De Mozart a Ian Curtis: 10 Melhores Filmes sobre Música

A propósito da estreia de All Eyez On Me, filme sobre a vida do eterno 2Pac, debruçamo-nos sobre filmes onde a música e os artistas musicais (ficcionais ou reais) são os personagens principais. 

A música esteve sempre presente no cinema desde os seus primórdios: através de orquestrações que serviram de decoração sonora aos filmes mudos, passando mais tarde pelos sons dos filmes falados ou ainda pelas bandas sonoras icónicas que entretanto foram sendo produzidas. Mas a influência da música no cinema também chegou aos argumentos dos filmes: desde a criação do género musical, passando pela composição de canções especificamente trabalhadas para servir os filmes e terminando na recente vaga de biopics sobre músicos eternos.

Alguns desses filmes sobre música estão tão brilhantemente orquestrados na simbiose que estabelecem entre as duas artes, que surgem frequentemente em listas de melhores filmes dos últimos anos. A estreia do biopic de 2Pac, All Eyez On Me, motivou-nos a explorar os melhores filmes sobre música que foram realizados nos últimos anos.

Eis pois os nossos 10 Melhores Filmes sobre Música:




#10 – Straight Outta Compton (2015)

Um bálsamo para a representação do hip hop no cinema. O filme de F. Gary Gray (o mesmo realizador do último Velocidade Furiosa) debruçou-se sobre o super-grupo N.W.A. (Niggaz Wit Attitudes), ativo entre os anos 1986 e 1991. Eazy-E, Ice Cube e Dr. Dre foram retratados num biopic de competência rara estreado em Agosto de 2015 nos EUA. O sucesso de bilheteira, o número #1 da banda sonora no ranking de rap/hip hop da Billboard  e a aclamação universal catapultaram este filme de moderadas ambições para uma feroz campanha nos Óscares que lhe valeu uma nomeação para Melhor Argumento Original. Houve quem reclamasse uma indicação para Melhor Filme, mas Straight Outta Compton já não precisa desse pormenor no palmarés para sobreviver ao teste do tempo.

STRAIGHT OUTTA COMPTON




#9 – 8 Mile (2002)

Embora não o sendo, há quem veja 8 Mile como pioneiro na forma como representa o rap no cinema. E essa consideração tem um motivo: é uma história dura, mas esperançosa, sobre a forma como o rap ‘branco’ floresce num meio ‘negro’. Um quebra-fórmulas inspirado na vida de Eminem, que protagoniza e interpreta a canção “Lose Yourself”, vencedora do Óscar de Melhor Canção Original. A magnética performance de Eminem foi muito elogiada naquele ano e ressoa ainda hoje como uma das mais fortes interpretações masculinas em filmes sobre músicos.




#8 – The Doors (1991)

Esteve 20 anos em produção e múltiplos atores foram cotados para darem vida ao mítico Jim Morrison. Talvez por isso, este filme de Oliver Stone esteja frequentemente escondido na penumbra quando se falam em biopics sobre músicos. O filme representa Jim Morrison, líder dos The Doors e ícone dos anos 60, através do rock and roll, dos excessos, do seu interesse pelo plano espiritual e pela sua obsessão pela morte. E é devido a este último facto que esta obra de Oliver Stone, protagonizada por Val Kilmer, for muito mal recebida pelos restantes membros da banda, amigos e familiares. Um filme mal amado nos anos 90 e que envelheceu mal, mas que desperta um certo misticismo que o torna num pequeno fenómeno de culto.




#7 – I’m Not There (2007)

Um dos menos convencionais biopics alguma vez produzidos teve a mágica mão de Todd Haynes. I’m Not There recria seis fases diferentes da vida do nobel Bob Dylan, onde seis diferentes personagens dão corpo a aspetos particulares da sua vida pessoal e profissional. Como não esquecer o imperial desempenho de Cate Blanchett? Ou aquela que foi uma das últimas prestações de Heath Ledger? Ou ainda a cinematografia do cinematografo-fetiche de Haynes, Edward Lachman? E a música, e a música? Este é uma das mais requintadas e complexas obras cinematográficas sobre música. Uma derradeira experiência sensorial.




#6 – Almost Famous (2000)

Cameron Crowe pode não ser a última coca-cola do deserto no que à realização diz respeito, mas não há como negar que tem um grande dom na forma como une, quase sempre de forma magistral, a música e o cinema. “Say Anything…”, “Singles” e até o fraco “We Bought a Zoo” são ótimos exemplos, mas é quase sempre Almost Famous que salta à vista nesse conjunto de trabalhos. Não se trata propriamente de uma obra de exploração de uma vida artística na primeira pessoa, mas sim de um trabalho (ficcional) que se debruça sobre os bastidores dessa vida quando contada através de uma pessoa fora do meio. No filme, um rapaz de uma escola secundária tem a oportunidade  de escrever um artigo para a revista Rolling Stone sobre uma banda de rock enquanto os acompanha na sua tour de concertos. Um doce e memorável conto de coming-of-age, com músicas de Stevie Wonder, Simon & Garfunkel, Joni Mitchell, Led Zeppelin, Neil Young, Fleetwood Mac, David Bowie e muitos mais!




#5 – High Fidelity (2000)

Que ano foi 2000! Antes de “Almost Famous”, estreou o filme de Stephen Frears, curiosamente, também um conto de coming-of-age mas de um rapaz já crescidinho (interpretado por John Cusack) que não sabe o que fazer da sua vida e das suas relações amorosas. E o que é que isto tem a ver com a música? É que esse rapazola de 30 e picos anos é dono de uma loja de discos. A música acaba por ser tudo em High Fidelity: dá-lhe ritmo, expressa sentimentos e frustrações (‘What came first, the music or the misery?’), acrescenta-lhe significados adicionais e dimensões sensoriais que provocam arrepios. Mas não nos enganemos: esta comédia romântica de Frears não é o conto de amor infalível. Mas, com presenças de Bruce Springsteen, Bill Callahan, The Velvet Underground, Aretha Franklin, Queen ou Bob Dylan na banda sonora, pode-se dizer que  é um conto musical perfeito.




#4 – Love & Mercy (2015)

E por falar em John Cusack… chegamos a Love & Mercy, um filme notável sobre Brian Wilson, o líder dos The Beach Boys. Abordando duas fases da vida do Wilson, a saber, o Brian do passado interpretado por um arrepiante Paul Dano – o melhor ator que ninguém conhece –  e o Brian do futuro, encarnado pelo também fabuloso John Cusack, “Love & Mercy” apoia-se na sua estrutura fragmentada para exaltar as perturbações psíquicas do seu protagonista. É aliás, nessa estrutura que deambula entre o passado e o futuro, que encontramos semelhanças com o biopic inusitado de Bob Dylan pelas mãos de Todd Haynes, “I’m Not There”.  “Love & Mercy” vai direto à ferida, sem contemplações ou devaneios hollywoodescos, debruçando-se sobre um génio, o homem e o músico. A última cena,  ao som de “Wouldn’t It Be Nice”, é já uma das melhores deste século.




#3 – Control (2007)

Entramos na fase negra deste nosso top. O território mais obscuro dos biopics musicais foi objeto de estudo na obra de estreia do fotógrafo Anton Corbijn, um filme sobre a efémera vida de Ian Curtis, dos Joy Division. Control é uma obra de arte, pintada com uma proeminente cinematografia a preto e branco, com performances arrepiantes de Sam Riley e Samantha Morton e uma banda sonora de chorar – porque o tempo (essa escassa entidade que quantifica a duração das coisas) não deixou que Curtis nos deixasse uma herança maior. Nesse ponto de vista, é um drama cruel e impiedoso. Ainda que belo e poético.




#2 – Inside Llewyn Davis (2013)

Como esquecer a melancolia dos irmãos Coen pintada sobre um quadro de folk melancólico? Inside Llewyn Davis é sobre não conseguir seguir em frente, sobre não saber para onde ir, sobre não saber o que fazer, o que compor, o que cantar, o que ser. Este retrato ficcional e profundamente irónico de um cantor folk em decadência mas que nunca esteve no auge, é uma carta de amor ao folk que chega a nós através dos ouvidos de T Bone Burnett e dos olhos Bruno Delbonnel. Um deleite comovente, ainda que ácido e sarcástico, sobre um adorável looser. 




#1 – Amadeus (1985)

Não havia outro número 1 possível. O épico de Miloš Forman é cenicamente sumptuoso, tem interpretações do melhor que já se viu na história do Cinema (atente-se na prestação avassaladora de F. Murray Abraham), mas é, na sua génese, uma ópera superlativa, uma playlist ostensiva e orgásmica, um pedaço de arte com carimbo musical que até hoje ninguém conseguiu replicar. Um filme além do seu tempo.

 

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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