Uma História de Encantar 2 © Disney

Uma História de Encantar 2, em análise

Giselle já não é uma princesa mas a magia ainda não desapareceu. “Uma História de Encantar 2” já está na Disney+ e poderá atrair novas gerações. Afinal de contas, muitos foram já os anos que passaram desde o primeiro filme e bem sabemos que princesas e magias puxam sempre a atenção de todos, de pequenos a graúdos.

[análise livre de spoilers]

Antes de mais nada, um aplauso para a Disney. Retomar um filme mais de dez anos depois não é fácil, e ainda menos recuperar todo o elenco principal. “Uma História de Encantar 2” (“Disenchanted”) é exemplo que a magia de uma história pode ficar tanto na memória dos fãs como do próprio elenco; uma ideia naquele que poderia ser o rumo certo para uma sequela foi o que motivou o regresso de Amy Adams, Patrick Dempsey, James Marsden e Idina Menzel.

Sim, passados dez anos antes estes regressos poderiam ser apenas de dinheiro ou falta de trabalho, mas há que notar que neste quarteto esse não é certamente o problema. Com carreiras bastante ativas nos últimos anos, os quatro voltam a este universo como Giselle, Robert, Príncipe Edward e Nancy respetivamente. E o melhor? Sem perderem a essência das personagens que nos fizeram apaixonar pelo primeiro filme.

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Mas numa sequela tão separada no tempo, as novidades e as atenções viram-se igualmente para o novo elenco. Gabriella Baldacchino é a grande revelação do filme, como Morgan Philip, a filha de Robert que já é uma adolescente nesta sequela. A jovem atriz, que até agora havia participado em filmes de televisão ou séries mais pequenas, faz aqui a sua grande estreia, mostrando os seus dotes de atriz mas também de cantora ao entoar um dos maiores momentos musicais do filme.

Numa outra vertente, olhando para um grupo de veteranas, “Uma História de Encantar 2” acolhe Maya Rudolph como principal antagonista, e ainda Yvette Nicole Brown e Jayma Mays. Ainda que os papéis sejam pequenos – aí sim podemos adiantar desde já que esperávamos ter visto mais de Maya – são também presenças de puxar o olhar em qualquer cena que entrem. Especialmente Maya Rudolph num papel de mulher altiva e de nariz empinado.

Uma História de Encantar 2
Maya Rudolph é apresentada como a adversária de Giselle © Disney

“Uma História de Encantar 2”, ao contrário do primeiro filme, começa desde logo com uma dose da dura e crua realidade de uma vida familiar no mundo real. Com um bebé, uma filha adolescente a querer distância e um pequeno apartamento em plena cidade de Nova Iorque, Giselle começa a ansiar por uma vida mais liberta e ligada ao seu ‘felizes para sempre’. A perder a magia deste seu conto de fadas, leva a família a mudar-se para Monroeville, uma comunidade nova nos subúrbios de Nova Iorque e que lhe parece ser a promessa de uma nova vida em família.

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Até aqui nada de mau, mas também nada de inspirador e diferente. Neste argumento de Brigitte Hales falta o mesmo elemento de surpresa do primeiro filme; a história está bem construída mas desde que Giselle chega a Monroeville as suas ações são claras e as consequências bastante óbvias. Será culpa do filme, da argumentista ou do realizador Adam Shankman? Na nossa modesta opinião, não. Porquê? Porque como sequela é uma história engraçada mas seria impossível replicar a fórmula do primeiro filme. Este já não é um filme de descoberta mas quase como um filme de consolidação. Uma prova de como é ter um conto de fadas na vida real e como lidar com a vida para o manter.

E sim, é sabido que sequelas são sempre um chamariz para críticas em demasia mas algumas saltam mesmo à vista. Neste caso o que mais nos faltou foi o desenvolvimento de personagens novas. Amy Adams, que regressa como Giselle, está simplesmente divinal mas por outro lado faltou-nos o potencial de Maya Rudolph como vilã. Verdadeira vilã. Atrevemo-nos até a dizer que Amy Adams foi a verdadeira estrela do filme, na sua plenitude e não apenas como atriz de cabeça de cartaz; desdobrando-se entre duas personalidades distintas de Giselle, a atriz nomeada ao Óscar mostrou porque é uma das mais talentosas da sua geração e porque é que tão depressa faz um papel dramático como o papel de uma princesa que não hesita em entrar num momento musical em plena mudança de casa (sim, quem nunca quis parar a azáfama para cantar por entre poeiras, obras e caixas de cartão?).

Uma História de Encantar 2
Amy Adams como vilã é divinal de se ver © Disney

“Uma História de Encantar 2” não se consegue, de todo , equiparar ao primeiro filme. E sim, queríamos muito mais tendo em conta as estrelas do elenco, mas também acreditamos que conseguiu encontrar o equilíbrio na falta de originalidade. Ganha pontos por ter introduzido tanto do imaginário dos filmes de princesa da Disney, e por nos ter colocado em vários momentos a penar “oh, isto é da Branca Neve”, “ah não, da Bela Adormecida”, ou algo do género. Além disso, é um filme que no seu todo é mais confiante em si mesmo e que tem mais sucesso no desenvolvimento de Giselle. No primeiro era a princesa querida, mas aqui existe uma lenta transformação que confere toda uma outra dimensão à personagem nunca vista no primeiro filme.

E sim, ganha pontos, muito pontos, pela parte musical. Como filme musical esta área tinha claramente de ser excepcional e não, não desapontou em qualquer momento. Desde a música de fundo, até aos números musicais de Amy Adams, Idina Menzel e até Maya Rudolph, são músicas que não nos importamos de revisitar. Parabéns também pelo excelente trabalho de coreografia dos mesmos momentos, algo que Adam Shankman sempre mostrou ser capaz (lembram-se de “Hairspray”) e que até hoje continua a ser uma das melhores marcas da sua carreira.

Ainda te lembras da tua reação quando viste o primeiro filme?

  • Marta Kong Nunes - 71
71

CONCLUSÃO

“Uma História de Encantar 2” já não tem a magia da novidade do primeiro filme, mas não deixa de ter em si a magia da Disney. Repleto de referências aos mais variados filmes que ainda fazem parte do imaginário dos fãs do estúdio, o filme é palco para uma Amy Adams divertida e talentosa, que se desdobra em duas personalidades numa única personagem. Além disso, as músicas e banda sonora originais são simplesmente divinais, mostrando uma vez mais porque Alen Menken é um compositor tão icónico no universo Disney.

Pros

  • A banda sonora e as músicas originais;
  • Idina Menzel, que apesar de um papel pequeno, traz alguns dos melhores momentos musicais;
  • Amy Adams a interpretar uma Giselle com um toque de vilã;
  • A jovem Gabriella Baldacchino, que se revela um talento promissor.

Cons

  • Em termos de história o filme não acrescenta nada de novo, estando repleto de clichés;
  • James Marsden continua a ser um príncipe totalmente alienado da realidade, mas numa interpretação um pouco ou tanto excessiva;
  • Os momentos musicais com Patrick Dempsey poderiam não ter existido.
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Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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