Do Livro à Tela – Um Mundo sem fim

 

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Do Livro à Tela

Um Mundo sem Fim

de Ken Follett

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Após o enorme sucesso que foi “Os Pilares da Terra”, Ken Follett voltou à mesma cidade para uma nova história, passada vários anos após a construção da Catedral. As personagens são outras e sendo assim não é uma continuação direta mas imediatamente os fãs “saltaram” para um regresso a este mundo.

 

Tal como nos livros, a série televisiva “Os Pilares da Terra” alcançou enorme sucesso, ajudando ainda a um maior sucesso nas vendas do livro. Nesta continuação a série de “Um Mundo sem fim” não demorou muito a chegar, mas ao contrário da adaptação para TV da primeira obra, esta está muito abaixo do que Follett apresentou nos seus livros, ao ponto de esta opinião se resumir a isto: “Se apenas viram a série, leiam o livro. Se não viram nem leram, leiam o livro.”

Para que não haja dúvidas, fica aqui a convicção que a série não é má, longe disso, só não é tão boa quanto o livro nem é uma adaptação fiel ao enredo. Vamos por partes: Em primeiro lugar, o decréscimo orçamental na série levou, infelizmente, a um decréscimo na qualidade de tudo o que envolve a série, incluindo nos atores, que não conseguem transmitir, em alguns casos, as emoções que as personagens transmitem nos livros. No entanto o problema vem ainda antes do próprio trabalho dos atores, pois todo o enredo parece esmagado pela curta duração da série, algo que não se sentiu em “Os Pilares da Terra” onde o enredo foi construído de forma inteligente, levando a que o essencial estivesse presente e de fácil identificação por quem apenas via os episódios.

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É no enredo que está a falha, pois a série foge, desde o primeiro minuto das páginas de Follett. O livro de Follett começa com um grupo de crianças que vê algo que não devia ver, e esse segredo criará uma relação mais forte entre elas, levando a uma amizade profunda e marcada por um acontecimento que terá novos resultados no futuro. Na série este pequeno acontecimento é retirado totalmente, deixando o espectador sem a base necessária para perceber tudo o que une este grupo, agora adulto. Esta omissão pode parecer insignificante a curto prazo, mas quem tenha visto e lido perceberá melhor o que digo: este erro é o início da destruição da série enquanto adaptação, e cria-se logo à partida uma identidade própria, onde será muito mais difícil identificar-mo-nos com as personagens.

Mas as diferenças não ficam por aqui. Todas as personagens apresentam diferenças, e alguma serão bastante importantes para o futuro. Caris e Merthin perdem imenso com a adaptação, faltando-lhes profundidade que este novo enredo não lhes oferece. Sendo estas, à partida, as personagens mais importantes da história, não conseguimos criar um laço forte como acontece na leitura. E este é um dos pontos em que a adaptação falha: Follett consegue, quase sempre, criar laços entre as suas personagens e os leitores, mas esta adaptação falha em muitos desses casos.

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Claro que as diferenças continuam e se enumerasse todas, bastariam dois episódios para criar uma enorme lista de diferenças, algumas insignificantes, outras importantes mas, infelizmente, quase todas para um resultado pior. Outro aspeto interessante na obra literária é como Follett junta vários acontecimentos históricos (como por exemplo, famosas batalhas) mas que na série não têm grande impacto, e em alguns casos são omitidas, não ajudando à imersão do espectador na época em causa.

Como sempre, volto a repetir que aqui tentamos analisar até que ponto livro e adaptação estão próximas e qual tem maior qualidade. Por vezes a adaptação cinematográfica consegue melhorar a obra original e existem vários exemplos disso, mas na maioria piora devido a limitações na duração do filme ou série. Este é um caso que para além de piorar devido a essas limitações, a própria adaptação cria problemas ao afastar-se da história original, perdendo conteúdo e profundidade, e a verdade é que não conseguimos, na maioria dos casos, criar a empatia com a série que tivemos em “Os Pilares da Terra”.

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Se gostam do género histórico, “Os Pilares da Terra” é uma escolha óbvia, e depois este “Um Mundo sem fim” também deve ser lido. A série está boa (como disse no início) mas não está ao nível, sendo apenas recomendada a aqueles que não queiram ler o livro mas gostem do género.

 

Para mais informações sobre o autor, consulte o site da Editorial Presença aqui.

Para mais informações sobre o livro Um mundo sem fim – volume I, clique aqui.

Para mais informações sobre o livro Um mundo sem fim – volume II, clique aqui.

LP

 

 

Sobre Luis Pinto

Software developer - Autor do blog Ler y Criticar - Apaixonado por jogos desde o tempo do Spectrum!