TOP 10 Filmes Woody Allen | 4. Ana e as Suas Irmãs

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Ana e as Suas Irmãs (1986) é um dos melhores filmes de Woody Allen, sobretudo pela capacidade de nos contemplar com o sentido de família, por muitos dos seus subterfúgios amorosos.

O enredo de Ana e as Suas Irmãs desenrola-se ao longo de dois anos, começando e terminar numa reunião familiar, um típico jantar americano decorrente no Dia de Ação de Graças. A narrativa de Woody Allen, mais uma vez sofisticada na sua estrutura, segue Hannah (Mia Farrow), Holly (Dianne Wiest) e Lee (Barbara Hershey), três irmãs cujas relações irão relembrar a peça de Anton Tchekov “Três Irmãs”, publicada no início do século XX.

Neste seu filme, que reúne elementos de comédia, romance, e drama familiar, Woody Allen  utiliza uma construção narrativa que ainda não havia sido vista na sua obra: são cinco personagens principais e a câmara gravita em torno das três irmãs, mas sem nunca encontrar o seu enfoque prioritário. Acrescenta-se ao trio feminino, o atual marido de Hannah, o educado e extremamente culto consultor financeiro Elliot (Michael Caine) e o seu ex-marido, o trapalhão e neurótico Mickey (Woody Allen), que terão um papel determinante na (des)construção desta família contemporânea. O filme ter uma certa impressão de realismo, uma vez que a mãe de Hannah (e das suas irmãs) é desempenhada pela própria mãe de Mia Farrow, a atriz Maureen O’Sullivan. O argumento de Woody Allen constrói um filme que desperta as sensações antagónicas de alegria e de tristeza, mas que é igualmente  ágil em questionar a religião, a filosofia, a poesia e, acima de tudo, a vida e as relações humanas dentro de uma família problemática, em que cada membro, em todas suas peculiaridades, tem de olhar-se ao espelho, e perceber o que pretende para o seu futuro.

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Woody Allen

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Pela disseminação de personagens inter-conectadas, o realizador explora as várias facetas do comportamento humano, da estupidez ao egoísmo, da vaidade à inadvertência, bem como indagar os diferentes aspetos do amor, num espaço familiar que apesar de não ser tão claustrofóbico quanto aquele filmado em Interiors (1978), faz sentir-nos presos a ‘uma casa’. Destaque-se a participação de Max von Sydow, o autor de O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, de quem Woody Allen era, e continua a ser, assumidamente fã.

Ana e as Suas Irmãs acabaria mesmo por vencer 3 Óscares da Academia, um deles, de melhor atriz secundária, para Dianne West, num papel de uma atriz frustrada que tenta recuperar do vício da cocaína. Apesar dos problemas que levanta, no final do filme, Woody Allen mantém um espírito bastante esperançoso, uma vez que apresenta um casal feliz, Mickey e Holly, que está grávida, questão que também fora discutida no início do filme e que acabou por levar à rutura do seu casamento com Hannah. Este filme é realmente uma pérola na cinematografia de Woody Allen, sublime na forma como agarra literalmente nos corações das personagens e fá-las perceber que sentidos tem a palavra amor. Ironicamente, existe uma curta aparição de Soon-Yi Previn, a filha adotiva de Mia Farrow, que apenas seis anos depois, tornar-se-ia amante de Allen. Afinal como Allen sabe tão bem, por vezes, a vida retira alguma coisa da arte.

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Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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