Skyfall – 007 | Bluray em análise

 

 skyfall packshot Título Original: Skyfall

Realizador: Sam Mendes

Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench

Género: Ação, Aventura, Crime

ZON | 2012 | DTS-HD 5.1 | 2.40:1 | 143 min

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A edição nacional teve tratamento especial com uma apetitosa luva (slipcover). O blu-ray não é dos que levam mais tempo a carregar e agarra-nos logo no menu principal com uma extensa seleção de bons momentos como pano de fundo (e se Skyfall tem bons momentos …).

A nível da imagem, para nós uma das principais características quando se adquire um blu-ray, é muitíssimo boa, perto de excelente. Um generoso bit rate médio de 20 Mbps, proporciona uma imagem muito detalhada, com excelente recorte e cores bem saturadas, e com sequências exuberantes a nível do pormenor e profundidade dos planos, como na ilha deserta de Silva, as paisagens noturnas de Shangai, entre muitas outras. Não obstante Skyfall ter sido produzido de raíz no mundo digital, ajudando a este nível quase irrepreensível de qualidade de imagem verdadeiramente cinematográfica, a distribuição do filme e extras por dois discos, poderia ter permitido elevar ainda um pouco mais o bit-rate médio, e aí teríamos então mais uma obra de referência. De qualquer modo e sem dúvida alguma que ninguém fica defraudado perante uma fabulosa imagem destas.

A banda sonora original de Thomas Newton é intensa, e confere a dimensão e o ritmo adequados a cada sequência, bem apoiada num DTS HD dinâmico, com bom aproveitamento de todos os canais não estando contudo o LFE ao nível do melhor que já vimos nesta matéria.

A nível dos extras, além da belíssima e gulosa apresentação da edição de aniversário da antologia 007 em blu-ray, destacam-se o comentário audio da equipa e sobretudo a sequência de documentários sobre a produção, onde intervém o próprio Sam Mendes. é um autêntico outro espetáculo e provavelmente um segundo serão de sucesso garantido.

Skyfall é um daqueles filmes que dá gosto rever em casa, nem que fosse só pelos Extras. E obrigatório em qualquer BDteca.

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EXTRAS

Em Blu-ray™
■ Nas Filmagens de Bond – Viaje às profundezas do mundo de Bond e fique bem perto de toda a ação de cortar a respiração, mulheres glamorosas locais exóticos, engenhocas inovadoras e vilões sombrios.

Materiais de Bónus
■ Comentário Áudio do Realizador Sam Mendes, Vencedor de 1 Oscar® da Academia
■ Comentário Áudio dos Produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson com o Designer de Produção Dennis Gassner.
■ Premiere 007 – Skyfall
■ Spot Promocional da Banda Sonora Original
■ Trailer de Cinema

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É disso que se fala, portanto mais vale adereçar o “elephant in the room” o mais cedo possível na análise.

Na modesta opinião de quem vos escreve, “007 – Skyfall” não é o melhor James Bond de sempre, ainda que o isolamento de determinados momentos de fulgor e brilho ímpares pudessem elevá-lo a tal estatuto.

Despachada a conversa da praxe, vamos ao que realmente interessa.

Em Skyfall, a lealdade de James Bond a M. será posta à prova quando o passado desta volta para assombrá-la. Com o MI6 sob ataque, o agente secreto mais famoso do mundo deve investigar e destruir a ameaça que paira sobre a organização e o país, mesmo que tais atos tragam graves custos pessoais.

O legado de Bond é celebrado com pompa, circunstância e engenho pelo realizador ao leme, Sam Mendes (“Beleza Americana”, 1999), não apenas à superfície – com direito a gadgets, Bond girls, ação e o incontornável Aston Martin –  mas também por dentro, com uma exploração inédita da psique de Bond. Skyfall representa, de certo modo, a desconstrução e reconstrução, tanto enquanto Bond – o ícone, como enquanto James – o homem. E como é refrescante vê-lo efervescer com estes enigmas físicos, humanos e morais…

O 50º aniversário da saga no Cinema é coroado com um 23º título que tem tanto a levantar o chapéu a elementos passados que polvilharam o imaginário de Bond no último meio século, enquanto olha o futuro sob um semblante negro e um tom mais duro do que nunca, herança contemporânea essa que vinha sendo cimentada desde o fantástico “007 – Casino Royale”, e que infelizmente “007 – Quantum of Solace” não soube prezar da melhor forma.

A própria decisão de tornar a ameaça pessoal é um reflexo da contemporaneidade, que cada vez mais se tenta soltar do arquétipo vilanesco cujo propósito único passa pelo domínio da humanidade. A ameaça que paira em Skyfall é capaz de “quebrar o inquebrável” Bond, e talvez seja essa a sua maior potencialidade. Mesmo que ele ressurja reconstruído, fortalecido e renascido.

Muito disso se deve ao sólido (e bem escrito) argumento de Neal Purvis, Robert Wade e John Logan, que não negligencia a herança de Bond, mas que não hesita em olhar o futuro nos olhos. Essa tal qualidade incrementada no desenvolvimento do enredo e diálogos faz-se sentir ao nível das interpretações.

Na sua terceira vez como Bond, Daniel Craig surge com a sua performance mais persuasiva, emotiva e real, e apesar das dúvidas que se levantaram a propósito da sua escolha para continuar o legado do agente secreto a partir de Casino Royale, o ator britânico prova cada vez mais que se tratou de uma escolha não apenas sólida, mas das mais acertadas do franchise oficial que já viu materializar seis Bonds diferentes. Ninguém conseguiu como ele convir a natureza psíquica fraturada do agente secreto que se contrasta na sua brutalidade física e sofisticação do gesto, e quase vale a pena por si só pagar o bilhete para observar a linguagem física que Craig nos faz passar, de um Bond que está longe do seu auge físico e emocional.

Quem está de volta ao universo Bond é Q, numa oportunidade única e nunca desperdiçada por Ben Wishaw, que rouba cada cena que protagoniza. Mas por falar em “ladrões de cenas”, vamos ao maior: o enigmático Javier Bardem que, enquanto Silva, nos justifica em cada segundo de cena o Óscar que recebeu em 2008 pela sua fabulosa rendição assassina em “Este País Não é para Velhos”. A harmonia entre o realismo e a exuberância torna o vilão credível, misterioso e incrivelmente perigoso.

Ainda relativamente ao elenco, resta destacar aquela que é uma das forças motrizes deste renascimento de Bond – M., fabulosamente interpretada por Judi Dench. Talvez mais do que em qualquer outra das suas seis participações na saga, Dench encontra aqui espaço para jogar com os seus trunfos, e equilibrar uma performance que tem tanto de emocional e vulnerável como de fria e impiedosa, encontrando os seus pontos mais luminosos nas cenas em que interage diretamente com Daniel Craig, e quase conseguimos palpar os anos de história que antecedem as ações retratadas em Skyfall.

 

Pode não ser o melhor Bond de sempre – avaliação essa, claro, subjetiva – mas é quase indubitavelmente o Bond mais polido e com melhor aspeto de sempre, distinção atingida não só pelo olho único de Sam Mendes, mas pelo dedo mágico que apontou Roger Deakins como o diretor de fotografia de serviço. Deakins embebe cada frame de uma luxúria nunca antes vista, e é talvez a primeira vez que o estilo associado à figura e ações de Bond se equilibram no mesmo pé com a sua imagem cinematográfica total.

Como a trilogia Batman de Christopher Nolan (onde Sam Mendes confessou buscar inspiração), “007 – Skyfall” vem provar que entretenimento entusiasmante e glamouroso não tem de sobreviver com neurónios catatónicos, e que é possível combinar a espetacularidade com a abordagem (mesmo que breve) de questões de interesse social, político e moral contemporâneo.

Em jeito de nota final, não deixei de me sentir inquieta. Skyfall, como outros Bonds recentes, equilibra-se perigosamente entre o fervor de recordar os tempos áureos do passado, e a necessidade de atualizar um homem (e por extensão, uma instituição) que, supostamente, se encontram ultrapassados.

O crime mudou, mas as noções relativas ao seu combate permanecem, grosso modo, estagnadas, como aliás o próprio filme admite. A questão que se coloca após o término do 23º Bond é, no entanto: vamos dar um passo em frente ou dois atrás?

A ambição ou, antes, a espécie de cliffhanger que nos é deixado no final só poderá ser totalmente interpretado quando pudermos ver o que nos espera em Bond 24. Porque o tom dramático com que nos abandona tanto serve o propósito de regresso às origens (menos apetecível, tendo em conta o que já foi alcançado e, sim, a mudança dos tempos e das vontades) ou, ao contrário, a catapulta para um novo e dinâmico universo Bond, aquele que Casino Royale começou a construir cuidadosamente, e que pode encontrar em Skyfall um lanço de escadas imprescindível para chegar ao nível seguinte.

Fazemos figas pela segunda hipótese.

CO
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