de decisões que já vimos, com efeitos significativos e coerentes, capazes que nos levar  sentir a responsabilidade do momento, e existirão decisões em quase todas as missões, mesmo nas secundárias.

Graficamente é também muito bom, mesmo com o notório downgrade que teve em relação a alguns trailers. O design de cenários está perfeito e as personagens e monstros também. Nada parece fora do sítio. Facilmente vemos como movimentos das personagens estão bons, tal como admiráveis efeitos de luz e sombra. A nossa versão, PS4, apresentou em alguns momentos ligeiras quebras, mas nada pode retirar qualidade a uma experiência realmente marcante como esta (quebras essas que deverão ser retiradas em updates futuros).

Em relação à jogabilidade, apenas podemos dizer que The Witcher 3: Wild Hunt é um jogo fácil na sua grande maioria do tempo, mas é sempre bastante divertido. É fácil ficarmos mais de 100 horas neste jogo e nunca nos sentirmos cansados, e a opção de continuarmos a explorar o mapa depois de acabarmos a história faz com que estejamos a jogá-lo daqui a algum tempo. Para os experientes na saga, aconselhamos níveis de dificuldade mais altos, e muita atenção ao fantástico sistema de criação de poções que o jogo oferece, sendo de realçar que estas poções ajudam bastante, mas trazem efeitos secundários quando usadas em demasia. Ainda neste aspeto, realçamos a boa inteligência artificial, principalmente na forma como os nossos inimigos alteram as suas estratégias consoante as magia que estamos a usar.

Com muitas armaduras e armas para encontrar, muitas decisões e um mapa enorme, The Witcher 3: Wild Hunt é um RPG profundo que agradará aos fãs. A tal alia-se um bom modo de investigação sobre acontecimentos passados antes de chegamos a uma certa missão e que nos ajudam a preparar o confronto. De realçar também que as centenas de pontos no mapa que indicam missões não nos dão informações, existindo sempre o efeito surpresa sobre o que iremos encontrar.

The Witcher 3: Wild Hunt é um grande jogo. É completo e coeso, capaz de surpreender e de viciar. Quando acaba queremos que haja mais para fazer. É fácil ficarmos abismados com o que está dentro deste mundo. Nos últimos 4 anos, a Magazine HD deu a nota máxima por apenas duas vezes… The Witcher 3: Wild Hunt tem a honra de receber a nossa terceira nota máxima e mostra a Bloodborne e a outros jogos que ainda estão para sair, que a luta pelo título de melhor jogo do ano não será fácil. Fantástico e totalmente recomendado, verdadeiramente ambicioso!

 

Pontos fortes:

  • Impressionante mundo cheio de detalhe
  • Grande sistema de decisões
  • Graficamente de topo
  • Brutal trabalho sonoro
  • Muito para se descobrir

Pontos fracos:

  • História demora arrancar

 

Hardware usado pela MHD para teste de jogos:

PS4:

  • PlayStation 4 Glacier White
  • DualShock 4 White
  • Razer Leviathan Sound System

PC:

  • Headphones Razer Carcharias
  • Keyboard Razer Epic Chroma

LP

 

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Luis Pinto

Developer de videjogos e inteligência artificial - Autor do canal Luís Pinto - Apaixonado por jogos desde o tempo do Spectrum!

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